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Quais São os Tipos de Aborto: Entenda as Diferenças Essenciais

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O tema do aborto é um assunto complexo, sensível e de grande importância social, ética e médica. No Brasil, a legislação sobre o aborto é restrita, e compreender os diferentes tipos existentes — além de suas diferenças, riscos e implicações — é fundamental para promover uma discussão informada e consciente. Neste artigo, abordaremos de forma detalhada os principais tipos de aborto, suas características, procedimentos e aspectos legais, para que você possa entender melhor essa realidade.

O que é aborto?

Aborto é a interrupção espontânea ou induzida da gestação antes do nascimento do bebê. Pode ocorrer de forma natural, sem intervenção médica, ou por meios médicos ou cirúrgicos. A seguir, descrevemos os principais tipos de aborto, suas classificações e diferenças essenciais.

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Tipos de aborto

Aborto espontâneo

O aborto espontâneo ocorre naturalmente, sem intervenção de terceiros, sendo responsável por 15% a 20% das gestações conhecidas. Geralmente acontece até a 20ª semana de gestação, antes de o embrião ou feto estar suficientemente desenvolvido para sobreviver fora do útero.

Causas do aborto espontâneo

As causas podem variar, incluindo fatores genéticos, problemas hormonais, infecções, fatores uterinos ou ambientais. Segundo a Society of Maternal-Fetal Medicine, "a maioria dos abortos espontâneos ocorre devido a anomalias genéticas que tornam inviável a continuidade da gestação."

Aborto induzido

O aborto induzido é aquele realizado de forma intencional, por decisão da gestante ou por indicação médica. Ele pode ser classificado de acordo com o momento e o método utilizado.

Classificação do aborto induzido

Tipo de abortoQuando ocorreMétodo utilizadoComentários
Aborto medicamentosoAté a 10ª semana de gestaçãoUso de medicamentos (misoprostol e mifepristona)Mais comum em clínicas e com supervisão médica
Aborto cirúrgicoApós a 10ª semana ou dependendo da situaçãoCuretagem uterina, aspiração ou curetagemPode ser realizado em diferentes etapas da gestação

Aborto medicamentoso

O aborto medicamentoso é um procedimento que utiliza medicamentos para interromper a gestação de forma não cirúrgica. Geralmente, é indicado até a 10ª semana de gestação.

Como funciona?

O procedimento envolve o uso do medicamento mifepristona, que bloqueia a ação da progesterona, e do misoprostol, que provoca contrações uterinas e expelir o conteúdo gestacional.

Vantagens e riscos

  • Vantagens: procedimento menos invasivo, realizado em casa sob orientação médica, menores riscos de complicações.
  • Riscos: sangramento intenso, dor, náusea, vômito e, em raros casos, complicações mais sérias.

Legislação no Brasil

Embora o aborto seja ilegal na maioria dos casos, o procedimento medicamentoso é permitido em situações específicas, como riscos à vida da gestante ou gravidez resultante de estupro, conforme a lei brasileira.

Aborto cirúrgico

O aborto cirúrgico é realizado por profissionais de saúde em ambientes clínicos ou hospitais. Pode ser utilizado em diferentes fases da gestação.

Procedimentos mais comuns

  • Curetagem ou raspagem uterina: realizado até algumas semanas de gestação, usando instrumentos para remover o conteúdo uterino.
  • Aspiração manual ou elétrica: mais comum em estágios iniciais.
  • Dilatação e curetagem (D&C): técnica mais utilizada nas fases iniciais, com auxílio de instrumentos cirúrgicos.

Quando o aborto cirúrgico é indicado?

  • Quando o aborto medicamentoso não foi eficaz.
  • Para gestações mais avançadas.
  • Quando há complicações ou risco à saúde da gestante.

Seguindo a legislação e a ética

No Brasil, o aborto cirúrgico é permitido em casos de gravidez resultante de estupro, risco à vida ou saúde da gestante, ou em casos de anencefalia do feto.

Aborto tardio e espontâneo

Aborto tardio

Ocorre após a 20ª semana de gestação. Geralmente, é mais dramático, pois envolve fetos mais desenvolvidos e maiores riscos à saúde.

Aborto espontâneo tardio

É uma perda gestacional após a 20ª semana, geralmente relacionada a problemas de saúde materna ou complicações fetais.

Diferenças essenciais entre os tipos de aborto

AspectoAborto espontâneoAborto induzido
OrigemNaturalPlanejada ou por indicação médica
Quando ocorreSem intervençãoCom intervenção médica ou cirúrgica
CausasGeneética, infecções, alterações uterinasDecisão materna, problemas de saúde, etc.
LegislaçãoNão requer legalidade específicaRegulada por leis, dependendo do caso
Risco à saúdeGeralmente menor, dependendo do casoVariável, maior em procedimentos cirúrgicos ou medicamentosos

Perguntas Frequentes

1. O aborto é legal no Brasil?

O aborto é permitido legalmente no Brasil apenas em três situações: quando há risco de vida para a gestante, em casos de estupro ou quando o feto apresenta anencefalia confirmada. Nos demais casos, é considerado crime.

2. Quais os riscos do aborto clandestino?

Aborto clandestino apresenta riscos graves, incluindo hemorragias, infecções, perfuração uterina, infertilidade e, em casos graves, risco de morte.

3. Como saber qual tipo de aborto tenho que fazer?

A definição do tipo de aborto depende da fase da gestação, condições de saúde da gestante e avaliação médica. É fundamental procurar um profissional de saúde qualificado.

4. Existem alternativas seguras para interrupção da gestação?

Sim, quando permitida por lei, procedimentos realizados por profissionais capacitados em clínicas ou hospitais oferecem maior segurança.

Conclusão

Entender os diferentes tipos de aborto — espontâneo, medicamentoso e cirúrgico — é vital para promover uma discussão mais consciente e informada sobre o tema. Cada tipo possui suas indicações, procedimentos, riscos e implicações legais, que devem ser considerados com responsabilidade. É fundamental que todas as decisões relacionadas à interrupção da gestação sejam feitas sob orientação de profissionais qualificados e respeitando a legislação vigente, sempre priorizando a saúde física e emocional da mulher.

“A informação é uma arma poderosa na luta por direitos e pela saúde das mulheres.” — Anônimo

Se você busca mais informações sobre o tema, consulte o site do Ministério da Saúde ou acesse Instituto Ideia Brasil para dados atualizados e apoio.

Referências

  1. Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Brasil (SGOB). Manual de Aborto Seguro. São Paulo: SGOB, 2020.
  2. Ministério da Saúde. Política Nacional de Assistência Integral à Saúde da Mulher. Brasília: Ministério da Saúde, 2018.
  3. WHO. Medical management of abortion. World Health Organization, 2012.

Este conteúdo tem o objetivo de informar e orientar, não substituindo aconselhamento médico profissional.