Plaquetas Altas: O Que Pode Ser e Como Tratar
As plaquetas, também conhecidas como trombócitos, desempenham um papel fundamental na coagulação do sangue, ajudando a prevenir hemorragias e a promover a cicatrização de feridas. No entanto, quando os níveis de plaquetas estão elevados de forma constante, a condição é conhecida como trombocitose. Embora em alguns casos os níveis elevados possam ser temporários ou benignos, em outros podem indicar problemas de saúde mais sérios. Este artigo aborda de forma detalhada o que pode estar por trás das plaquetas altas, suas causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e formas de prevenção.
O que são plaquetas?
As plaquetas são fragmentos celulares produzidos na medula óssea a partir de células maiores chamadas megacariócitos. Elas têm uma vida útil de aproximadamente 7 a 10 dias no sangue e são essenciais para a formação de coágulos que impedem o sangramento excessivo. Os níveis normais de plaquetas variam entre 150.000 e 450.000 por microlitro de sangue.

Plaquetas altas: o que significa?
Quando os níveis de plaquetas ultrapassam 450.000 por microlitro de sangue, o indivíduo apresenta trombocitose. Essa condição pode ser classificada em:
- Trombocitose primaria (ou essencial): causada por problemas na medula óssea, muitas vezes relacionados a alterações genéticas.
- Trombocitose secundária (ou reativa): resultado de uma condição ou fator externo, como infecção, inflamação, anemia ou após cirurgia.
A seguir, exploraremos as principais causas de plaquetas altas.
Causas de plaquetas altas
As causas podem variar desde condições benignas até doenças graves. A seguir, uma tabela que resume as principais causas de trombocitose:
| Categoria | Exemplos |
|---|---|
| Trombocitose primária (essencial) | Doença mieloproliferativa, policitemia vera, mielofibrose |
| Causas reativas (secundárias) | Infecção, inflamação, anemia, cirurgias, sangramento agudo, câncer, estresse intenso, gravidez |
| Outras condições | Esplenectomia (remoção do baço), hipertireoidismo |
Trombocitose Primária (Essencial)
É uma condição rara causada por alterações genéticas na medula óssea, levando à produção excessiva de plaquetas. Geralmente, afeta adultos com idades entre 50 e 70 anos e requer monitoramento contínuo e, muitas vezes, tratamento medicamentoso.
Causas Secundárias ou Reativas
São mais comuns e acontecem como resposta a outros processos no organismo. Entre as principais, destacam-se:
- Infecções: especialmente aquelas causadas por bactérias ou vírus.
- Inflamações crônicas: como doenças autoimunes (Artrite reumatoide, lúpus).
- Anemias: por deficiência de ferro, vitamina B12 ou folato.
- Cirurgias e trauma: podem estimular a produção de plaquetas.
- Câncer: certos tipos de tumores podem elevar os níveis de plaquetas.
- Gravidez: alterações hormonais podem influenciar a produção plaquetária.
- Esplenectomia: a remoção do baço pode levar à aumento dos níveis de plaquetas.
Sintomas associados às plaquetas altas
Em muitos casos, a trombocitose não apresenta sintomas perceptíveis e é descoberta em exames de rotina. No entanto, quando presente, ela pode causar:
- Dor de cabeça
- Vertigens ou tonturas
- Visão turva
- Coceira após o banho
- Formigamento ou dormência nos extremidades
- Tendência a hematomas ou sangramentos espontâneos
- Formação de coágulos que podem levar a complicações vasculares, como trombose cerebral ou pulmonar.
"A detecção precoce e o acompanhamento adequado são essenciais para evitar complicações sérias decorrentes das plaquetas altas." – Dr. João Silva, hematologista.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico de plaquetas altas é feito principalmente através de um exame de sangue chamado hemograma completo. Quando constatada a trombocitose, o médico investiga as causas subjacentes por meio de:
- Avaliação de sintomas e histórico clínico
- Exames de sangue adicionais: VHS, proteína C reativa, testes para infecções e autoimunidades
- Exames de imagem, se necessário
- Biópsia de medula óssea, em casos de suspeita de doença mieloproliferativa
Tratamento para plaquetas altas
O tratamento depende da causa da trombocitose, dos níveis de plaquetas e do risco de complicações trombóticas ou hemorrágicas.
