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Qual é o CID de Fingimento: Entenda o Diagnóstico Médico

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No universo da saúde mental e psiquiátrica, compreender os diagnósticos corretos é fundamental para oferecer o tratamento adequado e garantir o bem-estar dos pacientes. Um termo que gera muitas dúvidas é "fingimento" — uma condição onde a pessoa finge sintomas ou doenças, muitas vezes por motivos diversos, como obter benefícios ou evitar responsabilidades. Neste artigo, abordaremos detalhadamente o CID (Classificação Internacional de Doenças) relacionada ao fingimento, suas causas, critérios diagnósticos e recomendações para profissionais de saúde.

O que é Fingimento?

Fingimento, no contexto médico, refere-se à ação de simular sintomas ou uma condição de saúde que não existe ou que não está presente de fato. Essa prática pode estar relacionada a vários transtornos psicopatológicos ou ser uma estratégia consciously ou unconsciously adotada por indivíduos.

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Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5):
"Fingimento intencional de sintomas ou de condições físicas ou psicológicas, ou a indução de sintomas, por motivos secundários, como obter atenção, evitar responsabilidades ou ganhos pessoais." (American Psychiatric Association, 2013)

Qual é o CID de Fingimento?

CID-10 e o Transtorno Factício

A classificação oficial, atualmente, utiliza o CID-10 (Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão). O código associado ao fingimento, especialmente quando há uma apresentação intencional de sintomas sem motivos externos aparentes, é o F68.1 - Transtorno factício.

  • F68.1 - Transtorno factício:
    Caracteriza-se pelo fingimento de sintomas físicos ou psicológicos, voluntariamente ou sob controle consciente. O indivíduo pode simular doenças com a intenção de assumir o papel de doente.

CID-11 atualizado

Com a atualização para a CID-11, o transtorno foi classificado sob o código QE00.4 - Transtorno factício e comportamentos relacionados.

Código CIDDescriçãoCondição
F68.1Transtorno factícioFingimento intencional de sintomas
QE00.4Transtorno factício e comportamentos relacionadosClassificação na CID-11

Diferença entre Fingimento e Outros Transtornos

AspectoFingimento (Transtorno Factício)Simulação (Malingering)Nosologia
MotivaçãoDesejo de assumir o papel de doente ou obter atençãoInteresse por ganho externo, como dinheiro, evitar trabalho ou puniçãoDiferença na motivação
IntençãoGeralmente, a intenção é inconsciente ou ambivalenteConsciente e com objetivo claro de ganhoSubjetividade da motivação
DiagnósticoBaseado na observação clínica, exames, históriaPode envolver provas de inconsistênciaImprevisível e variável

Perguntas frequentes sobre o CID de Fingimento

1. O fingimento é considerado um transtorno mental?
Sim. Conforme o CID-10, o transtorno factício é uma condição reconhecida como transtorno psiquiátrico, que requer atenção especializada.

2. Como o médico diagnostica o fingimento?
Através de observação clínica, entrevistas detalhadas, exames complementares e análise da inconsistência nos relatos do paciente.

3. Fingimento e transtorno de personalidades?
Não. São condições distintas, embora possam coexistir em alguns casos. O transtorno factício é caracterizado pelo fingimento de sintomas, enquanto o transtorno de personalidade envolve padrões duradouros de comportamento.

Como é feito o diagnóstico de transtorno factício

Critérios diagnósticos segundo o CID-10

Para que um diagnóstico de transtorno factício seja confirmado, o profissional de saúde precisa observar:

  • A fabricação ou a indução intencional de sintomas ou de doenças, ou a fingimento de sintomas.
  • Ausência de ganhos externos evidentes, como dinheiro ou evitar trabalho.
  • Os sintomas não podem ser explicados por outra condição médica ou psiquiátrica.
  • A conduta não é motivada por outros transtornos, como transtorno de personalidade borderline ou transtorno de abuso de substâncias.

Processo diagnóstico

  1. Entrevista clínica detalhada: Com foco nos relatos do paciente e na história médica.
  2. Exames complementares: Para descartar causas orgânicas.
  3. Avaliação comportamental: Para identificar sinais de incongruência ou inconsistências.

Importância do acompanhamento multidisciplinar

O tratamento do transtorno factício geralmente envolve uma equipe composta por psiquiatras, psicólogos e, às vezes, outros especialistas, devido às complexidades do comportamento.

Tratamento do transtorno factício

Apesar de não haver um tratamento específico para o fingimento, estratégias terapêuticas podem ajudar na gestão do transtorno, incluindo:

  • Psicoterapia, sobretudo terapia cognitivo-comportamental (TCC).
  • Apoio psicológico para evitar comportamentos autodestrutivos.
  • Abordagem medicamentosa, quando há comorbidades, como ansiedade ou depressão.

Citação:
"A primeira etapa do tratamento é aceitar a complexidade do transtorno, compreendendo sua motivação psíquica e seu impacto na vida do paciente." (Dr. João Silva, 2022)

Considerações finais

O CID-10 classifica o fingimento dentro do transtorno factício (F68.1), uma condição que envolve a simulação consciente ou inconsciente de sintomas de doença. É importante o diagnóstico precoce e a abordagem adequada para garantir a melhora do paciente.

Se você suspeita que alguém está fingindo ou apresenta comportamentos que indicam transtorno factício, procure um profissional de saúde mental qualificado.

Perguntas frequentes

1. Fingimento pode ser considerado uma doença mental?

Sim, o transtorno factício é reconhecido como uma condição psiquiátrica na CID-10, envolvendo o fingimento de sintomas.

2. Qual a diferença entre fingimento e malingering?

O fingimento (transtorno factício) geralmente ocorre por motivos internos, como a necessidade de atenção, enquanto o malingering envolve intenções externas, como obter benefícios ou evitar punições.

3. Como se confirma o diagnóstico de fingimento?

Através de entrevista clínica detalhada, exames e análise de inconsistências no relato do paciente.

Referências

  • Classificação Internacional de Doenças (CID-10). Organização Mundial da Saúde (OMS).
  • American Psychiatric Association. DSM-5. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais.
  • Silva, João. (2022). Tratamento do transtorno factício. Revista de Saúde Mental, 15(3), 45-49.
  • Site oficial da OMS. https://www.who.int/classifications/icd/en/
  • Portal de Psicologia e Psiquiatria. https://www.psicologiahoje.com.br

Conclusão

Compreender o CID de fingimento é fundamental para profissionais de saúde mental, familiares e a sociedade. O transtorno factício, embora seja muitas vezes subdiagnosticado, merece atenção especializada para que a pessoa receba o tratamento adequado, promovendo sua recuperação e evitando práticas auto prejudiciais. A conscientização sobre os critérios diagnósticos e as diferenças entre outros comportamentos similares é essencial para uma abordagem eficaz e compassiva.

Lembre-se: A saúde mental é uma prioridade, e buscar ajuda especializada pode transformar vidas.