Prescrição no Código Penal: Entenda Como Funciona e Seus Prazos
A prescrição é um tema fundamental no direito penal brasileiro, pois trata do limite temporal para o Estado exercer seu direito de punir um indivíduo pelo cometimento de um crime. Quando o prazo de prescrição se esgota, o infrator não pode mais ser punido, o que garante segurança jurídica e impede processos intermináveis. Neste artigo, você irá entender detalhadamente como funciona a prescrição no Código Penal, quais são seus prazos, requisitos e particularidades.
Introdução
A prescrição é uma instituição jurídica que visa equilibrar o direito do Estado de punir quem cometeu um crime com o direito do indivíduo de não ficar indefinidamente sob ameaça de punição. Ela é uma garantia do sistema penal brasileiro, promovendo justiça e segurança jurídica ao limitar o tempo para que o Estado possa ajuizar ações penais ou executar penas.

Segundo o jurista DAMÁSIO DE JESUS, "a prescrição é o vencimento do direito de punir, por decurso do tempo, sem que haja iniciativa do Estado dentro do período legal."
Neste artigo, vamos explorar seus conceitos, tipos, prazos e implicações, além de responder às dúvidas mais comuns sobre o tema.
Como Funciona a Prescrição no Código Penal
Conceito de Prescrição
A prescrição, no direito penal, refere-se ao trance temporal após o qual o Estado perde o direito de punir um indivíduo por um delito cometido. Ela não extingue o crime em si, mas o direito de aplicar a pena, tornando o procedimento penal inviável após o prazo estipulado pela lei.
Fundamentos Legais
O principal dispositivo que trata da prescrição no Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940) é o Artigo 107, que determina os prazos para que o Estado possa punir alguém.
Art. 107. Prescreve:I - a ação Penitencial, após o transcurso do prazo fixado na lei, salvo quando interrompida ou suspensa;II - a pretensão punitiva, após o transcurso do prazo fixado na lei, contado: a) do dia em que o crime se consumou, vindo a saber a autoridade do fato, ou do dia em que iniciou a ação ou investigação; b) do dia em que o infrator deixou de se esconder do résido ou de se ocultar à autoridade, quando se tratar de crime tentado ou crime continuado. Prescrição e Penalidade
A prescrição não exclui o crime nem a sua autoria; ela apenas impede a punição se o período estabelecido pela lei for ultrapassado. Assim, o delito permanece cometido, mas não pode mais ser punido judicialmente após a prescrição.
Prazos de Prescrição no Código Penal
Tabela de Prazos de Prescrição
| Tipo de Crime | Prazo para Prescrição | Observações |
|---|---|---|
| Crimes cometidos com pena máxima de até 1 ano | ~ |
2 anos | || Crimes com pena superior a 1 ano e até 4 anos | 4 anos | Segundo o Art. 109, I || Crimes com pena superior a 4 anos e até 12 anos | 8 anos | Segundo o Art. 109, II || Crimes com pena acima de 12 anos | 16 anos | Segundo o Art. 109, III |
Obs.: Para crimes hediondos, o prazo de prescrição é maior, conforme previsão na Lei nº 8.072/1990.
Prazos na Prescrição de Ações Penais
A prescrição da ação penal pode variar dependendo do momento em que ela passa a correr, conforme o tipo de ação:
- Ação Penal Privada: o prazo começa a contar da consumação do fato e pode ser interrompido ou suspenso em determinados casos.
- Ação Penal Pública Incondicionada: inicia-se com o recebimento da denúncia ou queixa, podendo ser interrompida e suspensa.
- Ação Penal Pública Condicionada: depende do requerimento do interessado para início da ação.
Para compreender melhor, confira a tabela abaixo com os principais prazos relativos aos tipos de crimes:
| Categoria de Crime | Prazo de Prescrição | Base Legal |
|---|---|---|
| Crimes com pena até 1 ano | 2 anos | Art. 109, I |
| Crimes com pena de 1 a 4 anos | 4 anos | Art. 109, I |
| Crimes com pena de 4 a 12 anos | 8 anos | Art. 109, II |
| Crimes com pena superior a 12 anos | 16 anos | Art. 109, III |
Particularidades e Exceções
- Prescrição da pretensão punitiva: relacionada ao momento em que o Estado pode promover a ação penal.
- Prescrição da massa processual: refere-se ao limite do tempo para o julgamento da ação penal.
