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Processos em Segredo de Justiça: Entenda Como Funcionam em 2025

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No sistema jurídico brasileiro, a transparência dos processos é um princípio fundamental. No entanto, existem situações em que o sigilo é requerido para proteger interesses específicos, como a privacidade das partes ou a segurança pública. Esses processos, que correm sob segredo de justiça, representam uma parcela importante do Judiciário. Em 2025, compreender como funcionam esses procedimentos é essencial tanto para profissionais do Direito quanto para cidadãos que desejam acompanhar o andamento de causas específicas. Neste artigo, exploraremos detalhadamente quais processos correm em segredo de justiça, suas justificativas, regras e limites, além de responder às dúvidas mais frequentes sobre o tema.

O que é segredo de justiça?

O segredo de justiça é uma medida restritiva de acesso às informações processuais, prevista na legislação brasileira, cujo objetivo é proteger a privacidade das partes, testemunhas ou interesses estatais sensíveis. Ao tramitar em segredo de justiça, o processo fica sob sigilo, e seu conteúdo não é acessível ao público e até mesmo a certos profissionais, dependendo do caso.

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Fundamento Legal do Segredo de Justiça

O principal dispositivo que regula o segredo de justiça no Brasil é o Código de Processo Civil (CPC), em seu artigo 189, que dispõe:

"O juiz poderá, de ofício ou a requerimento da parte, decretar segredo de justiça, para preservar a intimidade das partes ou por outro motivo relevante, assegurando-se o acesso às partes e seus representantes por seus procuradores."

Além disso, o Código Penal e a Lei nº 8.906/1994 (Estatuto da Advocacia e da OAB) também trazem dispositivos relativos à privacidade e sigilo de informações.

Quais processos correm em segredo de justiça?

Nem todos os processos podem tramitar sob segredo de justiça, mas há categorias específicas em que essa medida é obrigatória ou facultativa.

Categorias obrigatórias de segredo de justiça

Existem certos tipos de processos que, por força de lei, obrigatoriamente tramitam de forma sigilosa. Entre eles, destacam-se:

  • Processos que envolvem menores de idade quanto a questões de abuso, adoção ou proteção.
  • Processos que tratam de crimes sexuais ou violência doméstica, para proteger as vítimas.
  • Processos de investigação de crimes que envolvem segredos de Estado ou informações classificadas.
  • Processos de tutela de direitos de personalidade, como segredo de intimidade, honra ou vida privada.

Categorias facultativas de segredo de justiça

Além das obrigatórias, há processos em que o juiz pode determinar o segredo de justiça, a pedido de uma das partes ou de ofício, quando entender que há motivos relevantes, como:

  • Preservação da privacidade de crianças ou de vítimas.
  • Proteção de informações comerciais sigilosas.
  • Controle de questões sensíveis relacionadas à segurança nacional.

Como funciona o procedimento em processos sob segredo de justiça?

A decretação do segredo de justiça

A decretação ocorre geralmente na fase inicial do processo, mediante decisão do juiz, que pode ser motivada por requerimento das partes ou de ofício. A partir dessa decisão, diversas regras passam a valer:

AspectoComo funciona
Acesso às partesSomente as partes envolvidas e seus advogados têm acesso ao processo (com limites)
PublicidadeSuspensa; os atos processuais não são publicados ou divulgados publicamente
DocumentosDevem ser mantidos sob sigilo; cópias só podem ser fornecidas mediante autorização
Perícias e testemunhosPodem ocorrer em ambiente restrito, preservando o sigilo

Direitos das partes em processos secretos

As partes continuam tendo direito de ampla defesa e contraditório. Entretanto, sua privacidade é priorizada, o que justifica o sigilo. Além disso, o artigo 206 do CPC dispõe que todas as sessões e audiências relacionadas a processos secretos podem ocorrer em sessões fechadas, finalidade de garantir a confidencialidade.

