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Passagem de Sonda Vesical de Demora: Guia Completo para Profissionais e Pacientes

Artigos

A passagem de sonda vesical de demora é um procedimento comum na prática clínica, utilizado para drenar a bexiga em diferentes contextos clínicos, como pacientes com retenção urinária, cirurgias urológicas ou condições neurológicas. Apesar de ser rotineiro, o procedimento requer conhecimentos específicos, atenção às técnicas associadas e cuidados para evitar complicações. Este guia completo tem como objetivo fornecer informações detalhadas para profissionais de saúde e esclarecimentos para pacientes, promovendo a segurança e a efetividade na realização desse procedimento.

O que é a Sonda Vesical de Demora?

A sonda vesical de demora, também conhecida como cateter vesical de administração contínua, é um dispositivo inserido na bexiga através da uretra ou, em alguns casos, por via suprapúbica, para garantir a drenagem urinária prolongada. É indicada em diversas situações clínicas, como:

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  • Retenção urinária aguda ou crônica
  • Pós-operatório de cirurgias urológicas, obstétricas e ginecológicas
  • Pacientes com imobilidade ou doenças neurológicas que comprometem a eliminação urinária
  • Monitoramento da produção de urina em pacientes críticos

Técnicas para a Passagem de Sonda Vesical de Demora

Preparação do Ambiente e do Paciente

Antes de realizar a passagem, é importante garantir:

  • Ambiência adequada, com iluminação suficiente e privacidade
  • Higiene das mãos e uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como luvas esterilizadas
  • Verificação da necessidade do procedimento e consentimento informado do paciente
  • Avaliação prévia da anatomia do paciente, incluindo possíveis alterações ou contraindicações

Materiais Necessários

Materiais para Passagem de Sonda Vesical de DemoraDescrição
Sonda vesical de silicone ou látex, de diâmetro adequadoGeralmente de calibres 14 a 18 Fr
Creme ou gel anestésico (opcional)Para facilitar a inserção
Luvas estéreisGarantir assepsia
Estilete ou pinça para manipulação da sonda (quando necessário)Para auxiliar na introdução
Frasco coletor de urinaPara monitoramento e coleta de amostras
Soro fisiológico ou solução antissépticaPara higienização do pênis ou vulva
Sistemas de fixaçãoPara estabilizar a sonda após inserção

Passo a Passo de Inserção

  1. Higiene e Preparação: Lavar as mãos e vestir EPIs. Preparar o material de forma estéril.
  2. Posicionamento do Paciente: Deitar o paciente em decúbito dorsal, com as nádegas em posição elevada.
  3. Higienização Genital: Limpar cuidadosamente a região genital com solução antisséptica.
  4. Aplicação do Gel Anestésico: Caso utilizado, aplicar na uretra e aguardar seu efeito.
  5. Inserção da Sonda: Com cuidado, inserir lentamente a sonda na uretra até atingir a bexiga (sensação de resistência ou fluxo de urina indica chegada).
  6. Fixação da Sonda: Utilizar sistemas de fixação apropriados para evitar deslocamentos.
  7. Conexão ao Sistema de Drenagem: Acoplar ao frasco coletor e garantir que o sistema esteja fechado para evitar infecções.
  8. Registro do Procedimento: Anotar data, hora, calibre da sonda e condições do paciente.

Cuidados Pós-Procedimento

  • Monitorar sinais de desconforto, dor ou complicações
  • Manter o sistema de drenagem fechado e limpo
  • Registrar a quantidade de urina obtida e características do sedimento
  • Orientar o paciente quanto à higiene local e sinais de infecção

Complicações e Como Preveni-las

ComplicaçãoPrevençãoConduta
Infecção do Trato Urinário (ITU)Técnica asséptica rigorosa, higiene adequadaUso de antibióticos profiláticos em alguns casos, higiene adequada
Obstrução da SondaTroca periódica, uso de diâmetro adequadoTroca da sonda a cada 15-30 dias, avaliação de obstruções
Traumatismo uretral ou vesicalInserção cuidadosa e técnica adequadaUso de lubrificação, calibres compatíveis, técnicas corretas
Deslocamento ou saída espontânea da sondaFixação firme e adequadaRevisões periódicas, monitoramento contínuo

"A técnica e os cuidados na passagem de sonda vesical de demora são essenciais para minimizar riscos e garantir o bem-estar do paciente." — Fonte: Sociedade Brasileira de Urologia

Quando Realizar a Troca da Sonda Vesical de Demora?

A troca periódica da sonda é fundamental para reduzir infecções e prevenir obstruções. Recomenda-se:

  • Troca a cada 15 a 30 dias para sondas de silicone ou látex
  • Manutenção de registros e avaliação clínica constante
  • Avaliação individualizada pelo profissional responsável

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de complicações na passagem de sonda vesical de demora?

Sinais de complicações incluem dor intensa, sangue na urina, febre, mal-estar, vazamento de urina ou deslocamento da sonda. Caso identifique qualquer um desses sinais, procurar assistência médica imediatamente.

É possível realizar a passagem de sonda vesical de demora em pacientes com obstruções uretrais?

Sim, mas requer avaliação cuidadosa e, muitas vezes, o uso de técnicas específicas ou procedimentos cirúrgicos prévios, como a dilatação uretral ou cirurgia de desobstrução.

Como garantir a higiene adequada durante o procedimento?

Realizar a higienização com antissépticos, utilizar materiais estéreis, manter o sistema fechado e trocar o sistema de drenagem de acordo com as recomendações é essencial para prevenir infecções.

Conclusão

A passagem de sonda vesical de demora é um procedimento fundamental na prática clínica, que, quando realizado com técnicas corretas, pode prevenir complicações e proporcionar maior conforto e segurança ao paciente. Profissionais devem estar atualizados quanto às melhores práticas, cuidados com fatores assépticos e monitoramento do paciente. Além disso, a importância de uma abordagem humanizada, ética e técnica é vital para o sucesso do procedimento.

Lembrando sempre que a atenção aos detalhes faz toda a diferença na saúde e bem-estar do paciente.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Urologia. Diretrizes de Manejo do Cateter Vesical. 2020. Disponível em: SBUR Guidelines
  2. Ministério da Saúde. Protocolos de atendimento em saúde do adulto. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.
  3. Henriques, F., & Piovesan, E. (2018). Técnica de passagens de sondas urinárias: atualização e recomendações. Revista Brasileira de Enfermagem, 71(2), 763-769.

Referências externas recomendadas

Este conteúdo foi elaborado para oferecer um entendimento completo, útil tanto para profissionais de saúde quanto para pacientes, contribuindo para a prática segura e eficaz da passagem da sonda vesical de demora.