- A suspensão e interrupção: o prazo pode ser suspenso (ex. durante a prisão ou extinção da punibilidade) ou interrompido (ex. em caso de recurso).
Como a Prescrição É Calculada
O cálculo do prazo de prescrição leva em consideração fatores como a natureza do crime, a pena prevista, o momento do fato e o início da ação penal.
Fatores que Influenciam a Prescrição
- Natureza do crime (doloso ou culposo).
- Pena máxima prevista na lei.
- Possíveis causas de interrupção ou suspensão (exemplo: início de ações ou recursos).
- Reincidência ou agravantes.
Regras Gerais de Cálculo
Segundo o Artigo 110 do Código Penal, o prazo de prescrição começa a contar:
- A partir da data em que o crime foi cometido, se a ação penal ainda não foi iniciada.
- A partir do recebimento da denúncia, se a ação foi ajuizada.
Importante: Apesar do cálculo parecer simples, as particularidades de cada caso podem alterar o período de prescrição, motivo pelo qual a análise de um profissional especializado é fundamental.
Prescrição: Interrupção e Suspensão
Quando a Prescrição Pode Ser Interrompida?
A interrupção é uma parada definitiva no curso do prazo de prescrição, ocorrendo em casos como:
- Aceitação da denúncia ou queixa pelo juiz.
- Requerimento para início do procedimento.
- Denúncia oferecida pelo Ministério Público.
Quando a Prescrição Pode Ser Suspensa?
A suspensão implica na pausa temporária do prazo, podendo ocorrer em situações como:
- During a reinício do processo após uma suspensão, o prazo volta a correr do ponto em que parou.
- Durante o período de prisão preventida ou temporária.
Para melhor compreensão, veja a tabela a seguir:
| Tipo de evento | Efeito no Prazo de Prescrição | Exemplo |
|---|---|---|
| Interrupção | Parada definitiva; o prazo começa a correr novamente | Denúncia recebida pelo juiz |
| Suspensão | Pausa temporária; o prazo é retomado após o evento | Prisão preventiva |
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. A prescrição pode ser reivindicada pelo réu?
Sim. A prescrição é uma dúvida que pode ser levantada pelo réu ou seu advogado durante o processo, e o juiz deve declará-la de ofício se constatada.
2. A prescrição impede que o Estado reabra o caso futuramente?
Sim. Após o esgotamento do prazo de prescrição, o Estado não pode mais exercer seu direito de punir pelo mesmo fato.
3. Como a prescrição afeta crimes cometidos por menores de idade?
Crimes cometidos por menores de 18 anos seguem regras próprias, mas, em geral, os prazos de prescrição também se aplicam após a maioridade, dependendo do caso específico.
4. É possível interromper a prescrição?
Sim. Através de atos como denúncia, queixa ou recebimento da denúncia pelo juiz.
5. Quais são as diferenças entre prescrição e decadência?
Prescrição limita o direito de punir após certo tempo. Decadência refere-se ao limite de tempo para o exercício de direitos, como o de ação para adquirir algum bem ou direito.
Conclusão
A prescrição no Código Penal é um mecanismo de proteção do indivíduo contra punições indefinidas, garantindo segurança jurídica e estabilidade às relações sociais. Compreender seus prazos, causas de interrupção e suspensão é essencial para profissionais do direito, estudantes e cidadãos.
É importante lembrar que cada caso possui particularidades e nuances legais, sendo aconselhável buscar a orientação de um advogado especializado em direito penal para análise detalhada de situações específicas.
Para aprofundar seus estudos, recomenda-se consultar fontes confiáveis como o Portal do Ministério da Justiça e o site do Consultor Jurídico, que oferecem conteúdo atualizado sobre legislação penal e jurisprudência.
Referências
- Código Penal Brasileiro (Decreto-Lei nº 2.848/1940)
- DAMÁSIO DE JESUS. Direito Penal. 17ª edição. São Paulo: Saraiva, 2019.
- Lei nº 8.072/1990 – Lei dos Crimes Hediondos
- Portal do Ministério da Justiça: https://www.justica.gov.br/
- Consultor Jurídico: https://www.conjur.com.br/
Este artigo foi elaborado com o objetivo de esclarecer aspectos essenciais da prescrição no direito penal brasileiro, promovendo conhecimento fundamentado e atualizado.
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