Vias Enterais: Como Funcionam e Quais São as Opções disponíveis
As vias enterais representam um conjunto de caminhos pelos quais medicamentos, nutrientes e outros agentes bioativos podem ser administrados através do trato gastrointestinal. Essas vias são essenciais para tratamentos médicos, nutrição clínica e estudos farmacológicos, pois oferecem diferentes opções para atingir o organismo de forma eficiente e segura. Compreender as vias enterais, suas funções, indicações e opções disponíveis é fundamental para profissionais da saúde, pacientes e pesquisadores. Este artigo abordará detalhadamente as principais vias enterais, seus mecanismos de funcionamento, vantagens, desvantagens e aplicações clínicas, além de responder às dúvidas mais frequentes sobre o tema.
O que são as vias enterais?
As vias enterais referem-se às rotas de administração de substâncias líquidos ou sólidos que envolvem o trato gastrointestinal. Elas constituem a via de entrada mais comum para medicamentos orais, nutrição enteral e pós-operatórios, bem como para estudos clínicos. O termo "enteral" deriva do grego enteron, que significa intestino, reforçando a conexão direta com o sistema gastrointestinal.

Segundo Silva et al. (2020), "as vias enterais proporcionam uma alternativa eficiente para administrar substâncias ao organismo, especialmente quando a via parenteral (injeções) não é adequada ou desejada." São preferidas por serem menos invasivas, mais convenientes e por oferecerem uma absorção natural dos compostos.
Como funcionam as vias enterais?
As vias enterais envolvem a passagem de medicamentos ou nutrientes pelo trato gastrointestinal, onde são sujeitos a processos de dissolução, absorção e metabolismo. O procedimento geralmente inclui as seguintes etapas:
- Ingestão: A substância é introduzida na boca (via oral), ou através de dispositivos específicos (sonda, tubo).
- Passagem pelo trato gastrointestinal: O conteúdo atravessa o estômago e intestinos, onde ocorre a dissolução do fármaco/nutriente e sua absorção através das mucosas.
- Entrada na circulação sanguínea: Após a absorção, a substância entra na circulação sistêmica para alcançar os tecidos-alvo.
- Metabolismo hepático de primeira passagem: Algumas substâncias sofrem metabolismo no fígado antes de atingir a circulação geral, o que pode influenciar sua eficácia.
Este processo é influenciado por fatores como viscosidade, pH gastrointestinal, motilidade intestinal, presença de alimentos e integridade do trato digestivo.
Quais são as principais vias enterais?
As opções de vias enterais podem variar conforme o método de administração e o paciente. A seguir, destacam-se as principais alternativas disponíveis:
1. Via Oral
A via oral é a mais comum e conveniente, utilizada na administração de medicamentos, vitaminas e suplementos alimentares.
2. Nutrição Enteral
Quando o paciente não consegue se alimentar por via oral, a nutrição enteral é uma alternativa que envolve o uso de sondas e tubos para fornecer nutrientes diretamente ao trato gastrointestinal.
3. Sondas e Tubos de Alimentação
São dispositivos que facilitam a administração de líquidos e nutrientes em pacientes com dificuldades de deglutição ou que precisam de suporte nutricional prolongado.
4. Enemas e Suppositories
Apesar de serem considerados rotas de administração retal, eles também fazem parte do espectro de vias enterais, especialmente para medicamentos de ação local ou de emergência.