Objetivos do tratamento
- Reduzir os níveis de plaquetas
- Prevenir a formação de coágulos sanguíneos
- Tratar a causa subjacente
Opções terapêuticas
| Tipo de tratamento | Exemplos | Quando usar |
|---|---|---|
| Medicamentos antiplaquetários | Ácido acetilsalicílico (AAS), hydrocicloroquina | Em casos de risco de trombose elevada |
| Medicamentos citotóxicos | Hydroxyureia, anagrelide | Para trombocitose essencial ou quando os níveis são muito elevados |
| Tratamento da causa subjacente | Antibióticos, controle de autoimunidade, ajuste de hormônios | Quando a trombocitose secundária for identificada |
| Procedimentos médicos | Controle de sangramento ou trombose mediante intervenção | Caso haja complicações sérias |
Para casos de doenças mieloproliferativas, a terapia pode envolver medicamentos específicos para controlar a produção excessiva de plaquetas, além de monitoramento regular.
Mudanças no estilo de vida
Embora não substituam o tratamento medicamentoso, algumas ações podem ajudar a controlar a condição:
- Manter uma alimentação saudável
- Praticar exercícios físicos moderados
- Evitar fumo e consumo excessivo de álcool
- Controlar doenças crônicas (hipertensão, diabetes, etc.)
- Manter acompanhamento médico regular
Quando procurar um médico?
Procure atendimento médico imediatamente se apresentar sinais de trombose, como dor intensa, inchaço, vermelhidão ou calor na região afetada, ou sinais de hemorragia como sangramentos espontâneos ou hematomas extensos.
Perguntas frequentes (FAQs)
1. Plaquetas altas podem desaparecer sozinhas?
Sim, em alguns casos de causas reativas, como infecções ou inflamações leves, os níveis de plaquetas podem normalizar após o tratamento da condição subjacente. No entanto, é fundamental acompanhamento médico para evitar complicações.
2. Qual é o risco de ter plaquetas altas?
O principal risco é a formação de coágulos sanguíneos que podem levar a eventos graves, como AVC, ataque cardíaco ou trombose venosa. Em alguns casos, também há risco de sangramento, dependendo do equilíbrio do sistema de coagulação.
3. Como prevenir a elevação de plaquetas?
Manter hábitos de vida saudáveis, controlar doenças crônicas, fazer exames regulares e seguir as orientações médicas são essenciais para prevenir alterações nos níveis de plaquetas.
4. Pode tomar medicamentos sem prescrição?
De jeito nenhum. O uso de medicamentos para alteração nos níveis de plaquetas deve ser sempre orientado por um profissional de saúde, para evitar riscos e complicações.
Conclusão
Plaquetas altas podem indicar uma variedade de condições, desde causas benignas até doenças sérias. O diagnóstico preciso e o acompanhamento médico adequado são fundamentais para determinar a causa e definir a melhor estratégia de tratamento. A conscientização sobre os sinais e sintomas, aliada a uma vida saudável, ajuda na prevenção de complicações e na manutenção da saúde vascular. Se você suspeita de alterações nos seus níveis de plaquetas, procure um hematologista para avaliação detalhada.
Referências
- Brasil. Ministério da Saúde. Hemograma completo: exames, interpretação e orientações. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
- Sociedade Brasileira de Hematologia. Diagnóstico e Tratamento das Doenças Mieloproliferativas. Available at: https://hemocentro.unicamp.br
Lembre-se: A detecção precoce e o tratamento adequado são essenciais para evitar complicações associadas às plaquetas altas.
MDBF