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Segurança do Paciente: Conheça as 6 Metas Internacionais Essenciais

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A segurança do paciente é um tema central na área da saúde, fundamental para garantir que os indivíduos recebam cuidados de qualidade, minimizando riscos e prevenindo danos durante o processo de atenção médica. Nos últimos anos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras entidades têm trabalhado ativamente para estabelecer padrões que promovam a segurança nos ambientes hospitalares e ambulatoriais, culminando na definição das Seis Metas Internacionais de Segurança do Paciente.

Neste artigo, abordaremos de forma detalhada cada uma dessas metas, sua importância e como profissionais e instituições podem implementá-las para transformar a assistência em saúde. Vamos também responder às dúvidas mais frequentes, oferecer recomendações práticas e referências para aprofundamento, promovendo uma leitura rica e informativa.

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Introdução

Segundo o relatório da OMS, até 10% dos pacientes hospitalized sofrem algum tipo de dano evitável relacionado ao cuidado de saúde. Essas estatísticas evidenciam a necessidade urgente de promover ações preventivas e estratégias de segurança eficazes. Como afirma Margaret Chan, ex-diretora-geral da OMS:
"A segurança do paciente deve ser uma prioridade global, pois todos merecem cuidados seguros e livres de riscos desnecessários."

Para alcançar esse objetivo, a implementação de metas internacionais específicas é essencial, dando norte às ações internacionais, nacionais e locais.

As Seis Metas Internacionais de Segurança do Paciente

Meta 1: Identificação Correta (Evitar Erros de Identificação)

Descrição:
Assegurar que cada paciente seja identificado de forma inequívoca em todas as etapas do cuidado, desde o diagnóstico até o tratamento e alta hospitalar.

Importância:
A identificação incorreta pode levar a procedimentos errados, administração de medicamentos inadequados e até cirurgias em pacientes errados, comprometendo a segurança.

Práticas recomendadas:
- Uso de pulseiras de identificação com dados precisos
- Verificação dupla de identidade antes de procedimentos
- Confirmação verbal e por escrito dos procedimentos e medicamentos

Meta 2: Melhoria na Comunicação (Comunicação Efetiva)

Descrição:
Garantir uma comunicação clara, completa e precisa entre os profissionais de saúde, pacientes e familiares.

Importância:
Falhas de comunicação estão relacionadas a erros médicos, omissões de informações e má compreensão de orientações, colocando o paciente em risco.

Práticas recomendadas:
- Uso de plataformas eletrônicas seguras
- Protocolos de comunicação estruturada, como SBAR (Situação, Background, Avaliação, Recomendação)
- Envolvimento dos pacientes na discussão de seu cuidado

Meta 3: Segurança na Utilização de Medicamentos

Descrição:
Reduzir o risco de erros relacionados ao uso de medicamentos, assegurando prescrição, dispensação e administração corretas.

Importância:
Erros na medicação podem causar reações adversas, toxicidade ou até fatalidades.

Práticas recomendadas:
- Prescrição eletrônica com checagem automática de interações
- Uso de listas de verificação de medicamentos (checklist)
- Educação de pacientes sobre seus medicamentos

Meta 4: Cirurgias Seguras

Descrição:
Garantir que as cirurgias sejam feitas na pessoa certa, no local correto e com o procedimento correto.

Importância:
Erros cirúrgicos, embora pouco frequentes, têm consequências devastadoras, e sua prevenção é prioridade.

Práticas recomendadas:
- Checklist cirúrgico padrão antes de iniciar o procedimento
- Marcação do local cirúrgico na pele do paciente, visível ao cirurgico
- Conferência de todos os passos críticos pela equipe médica

Meta 5: Controle de Infecções Associadas à Assistência à Saúde

Descrição:
Prevenir e controlar infecções relacionadas à assistência, incluindo infecções hospitalares, causas de alta morbidade e mortalidade.

Importância:
Infecções hospitalares aumentam custos, tempo de internação e risco de óbito.