Detalhamento das principais vias enterais
Via Oral
A via oral é a mais utilizada devido à sua praticidade e aceitabilidade. Via de administração preferida para uma grande variedade de medicamentos, suplementos e alimentos, ela apresenta algumas vantagens e desvantagens:
| Aspecto | Vantagens | Desvantagens |
|---|---|---|
| Facilidade de administração | Conforto, baixo custo, não invasiva | Absorção variável, efeito de primeiro passageiro hepático |
| Segurança | Geralmente segura | Pode não ser adequada em pacientes com dificuldades de digestão ou absorção |
Nutrição Enteral
A nutrição enteral é indicada para pacientes com habitat gastrointestinal funcional, mas incapazes de se alimentar adequadamente por via oral:
- Indicações:
- Disfagia severa
- Traumas cranioencefálicos
- Cirurgias que impeçam a deglutição
Coma ou perda de consciência
Dispositivos utilizados:
- Sonda nasogástrica
- Sonda nasoenteral
- Fórmulas nutricionais específicas para cada necessidade
Sondas e Tubos de Alimentação
Esses dispositivos garantem a condução de líquidos e nutrientes diretamente ao sistema digestivo:
| Tipo de sonda | Local de inserção | Indicação |
|---|---|---|
| Sonda nasogástrica | Estômago | Alimentação temporária, aspiração de secreções |
| Sonda nasoenteral | Intestino delgado | Nutrição de longo prazo |
| Gastrostomia / Jejunostomia | Estômago ou jejuno | Nutrição permanente ou quando a via nasal não é adequada |
Enemas e Suppositories
Destinados a administrar medicamentos de forma local ou de emergência, principalmente em casos de constipação ou febre.
Quais fatores influenciam a absorção pelas vias enterais?
A eficácia da administração enteral depende de diversos fatores:
- pH gastrointestinal: Pode alterar a solubilidade do princípio ativo.
- Motilidade intestinal: Alterações podem atrasar ou diminuir a absorção.
- Presença de alimentos: Pode retardar ou acelerar o trânsito e a absorção.
- Metabolismo de primeira passagem: O fígado pode metabolizar parcialmente os compostos antes que alcancem a circulação sistêmica.
- Estado da mucosa intestinal: Inflamações ou doenças podem prejudicar a absorção.
Perguntas frequentes (FAQs)
1. Quais são as vantagens das vias enterais em relação às parenterais?
As vias enterais são menos invasivas, mais econômicas e geralmente melhor toleradas pelo paciente. Além disso, preservam a função fisiológica do trato gastrointestinal, favorecendo a absorção natural e a manutenção da mucosa intestinal.
2. Em que casos a administração enteral não é recomendada?
Quando há obstruções intestinais, perfurações, hemorragias digestivas activas ou doenças graves que comprometam o funcionamento do trato gastrointestinal, a administração enteral pode representar riscos e deve ser evitada.
3. Como escolher a melhor via enteral para um paciente?
A decisão deve considerar fatores como condição clínica, capacidade de deglutição, estado da mucosa gastrointestinal, necessidade de suporte nutricional, preferência do paciente e risco de complicações.
4. Quais são os riscos associados às vias enterais?
Riscos incluem aspir ação pulmonar, obstrução do tubo, infecção, irritação da mucosa e alterações na velocidade de absorção.
5. Como melhorar a eficiência da administração enteral?
Observando fielmente as recomendações de uso, controlando fatores como velocidade de administração, pH do conteúdo, higiene do dispositivo e monitoramento contínuo do paciente.
Conclusão
As vias enterais desempenham um papel fundamental na administração de medicamentos e nutrientes, principalmente por serem menos invasivas e mais fisiológicas. Conhecer suas opções, mecanismos de funcionamento, vantagens e limitações é essencial para garantir a eficácia do tratamento e o bem-estar do paciente. A escolha adequada da via, considerando o estado clínico individual, é um passo crucial para o sucesso terapêutico.
A integração de tecnologias como sondas e fórmulas específicas permite uma abordagem mais personalizada, possibilitando melhorar a qualidade de vida de pacientes com diferentes necessidades.
Para aprofundar seus conhecimentos, consulte recursos especializados e atualizados, como o site da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE) e o artigo "Aspectos Práticos na Nutrição Enteral" disponível na plataforma SciELO.
Referências
- Silva, J. P., et al. (2020). Fundamentos de Farmacologia e Terapêutica. São Paulo: Editora Saúde.
- Souza, M. L., & Pereira, A. G. (2018). Nutrição enteral: indicações, dispositivos e manejo. Revista Brasileira de Nutrição Clínica, 13(2), 45-52.
- Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE). (2023). Guia para Nutrição Enteral e Parenteral. Disponível em: https://sbnpe.org.br
Palavras-chave
vias enterais, administração enteral, nutrição enteral, sonda de alimentação, medicamentos via oral, suporte nutricional
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