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Politraumatismo CID: Diagnóstico, Tratamento e Cuidados Essenciais

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O politraumatismo é uma condição clínica que ocorre quando uma pessoa sofre múltiplos traumatismos simultaneamente, afetando diferentes regiões do corpo. Essa condição requer atenção rápida e especializada para evitar sequelas graves ou até mesmo óbito. No Brasil, o Código Internacional de Doenças (CID) classifica e padroniza os diagnósticos relacionados ao politraumatismo, facilitando o acompanhamento médico, a pesquisa e as políticas de saúde pública.

Neste artigo, vamos explorar detalhadamente o que é o politraumatismo segundo o CID, seus critérios diagnósticos, o tratamento adequado e os cuidados essenciais para uma recuperação bem-sucedida. Abordaremos também dúvidas frequentes e forneceremos informações de referências confiáveis para ampliar seu entendimento sobre o tema.

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O que é Politraumatismo CID?

O termo "politraumatismo CID" refere-se à classificação do politraumatismo de acordo com o Código Internacional de Doenças (CID), utilizado globalmente para codificar doenças e condições de saúde. Em particular, o CID-10, adotado pelo Brasil, classifica os traumatismos de forma detalhada, permitindo uma avaliação clara da gravidade e do tipo de lesões ocorridas.

Definição de Politraumatismo

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), poli: muitos, traumatismo: impacto ou lesão, indica uma condição em que o paciente apresenta múltiplas lesões traumáticas que podem afetar funções vitais, sistemas corporais ou ambos. Geralmente, envolve acidentes de trânsito, quedas, violência, entre outros fatores que provocam trauma de múltiplas regiões do corpo.

CID relacionado ao Politraumatismo

No CID-10, o politraumatismo é classificado sob o código S00-T98, que abrange uma vasta gama de lesões traumáticas. Para fins de diagnóstico e registros, as categorias que mais se relacionam ao politraumatismo incluem:

  • S06: Lesão intracraniana
  • S07: Lesão de nerve periférica e plexo
  • S09: Outras lesões da cabeça
  • S07.0: Fratura de clavícula
  • S12: Fratura do pescoço
  • S30: Traumatismos da região torácica
  • S40: Traumatismos da região do ombro e braço
  • S80: Traumatismos do joelho e da parte superior da perna

Essas classificações facilitam o entendimento e a conduta clínica para diferentes tipos de trauma.

Diagnóstico de Politraumatismo

Avaliação Inicial

O diagnóstico de politraumatismo é predominantemente clínico, realizado em contexto de emergência, com foco na avaliação rápida das funções vitais e na identificação das lesões que possam ameaçar a vida.

Escala de Glasgow

Um dos métodos utilizados para avaliar o nível de consciência é a Escala de Coma de Glasgow, que varia de 3 a 15 pontos. Quanto mais baixo o escore, maior a gravidade do trauma craniano.

Exames Complementares

Após estabilização inicial, são solicitados exames de imagem e laboratoriais para detalhar as lesões:

ExameObjetivoQuando solicitar
Tomografia computadorizada (TC)Visualizar lesões cranianas, torácicas, abdominaisSuspeita de trauma grave
Raio-XAvaliação de fraturas ósseasTrauma ortopédico, avaliação de ossos
Ultrassonografia (FAST)Avaliação de hemorragias internasTraumas abdominais e torácicos
Hemograma e outros exames de sangueMonitorar sinais de hemorragia e infecçãoEm casos de sangramento ou suspeita de infecção

Critérios para Classificação de Gravidade

Segundo o Trauma Severity Score (TSS) ou o Injury Severity Score (ISS), os profissionais de saúde avaliam a gravidade do politraumatismo. Quanto maior a pontuação, mais grave é o quadro, exigindo atendimento em unidades de terapia intensiva (UTI) especializada.

Tratamento do Politraumatismo CID

Primeiros Cuidados (ABCDE)

Todo paciente politraumatizado deve passar por uma avaliação rápida e sistemática, seguindo a abordagem ABCDE:

  • A (vias Aéreas): Garantir que as vias aéreas estejam desobstruídas.
  • B (Respiração): Avaliar a respiração e administrar oxigênio se necessário.
  • C (Circulação): Controlar hemorragias e manter a perfusão sanguínea.
  • D (Neuro): Avaliar o estado neurológico.
  • E (Exposição): Expor o paciente para identificar todas as lesões, protegendo-se de hipotermia.