Práticas recomendadas:
- Higiene das mãos rigorosa e a utilização de álcool em gel
- Uso adequado de equipamentos de proteção individual (EPIs)
- Protocolos de descontaminação e esterilização de materiais

Meta 6: Redução do Risco de Quedas e Lesões

Descrição:
Prevenir quedas e lesões, especialmente em idosos, dentro dos ambientes de assistência.

Importância:
Quedas podem gerar fraturas, complicações e prolongamento da recuperação.

Práticas recomendadas:
- Avaliação de risco de queda na admissão
- Uso de dispositivos de auxílio e sinalizações visuais
- Capacitação da equipe em cuidados de mobilidade segura

Tabela Resumo das Seis Metas Internacionais

MetaDescriçãoObjetivo PrincipalExemplos de Ações
1. Identificação CorretaEvitar erros na identificação dos pacientesGarantir que o paciente seja corretamente reconhecidoUso de pulseiras, confecção de fichas de identificação
2. Comunicação EfetivaMelhorar fluxo de informaçõesPromover comunicação clara entre equipe e pacienteProtocolos de comunicação, reuniões de equipe
3. Segurança na Utilização de MedicamentosReduzir erros na medicaçãoPrescrição, dispensação e administração corretasChecklists, educação do paciente
4. Cirurgias SegurasGarantir procedimentos corretosEvitar erros cirúrgicosChecklists cirúrgicos, marcação da área
5. Controle de InfecçõesPrevenir infecções hospitalaresReduzir transmissão de agentes patogênicosHigiene das mãos, uso de EPIs
6. Prevenção de QuedasEvitar lesões por quedasProteger os pacientes de acidentesAvaliações de risco, sinalizações

Como Implementar as Metas na Prática

Implementar essas metas exige um compromisso coletivo de equipes de saúde, instituições e políticas públicas. Algumas recomendações incluem:

  • Treinamento contínuo: capacitação de profissionais em protocolos de segurança;
  • Auditorias e monitoramento: acompanhamento regular se as ações estão sendo efetivas;
  • Engajamento do paciente: inclusão do paciente no cuidado, promovendo sua autonomia e compreensão;
  • Utilização de tecnologias: sistemas eletrônicos de gestão de riscos e registros digitais.

Para aprofundar-se na implementação de práticas seguras, visite o site da Joint Commission International e o Portal da Segurança do Paciente do Ministério da Saúde.

Perguntas Frequentes

1. Quais os principais benefícios de cumprir as metas internacionais de segurança do paciente?

Resposta:
A redução de erros médicos, maior satisfação dos pacientes, diminuição da morbidade e mortalidade, menor custo hospitalar e fortalecimento da confiança na assistência à saúde.

2. Como as instituições podem medir a eficácia na implementação dessas metas?

Resposta:
Através de indicadores de desempenho, auditorias internas, relatos de incidentes e pesquisas de satisfação dos pacientes.

3. Existem legislações específicas que obrigam a adoção dessas metas no Brasil?

Resposta:
Sim. A Portaria GM/MS nº 529/2013 do Ministério da Saúde estabelece diretrizes para a implementação de ações de segurança do paciente em unidades de saúde no Brasil.

Conclusão

A segurança do paciente é um compromisso de todos que atuam na área da saúde. As seis metas internacionais representam um padrão de referência para evitar erros, melhorar a qualidade do cuidado e proteger a vida dos pacientes. A implementação efetiva dessas metas exige esforço coletivo, investimento em capacitação, uso de tecnologia e uma cultura organizacional de segurança contínua.

Ao adotar práticas alinhadas às metas internacionais, profissionais e instituições de saúde contribuem para um sistema mais seguro, eficiente e humano, refletindo o verdadeiro propósito do cuidado em saúde: promover a vida com respeito e responsabilidade.

Referências

  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Segurança do Paciente: Guia Prático. Acesso em: 22 abr. 2024.
  • Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 529/2013. Disponível em: https://portalarquivos.saude.gov.br/
  • Joint Commission International. Patient Safety
  • World Health Organization. Safe Surgery Saves Lives (2008).

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