Por que Retirar as Amígdalas: Entenda os Motivos e Benefícios
A cirurgia de remoção das amígdalas, conhecida como amigdalectomia, é um procedimento que ainda gera dúvidas e questionamentos na população. Muitas pessoas se perguntam se realmente é necessário retirar as amígdalas ou se a intervenção é uma medida extrema que deve ser reservada para casos mais graves. Este artigo tem como objetivo esclarecer os motivos pelos quais a retirada das amígdalas pode ser indicada, os benefícios do procedimento, e responder às perguntas mais frequentes sobre o tema.
Introdução
As amígdalas são órgãos linfáticos localizados na garganta, responsáveis por auxiliar na defesa do organismo contra infecções. No entanto, em algumas situações, elas podem causar mais problemas do que benefícios, levando à avaliação médica para uma possível remoção. Compreender os motivos para retirar as amígdalas é fundamental para tomar uma decisão informada e segura.

O que são as amigdalas?
As amígdalas, também conhecidas como tonsilas, são duas estruturas localizadas em cada lado da parte posterior da garganta. Elas fazem parte do sistema imunológico, ajudando a proteger o corpo contra bactérias e vírus que entram pela boca e nariz.
Funções das Amígdalas
- Defesa imunológica contra agentes infecciosos
- Produção de anticorpos
- Participação no desenvolvimento do sistema imunológico em crianças
Apesar dessas funções importantes, as amígdalas podem apresentar problemas que justificam sua retirada.
Motivos para retirar as amigdalas
A decisão de retirar as amigdalas não é tomada de forma leviana e pode ser recomendada por diversos motivos relacionados à saúde do paciente. A seguir, destacam-se os principais.
1. Amigdalite recorrente ou crônica
A amigdalite é uma inflamação das amígdalas causada por bactérias, vírus ou outros fatores. Quando ela ocorre de forma frequente ou persistente, pode causar desconforto, dor e complicações. A tabela abaixo exemplifica os critérios comuns para indicar a cirurgia:
| Critérios para Amigdalectomia |
|---|
| 7 ou mais episódios de amigdalite em um ano |
| 5 ou mais episódios por ano em dois anos consecutivos |
| 3 ou mais episódios por ano em três anos consecutivos |
| Presença de abscesso periamigdaliano recorrente |
| Complicações graves, como febre reumática ou glomerulonefrite |
2. Amigdalas aumentado (hipertrofia)
Amígdalas muito grandes podem obstruir a passagem de ar e dificultar a respiração, causando ronco, apneia do sono e problemas na fala. A hipertrofia das amigdalas é comum em crianças, mas também pode afetar adultos.
3. Complicações relacionadas à obstrução das vias aéreas
A insuficiência respiratória, especialmente durante o sono, pode ser sinal de que as amigdalas estão obstruindo as vias aéreas superiores. Isso pode levar à apneia do sono, uma condição que merece intervenção adequada.
4. Presença de abscessos (abscesso periamigdaliano)
Quando há formação de abscesso na região das amígdalas, pode ser necessária a retirada, sobretudo se ocorrerem episódios recorrentes ou complicações que colocam a saúde do paciente em risco.
5. Presença de tumores ou lesões
Embora raro, o crescimento de tumores na região das amígdalas é uma indicação de cirurgia, pois exige remoção para diagnóstico e tratamento adequado.
Benefícios da remoção das amígdalas
A cirurgia de amigdalectomia oferece diversos benefícios, especialmente na melhora da qualidade de vida do paciente. A seguir, destacam-se os principais.
1. Redução de infecções recorrentes
A circulação episódica de amigdalite diminui, levando a uma melhora significativa na saúde geral e na frequência de infecções.
2. Melhora na qualidade do sono
A remoção das amígdalas ajuda a aliviar a obstrução das vias aéreas, contribuindo para noites de sono mais tranquilas e sem interrupções por ronco ou apneia.
3. Alívio de sintomas relacionados à hipertrofia
Crianças e adultos com amígdalas hipertróficas apresentam dificuldades respiratórias e de fala, que podem ser resolvidas após a cirurgia.
4. Prevenção de complicações graves
Em casos de abscessos recorrentes ou tumores, a retirada das amígdalas se torna uma medida preventiva contra complicações potencialmente sérias.
Procedimento de amigdalectomia
A amigdalectomia é um procedimento cirúrgico realizado sob anestesia geral, com duração de aproximadamente 30 a 60 minutos. Após a cirurgia, há um período de recuperação que geralmente dura de 7 a 14 dias, durante o qual o paciente pode sentir dor na garganta, sensação de queimação, e precisar de repouso e cuidados especiais.
Cuidados pós-operatórios
- Dieta líquida ou pastosa
- Analgésicos conforme prescrição médica
- Evitar alimentos picantes, quentes ou duros
- Manter repouso adequado
- Consultar o médico em caso de sangramento ou febre persistente
Quando procurar um especialista?
A decisão de realizar a cirurgia deve ser feita por um otorrinolaringologista após avaliação clínica detalhada. Caso apresente sintomas como:
- Dor de garganta frequente
- Ronco ou apneia do sono
- Obstrução respiratória
- Presença de abscessos
Procure um especialista para uma orientação adequada.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. A retirada das amígdalas é sempre necessária?
Não. A cirurgia é indicada em casos específicos, como amigdalite recorrente, hipertrofia significativa ou complicações relacionadas.
2. Existe risco na cirurgia de amigdalectomia?
Como qualquer procedimento cirúrgico, há riscos, incluindo sangramento, infecção e reações à anestesia. Porém, quando realizado por profissionais qualificados, é considerado seguro.
3. Quanto tempo leva para se recuperar?
A recuperação geralmente dura de 7 a 14 dias, com cuidados especiais no período pós-operatório.
4. A retirada das amígdalas impede que o paciente tenha infecções na garganta?
Ela reduz significativamente a incidência de amigdalites recorrentes, mas não impede todas as infecções respiratórias.
5. Pode fazer a cirurgia de amigdalas em adultos?
Sim, adultos também podem se submeter à amigdalectomia quando recomendada, especialmente em casos de hipertrofia ou complicações crônicas.
Conclusão
A retirada das amígdalas, ou amigdalectomia, é uma intervenção indicada em determinadas situações para melhorar a saúde e qualidade de vida do paciente. Seja para tratar amigdalite recorrente, queda na obstrução das vias aéreas ou outros problemas relacionados, a decisão deve ser sempre orientada por um especialista em otorrinolaringologia. Afinal, compreender os motivos, benefícios e cuidados envolvidos é fundamental para garantir um procedimento seguro e eficaz.
Referências
- Ministério da Saúde. Protocolo de assistência à saúde na amigdalite crônica. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
- Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. Guia para amigdalectomia. 2022.
- Arhant, C. et al. “Indicações e técnicas cirúrgicas em amigdalectomia.” Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, vol. 85, nº 3, 2019.
Links externos relevantes
- Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (SBORL-CCF)
- Ministério da Saúde - Guia de Saúde Bucal e Garganta
Lembre-se sempre de consultar um otorrinolaringologista para avaliação individualizada e orientação adequada.
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