Quando Nasce Filho: Direito do Pai a Licença e Dias de Licença
A chegada de um filho é um momento de grande alegria e transformação na vida de uma família. Além das emoções envolvidas, essa fase também traz questões legais e direitos trabalhistas que precisam ser bastante esclarecidos. Entre os principais temas está o direito do pai à licença paternidade — por quanto tempo ele pode ficar ao lado do bebê nos primeiros dias de vida? Quais as opções disponíveis e quais as leis que garantem esse direito? Este artigo tem como objetivo explicar detalhadamente tudo o que você precisa saber sobre a licença de paternidade no Brasil, abordando os prazos, direitos, benefícios e aspectos legais relacionados.
O que diz a legislação brasileira sobre a licença de paternidade?
A Constituição Federal de 1988, no seu artigo 7º, inciso XIX, garante ao trabalhador o direito à licença-paternidade por um período determinado, além de assegurar estabilidade e direitos relacionados à parentalidade. A legislação complementar, como a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), também dispõe sobre as condições para o exercício desse direito.

Direito à licença de paternidade
Segundo a legislação vigente, o pai tem direito a uma licença de paternidade que, na maior parte dos casos, dura 5 dias corridos, a contar da data de nascimento do filho. Contudo, esse período pode ser ampliado em determinados casos ou dependendo do convênio ou acordo coletivo de trabalho.
A Lei nº 13.467/2017 (Reforma Trabalhista)
A reforma trouxe novas possibilidades para o período de licença de paternidade, incluindo a possibilidade de estender o período de licença em algumas situações específicas, como programas de inclusão de filhos com deficiência ou participação em ações de incentivo à parentalidade compartilhada.
Importante: Para alguns servidores públicos e por convenções coletivas específicas, essa licença pode ser estendida para até 20 dias ou mais.
Quanto tempo tem o pai de direito após o nascimento do filho?
| Tipo de Trabalhador | Período de Licença de Paternidade | Observações |
|---|---|---|
| Trabalhador CLT (Empregado comum) | 5 dias corridos | Pode ser estendido em alguns acordos ou programas específicos |
| Servidores públicos federais | A partir de 20 dias (Lei nº 11.784/2008) | Pode variar conforme o órgão e o estado de responsabilidade |
| Trabalhadores de empresas com programas de incentivo | até 20 dias ou mais, dependendo do acordo coletivo | Verificar sempre o convenção coletiva ou acordo coletivo da categoria |
| Trabalhadores autônomos e informais | Não há direito garantido por lei, mas a licença por nascimento pode ser negociada com empregador ou por políticas de empresa |
Licença de paternidade estendida
Algumas empresas e órgãos públicos oferecem licença estendida para o pai que participa ativamente do cuidado do filho. Além do período padrão de 5 dias, há possibilidades de ampliar esse período para até 20 dias ou mais, conforme acordo ou programa de incentivo à parentalidade responsável.
Como solicitar a licença de paternidade?
Para exercer esse direito, o pai deve seguir alguns passos básicos:- Comunicar formalmente a empresa ou órgão público sobre o nascimento do filho.- Apresentar a certidão de nascimento ou o documento de declaração de nascido vivo.- Solicitar formalmente a licença, de acordo com os procedimentos internos de cada instituição.
Dicas importantes
- Planejamento antecipado: Sempre informe seu empregador com antecedência para ajustes no quadro de funcionários ou escala de trabalho.
- Documentação: Guarde cópias de toda documentação relacionada ao nascimento e à solicitação da licença.
- Acompanhamento: Consulte o setor de Recursos Humanos para garantir que seus direitos estão sendo respeitados.
Benefícios da licença de paternidade
Ampliar a licença de paternidade traz diversos benefícios, incluindo:- Fortalecimento do vínculo entre pai e filho.- Participação ativa na rotina do bebê desde os primeiros dias.- Apoio à mãe na adaptação pós-parto.- Promoção de uma cultura organizacional que valoriza a paternidade responsável.
Segundo uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), filhos com envolvimento do pai na fase inicial apresentam maior desenvolvimento emocional e social.
Direitos do pai além da licença: estabilidade e outras garantias
Além do período de licença, o pai tem garantido por lei estabilidade provisória no emprego até 5 meses após o nascimento do filho, garantida pela Lei nº 13.654/2018. Essa estabilidade visa proteger o trabalhador de possíveis demissões por motivos relacionados ao período de parentalidade.
Perguntas Frequentes
1. O pai pode tirar licença de mais de 5 dias?
Sim. Empresas e órgãos públicos podem oferecer licença estendida, variando de 10 a 20 dias ou mais, conforme acordo coletivo ou programa de incentivo.
2. A licença de paternidade pode ser compartilhada com a mãe?
Embora a licença-maternidade seja de 4 a 6 meses, a licença de paternidade normalmente não é compartilhada, mas a participação do pai no cuidado do bebê é incentivada e reconhecida legalmente.
3. Como funciona a licença de paternidade para trabalhadores autônomos?
Para trabalhadores autônomos, o direito à licença de paternidade não é garantido por lei, contudo, podem negociar benefícios ou licença com suas empresas ou cooperativas.
4. O que fazer se o empregador não conceder a licença?
Procure o sindicato da categoria ou o Ministério do Trabalho para orientação. Além disso, é possível ingressar com ação judicial para garantir o direito.
Conclusão
A chegada de um filho é um momento singular na vida de qualquer pai, e a legislação brasileira reconhece essa importância ao garantir direitos específicos de licença de paternidade. Com um período padrão de 5 dias corridos, essa licença pode ser estendida dependendo do tipo de trabalhador, empresa ou órgão público. Participar ativamente do cuidado do recém-nascido desde os primeiros dias não só fortalece os laços familiares, mas também reflete na saúde emocional e no desenvolvimento do bebê.
Para garantir todos os direitos, é essencial estar atento às normas específicas, comunicar-se com antecedência com o empregador e manter a documentação em dia. Como afirma o jurista José Afonso da Silva, “direitos básicos, como o da licença de paternidade, são essenciais para uma sociedade mais justa e igualitária”.
Referências
- Brasil Lei nº 13.467/2017 – Reforma Trabalhista
- Lei nº 11.784/2008 – Licença de Paternidade para Servidores Públicos Federais
- Constituição Federal de 1988
- Ministério do Trabalho e Emprego
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE
Seja sempre atualizado e conheça seus direitos. A paternidade responsável é uma conquista para toda a sociedade!
MDBF