Duração do segredo de justiça

O segredo de justiça pode ser decretado por tempo determinado ou indeterminado. Quando não há mais necessidade de sigilo, o juiz pode ordenar a suspensão da restrição, tornando o processo público novamente.

Justificativas e limites do segredo de justiça

Justificativas para o sigilo de processos

O segredo de justiça busca equilibrar a transparência e a proteção de interesses específicos. As principais razões incluem:

  • Proteção da privacidade e dignidade da pessoa humana.
  • Garantia de segurança às vítimas de crimes considerados graves.
  • Preservação de informações comerciais sensíveis.
  • Segurança nacional ou interesses públicos relevantes.

Limites estabelecidos pela legislação

Apesar da importância do sigilo, há limites a sua aplicação para evitar abusos ou manutenção indevida do segredo. Segundo o artigo 189 do CPC, o segredo de justiça deve ser decretado apenas quando há motivos relevantes. Além disso, o princípio constitucional da publicidade da justiça impede o segredo absoluto, salvo exceções previstas em lei.

"O segredo de justiça é uma exceção, não a regra; deve ser utilizado de forma fundamente e temporária." — cita-se aqui uma orientação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Casos específicos de processos sob segredo de justiça em 2025

Além dos casos tradicionais, novas categorias vêm sendo incluídas na jurisprudência e na legislação, como processos envolvendo crimes cibernéticos com elevado impacto social, ou investigações sobre fake news que possam afetar o interesse público.

Para aprofundar, confira o portal Justiça.gov.br e o Conjur, que oferecem análise atualizada sobre o tema.

Como acompanhar processos em segredo de justiça?

Apesar da restrição de acesso, há condições para que as partes ou seus advogados acompanhem o andamento processual, mediante autorização judicial ou por sua própria condição de partes. Em alguns casos, o próprio juiz pode liberar partes específicas ou profissionais designados para acessarem determinados documentos sob sigilo.

Perguntas Frequentes

1. Posso acessar um processo que está em segredo de justiça?

Acesso restrito às partes envolvidas e seus advogados. Outras pessoas não têm direito de consultar o processo.

2. Quanto tempo um processo pode correr sob segredo de justiça?

Depende da necessidade de sigilo. Pode ser por tempo determinado ou até a resolução da causa, após o que o processo pode ser tornado público.

3. O segredo de justiça impede que o processo seja publicado na mídia?

Sim. O procedimento deve ser mantido confidencial, exceto em casos autorizados judicialmente ou por legislação específica.

4. O segredo de justiça pode ser utilizado de forma abusiva?

Sim, quando decretado sem motivo relevante, pode configurar abuso de direito. Nesse caso, cabe recurso ou reclamação ao tribunal superior.

5. Como saber se um processo tramita em segredo de justiça?

Normalmente, essa informação aparece na consulta processual ou no andamento do processo no site do tribunal, indicando a tramitação sob sigilo.

Conclusão

Em 2025, compreender os processos que correm em segredo de justiça é fundamental para garantir a efetividade do direito à privacidade e à segurança, sem perder a transparência e o controle social sobre a Justiça. A legislação brasileira prevê e regula criteriosamente o sigilo processual, buscando equilibrar interesses conflitantes. No entanto, é importante que tribunais, advogados e partes respeitem os limites e as regras, evitando abusos que possam comprometer a credibilidade do sistema.

O segredo de justiça, portanto, não é uma ferramenta de ocultamento indiscriminado, mas uma medida excepcional e necessária para proteger valores fundamentais em situações específicas.

Referências

  • Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015)
  • Lei nº 8.906/1994 (Estatuto da Advocacia e da OAB)
  • Legislação sobre sigilo e segredo de justiça - Tribunal de Justiça de São Paulo
  • Supremo Tribunal Federal (STF) - Jurisprudência e pareceres

Para uma análise mais aprofundada, acesse os recursos oficiais do Poder Judiciário brasileiro: Justiça.gov.br e Conjur.