Qual CID de Fingimento: Guia Completo para Identificação e Diagnóstico
O fingimento é uma conduta que pode estar presente em diversas situações clínicas, psíquicas ou sociais, e sua correta identificação é fundamental para profissionais da saúde mental, médicos e especialistas envolvidos no diagnóstico. Este artigo oferece uma análise aprofundada sobre o CID de fingimento, abordando conceitos, critérios diagnósticos, manifestações e orientações para profissionais que lidam com essa questão.
O entendimento adequado do CID de fingimento é essencial para o reconhecimento precoce de comportamentos disfuncionais, proporcionando uma intervenção mais eficaz e alinhada às necessidades do paciente. Explore conosco um guia completo, com informações atualizadas, referências e dicas práticas.

O que é fingimento? Definição e Contextualização
Definição de fingimento
Fingimento é um comportamento deliberado de simular ou falsificar uma condição, sintoma ou situação, muitas vezes com o intuito de obter algum benefício, evitar responsabilidades ou manipular o ambiente social. No contexto clínico, o fingimento costuma estar ligado a transtornos que envolvem distorções da realidade ou estratégias de defesa, como o TranstornoFactício ou Transtorno Dissociativo.
Fingimento na prática clínica
Na prática clínica, o fingimento pode ser observado tanto em indivíduos que apresentam transtornos de simulação quanto naqueles que manifestam falsas queixas em busca de benefícios, como indenizações ou aval
iações de incapacidade.
Qual CID de Fingimento? Códigos e Classificações
Classificação do CID para fingimento
O CID-10 (Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão) descreve algumas condições que envolvem comportamento de fingimento ou simulação. Entretanto, o código mais utilizado em casos de fingimento por motivos de doença ou prejuízo social é:
| CID | Descrição | Uso Principal |
|---|---|---|
| F68.1 | Disfarce intencional ou fingimento (Simulação social) | Quando há fingimento com objetivo social, benefício ou manipulação |
| F45.0 | Transtorno somatoforme solitário | Pode envolver sintomas simulados, quando presentes |
Nota Importante: Ainda que o CID-10 apresente essas categorias, o diagnóstico de fingimento muitas vezes se enquadra em transtornos relacionados à simulação ou ao transtorno factício, que podem ser codificados de acordo com o contexto clínico.
A ICD-11, última versão publicada pela Organização Mundial da Saúde, traz critérios mais atualizados sobre os transtornos de apresentação e simulação, embora ainda sem um código específico exclusivo para "fingimento" como distúrbio isolado.
Diagnóstico diferencial
O diagnóstico do comportamento de fingimento deve considerar:- Existência de ganho secundário.- Histórico clínico e investigação de motivação oculta.- Comparação de sintomas relatados com evidências objetivas.
Manifestação e Exemplos de Fingimento
Sinais clínicos de fingimento
- Sintomas que não condizem com exames ou achados clínicos.
- Comunicação inconsistente.
- Estratégias de manipulação ou busca por benefícios financeiros ou sociais.
- Repetição de padrões de comportamento de busca por atenção ou benefício.
Exemplos comuns
- Pessoas que falsificam ou exageram sintomas de doenças físicas ou mentais.
- Pacientes que inventam eventos ou sintomas para evitar responsabilidades.
- Indivíduos que criam histórias de sofrimento que não correspondem à realidade clínica.
Como Diferenciar Fingimento de Outros Transtornos
Fingimento versus Transtorno de Simulação e Transtorno Factício
| Critério | Fingimento | Transtorno de Simulação | Transtorno Factício |
|---|---|---|---|
| Motivo principal | Obtenção de benefício ou manipulação | Benefício social, financeiro ou outro | Desejo de assumir o papel de doente, sem benefício claro |
| Consciência | Pode ser consciente | Consciente | Pode ser consciente ou inconsciente |
| Sintomas | Falsificação deliberada | Falsificação com objetivo de benefício | Inventar ou induzir sintomas, com ou sem benefício aparente |
Importância do diagnóstico preciso
Identificar corretamente o comportamento de fingimento é crucial para evitar diagnósticos equivocados, que podem levar a tratamentos inadequados ou à perpetuação do comportamento disfuncional.
Procedimentos para Avaliação e Diagnóstico
Avaliação clínica detalhada
- Entrevista aprofundada, incluindo histórico médico e psicológico.
- Exames complementares e testes objetivos.
- Observação de inconsistências nos relatos.
Técnicas de investigação
- Entrevistas com familiares ou cuidadores.
- Uso de instrumentos específicos, como escalas de avaliação de simulação.
- Monitoramento ao longo do tempo.
Papel do profissional
O clínico deve atuar com sensibilidade, mantendo uma postura neutra e investigativa, buscando compreender motivações inconscientes e contextuais do comportamento de fingimento.
Tratamento e Intervenções
Abordagem multidisciplinar
- Psicoterapia individual ou em grupo.
- Apoio psicológico para lidar com questões emocionais subjacentes.
- Envolvimento de familiares e rede de apoio.
Estratégias específicas
- Terapia cognitivo-comportamental (TCC) para modificar comportamentos disfuncionais.
- Intervenções motivacionais para orientar mudanças de comportamento.
- Cuidados médicos em casos de manipulação de sintomas físicos.
Considerações éticas
Respeitar a dignidade do paciente, mesmo diante de comportamentos considerados dissimulados, é fundamental para uma abordagem ética e efetiva.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. O fingimento sempre indica um transtorno mental?
Nem sempre. O fingimento pode ser uma estratégia consciente ou inconsciente que não configura um transtorno mental, mas que deve ser avaliada cuidadosamente pelo profissional.
2. Qual o CID mais comum associado ao fingimento?
O CID-10 mais relacionado é o F68.1 – Disfarce intencional ou fingimento (Simulação social), embora o diagnóstico dependa do contexto clínico.
3. Como diferenciar fingimento de transtorno factício?
O fingimento geralmente visa obter benefícios externos, enquanto o transtorno factício envolve a motivação de assumir o papel de doente sem benefício aparente, muitas vezes com consciência do engano.
4. É possível tratar o fingimento?
Sim, por meio de abordagens psicoterapêuticas e intervenção multidisciplinar, é possível reduzir comportamentos de fingimento e tratar suas causas subjacentes.
Conclusão
Identificar e compreender o comportamento de fingimento é um desafio importante em práticas clínicas. O uso correto do CID, aliado à avaliação cuidadosa, ajuda na elaboração de um diagnóstico preciso e na definição de estratégias de tratamento adequadas.
Lembre-se sempre de abordar essa questão com sensibilidade, buscando promover o bem-estar do paciente sem rotulamentos pejorativos, valorizando a ética profissional e o entendimento multidisciplinar.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças – CID-10. 10ª revisão. 1993.
- American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5). 2013.
- Nascimento, F. C., & Santos, H. L. (2020). Distúrbios de simulação e diagnóstico diferencial. Revista Brasileira de Psiquiatria, 42(2), 180-185.
- Sociedade Brasileira de Psiquiatria. Diretrizes para avaliação de comportamentos de fingimento. Disponível em: https://www.sbp.org.br.
Recursos adicionais
Para saber mais sobre o tratamento e avaliação de transtornos relacionados ao fingimento, acesse os seguintes links:
Considerações finais
A compreensão adequada do qual CID de fingimento melhora o manejo clínico, evita diagnósticos equivocados e contribui para uma intervenção mais ética e efetiva. Fique atento às nuances de cada caso e lembre-se de que o diagnóstico deve sempre ser baseado em uma avaliação minuciosa e cuidadosa.
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