Formas de Relevo no Brasil: Conheça os principais tipos de relevo
A diversidade geográfica do Brasil é marcada por uma variedade impressionante de formas de relevo que moldaram a paisagem do país ao longo de milhões de anos. Desde planícies extensas até altíssimas cordilheiras, entender as principais formas de relevo no Brasil é fundamental para compreender sua geografia, clima, uso do solo e a distribuição de populações. Neste artigo, exploraremos as principais formas de relevo brasileiras, suas características, formação e a importância de cada uma para o desenvolvimento do país.
Introdução
A formação do relevo brasileiro é resultado de processos geológicos complexos, que envolveram tectônica de placas, atividades vulcânicas, erosões e sedimentações ao longo de eras. Essas forças naturais criaram a diversidade de relevo que hoje podemos observar, influenciando também a economia, cultura e modo de vida de suas populações.

Segundo o geógrafo Aziz Nacib Ab'Sáber, "O relevo é a expressão da história geológica de um território, reunindo suas formas e estruturas que carregam marcas do seu passado geológico". Com base nesse entendimento, podemos notar que o relevo brasileiro é uma verdadeira história contada pelas suas formas físicas.
Neste artigo, abordaremos de forma detalhada os principais tipos de relevo que constituem o território brasileiro, proporcionando uma compreensão ampla para estudantes, pesquisadores e interessados em geografia.
Quais são as principais formas de relevo no Brasil?
O relevo brasileiro pode ser organizado em várias categorias, porém, de forma geral, podemos dividi-lo entre:
- Planaltos
- Planícies
- Depressões
- Serras e cordilheiras
Cada uma dessas categorias apresenta características distintas e desempenha papel importante na ocupação e desenvolvimento do território nacional.
1. Planaltos
O que são os planaltos?
Os planaltos são áreas elevadas e extensas, geralmente com encostas suaves e altitudes variáveis. No Brasil, eles representam grande parte da sua superfície, formando regiões extensas de relevo elevado.
Principais planaltos brasileiros
| Nome do Relevo | Localização Principal | Altitude Média | Características |
|---|---|---|---|
| Planalto Central | Goiás, Tocantins, parte de Minas Gerais e do Distrito Federal | 800 a 1.200 m | Relevo de forma relativamente plana, com topos suaves e relevo de planalto. |
| Planalto da Borborema | Paraíba, Pernambuco, Ceará, Piauí | 300 a 600 m | Relevo de planalto com áreas de relevo mais acidentado em alguns trechos. |
| Planalto Atlântico | Região Sudeste e Leste de São Paulo e Rio de Janeiro | 300 a 600 m | Altitude moderada, com relevo de planalto costeiro e serras ao redor. |
| Planalto de Goiás | Goiás, parte do Tocantins e sul do estado de Minas Gerais | 700 a 1.000 m | Relevo de planalto com relevo relativamente plano, áreas de relevo ondulado. |
Formação: Os planaltos brasileiros se formaram devido a atividades tectônicas, erosões e deposições sedimentares ao longo do tempo geológico. São regiões que sofreram processos de soerguimento tectônico, criando elevações que se mantêm ao longo de vastas extensões terrestres.
Importância: Os planaltos são essenciais para a agricultura, urbanização e a presença de importantes recursos minerais. Além disso, grandes centros urbanos e capitais estão localizados em planaltos, por sua relativa estabilidade e facilidade de implantação.
2. Planícies
O que são as planícies?
As planícies são áreas de relevo muito plano, de baixa altitude, geralmente próximas ao nível do mar, que possuem pouca variação de relevo. Essas áreas podem ser resultado de sedimentação, submarinas ou de planícies de inundação.
Principais planícies brasileiras
| Nome da Relevo | Localização Principal | Extensão (km²) | Características |
|---|---|---|---|
| Planície Amazônica | Amazônia | 1,5 milhão km² | Maior planície do Brasil e do mundo, de relevo muito plano, com rios de planície e áreas de várzea. |
| Planície do Atlântico | Litoral brasileiro | Diversas regiões costeiras | Planícies costeiras com áreas de mangue, áreas de desembocadura de rios e terrenos de baixa altitude. |
| Planície do Pantanal | Mato Grosso do Sul e Mato Grosso | Aproximadamente 200 mil km² | Uma das maiores áreas de várzea do mundo, sujeito a cheias periódicas. |
Formação: As planícies brasileiras muitas vezes se formaram por sedimentação de materiais transportados por rios, processos deposicionais ou pela ação do mar e das marés ao longo do tempo.
Importância: As planícies são zonas de grande fertilidade, apropriadas à agricultura e à pecuária. Além disso, muitas áreas urbanas, incluindo metrópoles importantes, estão situadas em planícies devido à sua facilidade de expansão e acesso aos recursos hídricos.
3. Depressões
O que são as depressões?
As depressões são áreas de relevo mais baixas, muitas vezes cercadas por áreas elevadas. São formações onde há acúmulo de sedimentos ou processos de erosão. Algumas depressões brasileiras têm relevância histórica e econômica.