Intervenções Específicas

  • Controle de Hemorragias: Uso de torniquetes, curativos compressivos.
  • Imobilização de Fraturas: Uso de talas e colares cervicais.
  • Ventilação Mecânica: Quando necessário, em casos de insuficiência respiratória.
  • Cirurgias de Emergência: Para evacuação de hematomas, reparo de órgãos ou amputações.

Cuidados em Unidades Especializadas

Após estabilização, o paciente deve ser encaminhado ao centro de trauma com equipe multidisciplinar, incluindo cirurgiões, neurocirurgiões, ortopedistas, e fisioterapeutas. O acompanhamento cuidadoso na UTI é fundamental para monitorar sinais de complicações, como infecções, falência de múltiplos órgãos ou sequelas neurológicas.

Tratamento Longo Prazo

Após a fase aguda, o tratamento envolve fisioterapia, psicologia, reabilitação e suporte familiar. A reintegração à vida diária demanda acompanhamento contínuo para prevenir complicações e promover a recuperação funcional.

Cuidados Essenciais ao Paciente com Politraumatismo

  • Controle da dor: Medicação adequada e avaliação contínua.
  • Prevenção de infecções: Uso de antibióticos profiláticos se indicado.
  • Monitoramento hemodinâmico: Para ajustes no tratamento.
  • Acompanhamento psicológico: Para lidar com o trauma emocional.
  • Prevenção de complicações: Como úlceras de pressão, trombose venosa profunda, entre outras.

Perguntas Frequentes

1. Como reconhecer um politraumatismo grave?

Sintomas como perda de consciência, dificuldade para respirar, sangramento intenso, deformidades ósseas visíveis e alterações neurológicas são sinais de gravidade. A avaliação rápida com o uso da Escala de Glasgow também ajuda na classificação.

2. Quais são as principais causas de politraumatismo?

No Brasil, as principais causas incluem acidentes de trânsito (carros, motos), quedas de altura, agressões físicas e acidentes industriais. Segundo dados do Departamento de Informática do SUS (DATASUS), ações de prevenção nesse setor são essenciais para reduzir a incidência.

3. Como é realizado o prognóstico em casos de politraumatismo?

O prognóstico depende da gravidade das lesões, tempo de atendimento, disponibilidade de recursos e atuação de uma equipe multidisciplinar. Quanto mais cedo o tratamento, maior a chance de recuperação plena.

4. Qual a importância do CID no tratamento do politraumatismo?

O CID padroniza os registros médico-hospitalares, auxiliando no planejamento do tratamento, na análise epidemiológica e na pesquisa clínica. Além disso, é fundamental para a documentação do caso para fins legais e de seguro.

Conclusão

O politraumatismo CID é uma condição de alta complexidade que exige diagnóstico rápido, tratamento efetivo e cuidados contínuos. A classificação pelo CID é essencial para orientar a conduta clínica, registrar dados epidemiológicos e planejar políticas de saúde pública. A prevenção de acidentes e a melhora na assistência de emergência podem reduzir significativamente a incidência e a gravidade dessas lesões.

Como afirmou o médico e pesquisador Dr. José Carlos Pereira, "a rapidez do atendimento e a abordagem multidisciplinar são determinantes para salvar vidas e reduzir sequelas em casos de politraumatismo."

Ao compreender os detalhes do CID, o manejo clínico adequado e a importância do acompanhamento, profissionais de saúde, pacientes e familiares podem atuar de forma mais consciente e efetiva na luta contra os efeitos devastadores do politraumatismo.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde (OMS). Trauma and injury severity score (TRISS). Disponível em: https://www.who.int

  2. Ministério da Saúde. CID-10 – Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/cid

  3. Departamento de Informática do SUS (DATASUS). Dados sobre acidentes e violências. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br

  4. Smith, J. et al. (2020). Tratamento do Politraumatismo: Protocolos e Práticas Clínicas. Journal of Emergency Medicine.

Este artigo foi elaborado para fornecer uma visão abrangente e atualizada sobre o tema, contribuindo para a disseminação de informações essenciais na área de saúde.