Livros Apócrifos da Bíblia: Guia Completo Sobre Textos Não Canônicos
Ao estudar os textos sagrados do Cristianismo, muitas pessoas se deparam com um universo de escrituras que, embora influentes, não fazem parte do cânon bíblico oficial. Esses textos, conhecidos como livros apócrifos, oferecem uma visão mais ampla da história, teologia e cultura do período em que foram escritos. Apesar de não serem considerados parte da Bíblia canônica pelas principais denominações cristãs, eles são de grande interesse para estudiosos, teólogos e fiéis. Este artigo busca esclarecer quais são esses livros, suas características, história de inclusão e exclusão do cânon bíblico, além de explorar o impacto e a relevância desses textos.
O que são os livros apócrifos da Bíblia?
Livros apócrifos são textos antigos que contam com uma grande variedade de narrativas, ensinamentos, profecias e histórias relacionadas ao judaísmo e ao cristianismo, porém não são reconhecidos oficialmente no cânon das Escrituras Sagradas pela maioria das tradições cristãs, como a Católica, Ortodoxa e Protestante.

Diferença entre livros apócrifos e pseudepígrafos
É importante distinguir entre livros apócrifos e pseudepígrafos. Enquanto os apócrifos são textos com uma origem e conteúdo relativamente robustos e muitas vezes incluídos em apêndices ou cátedras de algumas tradições religiosas, os pseudepígrafos são escritos falsamente atribuídos a figuras bíblicas, com menor credibilidade histórica.
Quais são os principais livros apócrifos da Bíblia?
| Livro | Origem e Período | Características principais | Status canônico |
|---|---|---|---|
| Evangelho de Tomé | Século II d.C. | Coletânea de ditos de Jesus, não narrativa | Não canônico, considerado gnóstico |
| Evangelho de Maria Madalena | Século II d.C. | Diálogo e ensinamentos atribuídos a Maria Madalena | Não canônico |
| Livro de Enoque | Século III a.C. – I d.C. | Apresenta visões celestiais, angélicas e apocalipses | Não canônico na maioria das tradições, canônico na Igreja Ortodoxa Etíope |
| Apocalipse de Pedro | Século II d.C. | Visões do céu e do inferno | Não canônico |
| As parábolas de Pseudo-Mateus | Século V d.C. | Decorações detalhadas das histórias de Jesus | Não canônico |
| Livro de Tobias | Século II a.C. | Narrativa de um jovem israelita e suas experiências com um anjo | Deuterocanônico na Igreja Católica e Ortodoxa; não canônico na tradição protestante |
| Livro de Judite | Século II a.C. | História de heroísmo feminina | Deuterocanônico na Igreja Católica e Ortodoxa; não na tradição protestante |
| Sabedoria de Salomão | Século I a.C. | Escritos de sabedoria e louvor à justiça | Deuterocanônico na Igreja Católica e Ortodoxa |
| Sirácida (Eclesiástico) | Século II a.C. | Conselhos de sabedoria para a vida | Deuterocanônico na Igreja Católica e Ortodoxa |
| Primeira e Segunda Macabeus | Séculos II a.C. | História da resistência judaica contra o helenismo | Deuterocanônicos para a Igreja Católica e Ortodoxa |
| Livro de Baruc | Século II a.C. | Profecias e orações relacionadas ao cativeiro babilônico | Deuterocanônico na Igreja Católica e Ortodoxa |
Observação: livros que variam de acordo com a tradição cristã
Algumas obras, como Enoque e Judite, possuem diferentes status dependendo da tradição religiosa. Por exemplo, na Igreja Ortodoxa Etíope, o Livro de Enoque é considerado canônico, enquanto na maioria das outras igrejas é considerado apócrifo.
História dos livros apócrifos na formação do cânon bíblico
A formação do cânon bíblico foi um processo complexo que variou ao longo do tempo e das regiões. Diversas comunidades religiosas usaram diferentes textos que refletiam suas crenças e necessidades espirituais. O Concílio de Trento, realizado na Igreja Católica no século XVI, oficializou a inclusão de certos textos deuterocanônicos ao quando do reconhecimento canônico, enquanto igrejas protestantes optaram por excluir esses livros.
Como os livros apócrifos chegaram até nós?
Muitos desses textos foram escritos em períodos de grande tumulto ou para fortalecer a fé e a esperança de comunidades judaicas e cristãs sob opressão. Alguns, como o Livro de Enoque, foram amplamente utilizados por grupos gnósticos, enquanto outros, como Tobias e Judite, foram inspiradores narrativos de heroísmo.
Por que alguns livros são considerados apócrifos?
A exclusão muitas vezes se dá por critérios de autoria, autenticidade, conteúdo ou alinhamento doutrinário. Os textos considerados heréticos ou com doutrina divergente do núcleo do cristianismo ortodoxo não entraram na lista oficial de livros sagrados.
A importância dos livros apócrifos hoje
Embora não façam parte do cânon, esses textos são fundamentais para compreender o contexto do judaísmo, do cristianismo primitivo, e a diversidade de interpretações e crenças ao longo dos séculos. Além disso, oferecem elementos valiosos para estudos históricos, teológicos e literários.
Para os interessados em aprofundar-se no tema, recomenda-se a leitura de obras como "Os Livros Perdidos da Bíblia", de David M. Carr, disponível na Amazon, ou acessar recursos na Biblioteca Digital de Manuscritos Antigos.
Perguntas frequentes sobre os livros apócrifos
1. Os livros apócrifos são considerados sagrados?
Depende da tradição. Para a Igreja Católica e Ortodoxa, alguns livros apócrifos, como Tobias e Judite, são considerados deuterocanônicos e, portanto, sagrados. Para protestantes, geralmente, esses textos não são reconhecidos como canônicos.
2. Os livros apócrifos podem ser considerados inspirados?
Algumas tradições podem considerá-los inspirados ou úteis para edificação, mas não como fontes de doutrina oficial.
3. Como os livros apócrifos influenciaram a fé cristã?
Eles fornecem narrativas, visões e ensinamentos que ajudaram a moldar a compreensão de temas como o céu, o inferno, a justiça, além de ilustrar a cultura do período.
4. Os livros apócrifos são recomendados para leitura?
Sim, especialmente para estudo histórico, teológico ou acadêmico. No entanto, para práticas de fé, deve-se seguir a orientação da tradição religiosa a que se pertence.
Conclusão
Os livros apócrifos representam uma riqueza de histórias, ensinamentos e tradições que desafiam a compreensão tradicional do cristianismo e judaísmo. Apesar de não serem considerados parte do cânon bíblico na maioria das denominações, oferecem uma visão valiosa do pensamento religioso, cultural e social dos períodos em que foram escritos. Seu estudo amplia o entendimento sobre as origens do texto bíblico e a diversidade de crenças que moldaram a fé cristã ao longo dos séculos.
Ao explorar esses textos, é importante compreender seu contexto histórico e sua relação com os livros canônicos, promovendo uma leitura crítica e enriquecedora.
Referências
- Carr, David M. Os Livros Perdidos da Bíblia. Editora Record, 2019.
- Charlesworth, James H. The Old Testament Pseudepigrapha & Apocrypha.
- Bíblia Almeida Revista e Atualizada. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil.
Se desejar aprofundar-se ainda mais, considere consultar fontes acadêmicas e obras especializadas na temática dos textos antigos e dos cânones bíblicos.
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