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Por que a Igreja Apoiou as Navegações: Motivação Histórica e Religiosa

Artigos

As grandes navegações, realizadas principalmente durante os séculos XV e XVI, marcaram um período de intensas transformações na história mundial. Desde a exploração das novas terras até a expansão marítima, esses eventos tiveram um papel fundamental na formação do mundo moderno. Um aspecto muitas vezes surpreendente é o envolvimento ativo da Igreja Católica nesse processo, apoiando as expedições marítimas e incentivando a exploração de novas rotas e terras.

Este artigo busca explorar as razões pelas quais a Igreja apoiou as navegações, abordando aspectos históricos, religiosos e políticos, além de compreender a motivação por trás do incentivo às descobertas marítimas. Analisaremos também as contribuições e consequências desse apoio e como a religião influenciou as ações dos navegadores e reis naquele período.

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Razões Históricas para o Apoio da Igreja às Navegações

O papel da Igreja na União da Europa

Durante a Idade Média, a Igreja Católica foi uma das instituições mais influentes do velho continente. Sua posição de liderança na sociedade europeia denunciava uma forte interação entre religião, poder político e interesses econômicos. A Igreja via nas navegações uma oportunidade de ampliar seus domínios, fortalecer o cristianismo e consolidar seu poder global.

Expansão do Cristianismo como Motivação

Um dos principais objetivos do apoio às navegações foi o desejo de evangelizar os povos considerados "não cristãos". A Igreja via a expansão colonial como uma missão divina, uma oportunidade de propagar o evangelho e salvar almas. Assim, todo sucesso nas explorações marítimas era visto como uma missão sagrada.

A Busca por Novas Rotas Comerciais

Antes das grandes navegações, as rotas comerciais entre a Europa, a Ásia e a África eram controladas por poderes muçulmanos e asiáticos. A Igreja incentivou a busca por novas rotas para diminuir a dependência desses intermediários, o que também fortaleceria a influência da Igreja e dos reinos cristãos.

Motivação Econômica e Político-Religiosa

O crescimento econômico europeu, com o aumento do comércio e do capitalismo, motivou reinos e países a investirem em expedições marítimas. O apoio da Igreja era fundamental para legitimar essas ações, consolidando uma aliança entre os interesses espirituais e materiais.

Motivação Religiosa na Fundamentação das Navegações

A Doutrina da Expansão Cristã

Segundo a visão teológica da época, a humanidade deveria propagar a fé cristã por todos os cantos do mundo. A exploração de novas terras era interpretada como uma missão divina, alinhada ao ensinamento de que a Igreja deveria conquistar o mundo para Cristo.

A Carta de Nicolau de Cusa e as Orientações Religiosas

Para entender a motivação religiosa, é importante citar a influência de teólogos como Nicolau de Cusa, que defendiam a expansão do cristianismo como uma missão sagrada. As navegações eram vistas como cumprimento de um destino divino tanto de salvação quanto de expansão da fé.

A Motivação do Papado e os Papas

Papas como Alexandre VI, que negociou o Tratado de Tordesilhas, apoiaram as expedições marítimas sob a justificativa de propagar o cristianismo e dividir as novas terras entre as nações católicas. Essas ações demonstram como a Igreja via as navegações como uma missão religiosa de grande importância.

A Influência da Igreja na Exploração Marítima

Apoio Logístico e Espiritual

A Igreja forneceu apoio logístico, como a criação de orações e missas pelos navegadores, além de oferecer orientações espirituais para enfrentarem os perigos do mar. A oração tornou-se parte integrante da preparação para as viagens.

Incentivo ao Uso de Mapas Religiosos

Mestres de navegação e cartógrafos da época utilizavam mapas que tinham simbolismos religiosos, como imagens de santos padroeiros e referências bíblicas. Assim, as navegações eram vistas também como uma missão sagrada que envolvia fé.

Estabelecimento de Santos Padroeiros dos Navegantes

Santos como São Nicolau e Santa Bárbara se tornaram protectores dos navegantes, refletindo a tentativa da Igreja de ligar a aventura marítima à proteção divina.

Tabela: Influência da Igreja nas Grandes Navegações

AspectoComo a Igreja ApoioImpacto
Apoio espiritualOrações, missas, santos padroeirosMaior confiança e coragem
Legitimidade das viagensPapas sancionaram expediçõesAumento de recursos públicos e privados
Propagação do cristianismoMissões, cruzadasEvangelização e colonização
Uso de mapas religiososMapas com referências bíblicasGuia espiritual na navegação
Apoio político e econômicoTratados papais e patrocíniosFacilitação das descobertas

Por que a Igreja apoiou as navegações?

Apoiando as navegações, a Igreja buscava ampliar sua influência religiosa e territorial, financiar missões de evangelização, consolidar alianças políticas e preservar o poder econômico. Além disso, a crença de que estava cumprindo uma missão divina motivava a Igreja a incentivar essas explorações marítimas, impulsionando o mundo a descobrir novas terras sob o preceito da evangelização.

Perguntas Frequentes

1. A Igreja tinha interesse apenas religioso nas navegações?

Não, além do interesse religioso, a Igreja também buscava fortalecer seu poder político e expandir sua influência econômica e territorial. A evangelização servia de justificativa moral para as ações de exploração e colonização.

2. Como a Igreja influenciou a obtenção de recursos para as navegações?

A Igreja, através do patrocínio de papas, reinos e reis, concedeu privilégios, isenções fiscais e apoio logístico. Além disso, incentivou a formação de fundos e doações para apoiar as expedições.

3. Qual a importância do apoio religioso na coragem dos navegantes?

O apoio espiritual reforçava a fé dos navegantes, proporcionando força diante dos perigos do mar. Orações, missas e santos padroeiros criaram um ambiente de esperança e segurança espiritual.

4. Como a navegação foi vista na perspectiva religiosa na época?

Era considerada uma missão sagrada, uma oportunidade de cumprir o dever cristão de evangelização e de expandir o Reino de Deus pelo mundo.

Conclusão

A relação entre a Igreja e as navegações é marcada por uma combinação de interesses religiosos, políticos e econômicos. A Igreja apoiou as expedições marítimas como uma forma de propagar a fé cristã, ampliar seus domínios e legitimar a exploração de novas terras. Essa cooperação resultou na expansão territorial, na disseminação do cristianismo e na construção de uma nova visão de mundo, que perdura até os dias atuais.

Seus motivos vão além de uma simples adesão à aventura, refletindo uma estratégia de globalização religiosa e política fundamentada na crença de que estava cumprindo um mandato divino. Como afirmou o Papa Leão X, em 1517, “A Igreja vê na exploração do mundo uma extensão de sua missão sagrada de salvar almas”.

Referências

  • BAHIAN, Antonio. A história das navegações. São Paulo: Editora Atual, 2010.
  • CASTRO, Celso. Cristianismo e as Grandes Explorações Náuticas. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.
  • FAIRCHILD, David. O Papel da Igreja nas Descobertas. Universidade de São Paulo, 2014. Link externo.
  • OLIVEIRA, Marcos. História das Navegações Portuguesas. Rio de Janeiro: Bertrand, 2011.

Este artigo foi desenvolvido para fornecer uma compreensão aprofundada do papel da Igreja nas navegações, destacando a motivação religiosa e histórica por trás dessas grandes aventuras marítimas.