Principais depressões brasileiras
| Nome da Relevo | Localização Principal | Altitude (m) | Características |
|---|---|---|---|
| Depressão Sertaneja | Nordeste Brasileiro | 200 a 300 m | Área de relevo mais baixa no interior do Nordeste, com relevo semiárido. |
| Depressão Periférica do Paraná | Sul do Brasil | 100 a 300 m | Formação de áreas de planície e depressão sedimentar, com bacias hidrográficas. |
| Depressão do Pantanal | Mato Grosso do Sul e Mato Grosso | 100 m | Região de relevo baixo, com relevo de planície de inundação. |
Formação: Geralmente formaram-se por processos de erosão e sedimentação ao longo de milhões de anos. Algumas depressões também são resultado de processos tectônicos e de subsidência do solo.
Importância: As depressões apresentam grande potencial agrícola, especialmente na produção de culturas que se adaptam às suas condições de umidade ou semiárido.
4. Serras e Cordilheiras
O que são as serras e cordilheiras?
Serras e cordilheiras são relevos de relevo elevado com relevo acidentado e encostas pronunciadas. Essas formações geralmente ocorrem nas bordas de planos ou planaltos, formando cadeias montanhosas.
Principais serras e cordilheiras brasileiras
| Nome da Formação | Localização Principal | Altitude Máxima | Características |
|---|---|---|---|
| Serra do Mar | Sudeste do Brasil | 2.300 m (Pico do Marins) | Relevo de serra com relevo de encostas escarpadas, importante na formação do relevo costeiro. |
| Seras da Mantiqueira | Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro | 2.790 m (Pico da Mantiqueira) | Cadeia montanhosa de grande altitude, fonte de rios importantes. |
| Cordilheira dos Andes | Nordeste da Bolívia; em fronteira com o Brasil | 6.768 m (Monte Aconcágua) | Apesar de não estar no Brasil, influencia a formação da fronteira norte e região andina brasileira. |
| Serra do Espinhaço | Minas Gerais e Bahia | 1.524 m | Cadeia de serras que corta o centro-leste brasileiro, importante para o clima e a água. |
Formação: Essas formações resultaram de processos tectônicos e atividades de dobramento das rochas ao longo de milhões de anos, além de influências de processos de erosão.
Importância: São importantes fontes de recursos hídricos, biodiversidade, além de influenciarem o clima regional e serem destinos turísticos.
Como o relevo influencia o clima e a ocupação no Brasil?
O relevo brasileiro é fundamental na definição do clima das regiões, impactando na temperatura, precipitação e biomas. Por exemplo:
- As áreas de planalto, como o Planalto Central, apresentam clima mais seco e temperaturas menores.
- As planícies, especialmente a Amazônica, possuem clima equatorial quente e úmido.
- As regiões de serras e cordilheiras influenciam os padrões de circulação de ar e precipitação, além de marcarem limites naturais.
A ocupação humana também é fortemente influenciada pelo relevo: áreas planas facilitam a agricultura e a urbanização, enquanto regiões elevadas ou de relevo acidentado geralmente apresentam ocupações mais dispersas.
Perguntas frequentes (FAQ)
Quais as diferenças entre planalto, planície e depressão?
- Planaltos: áreas elevadas, geralmente extensas e de relevo relativamente plano ou ondulado.
- Planícies: áreas de relevo muito plano, de baixa altitude, próximas ao nível do mar.
- Depressões: áreas mais baixas, muitas vezes cercadas por áreas elevadas, com relevo de baixa altitude.
Quais formas de relevo são mais comuns no Brasil?
Os planaltos e planícies representam cerca de 80% do território brasileiro, enquanto as depressões e relevo de serras e cordilheiras ocupam áreas menores, porém de grande importância hidrológica e climática.
Como as formas de relevo influenciam a biodiversidade brasileira?
Cada forma de relevo oferece condições específicas de clima, solo e disponibilidade de água, criando biomas diversos — como Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal — cada qual com espécies adaptadas às suas condições.
Conclusão
O Brasil é um país de enorme diversidade geográfica, representada por diferentes formas de relevo que influenciam não só a sua paisagem, mas também suas atividades econômicas, clima e populações humanas. Conhecer essas formas é fundamental para compreender as particularidades de cada região e o desenvolvimento sustentável do território.
Como afirmou o geógrafo Aziz Nacib Ab'Sáber, "O relevo é a manifestação topográfica da história geológica de uma região, refletindo os processos longínquos que moldaram o mundo em que vivemos." Assim, o estudo das formas de relevo no Brasil é também uma maneira de entender a sua história e seu futuro.
Referências
- Ab'Sáber, Aziz Nacib. O Sedimentary no Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1987.
- IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Geociências. Disponível em: https://www.ibge.gov.br
- Escola de Geografia. Formas de relevo no Brasil. Disponível em: https://escoladegeografia.com
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