Passagem de Sonda Nasoenteral: Guia Completo para Profissionais de Saúde
A passagem de sonda nasoenteral é um procedimento amplamente realizado na prática clínica, especialmente em pacientes com dificuldades para se alimentar por via oral, como aqueles com disfunções neuromusculares, doenças críticas ou pós-operatórios. Este procedimento, quando realizado corretamente, garante o aporte nutricional adequado, contribuindo para a recuperação e manutenção da saúde do paciente. No entanto, sua execução requer conhecimento técnico, atenção às precauções e consciência dos riscos envolvidos. Este guia tem como objetivo fornecer informações detalhadas e atualizadas para profissionais de saúde que atuam na colocação de sondas nasoenterais, promovendo segurança e eficácia no procedimento.
O que é a Sonda Nasoenteral?
A sonda nasoenteral é um dispositivo longo e flexível, inserido pelo nariz até atingir o jejuno ou o duodeno, na porção proximal do intestino delgado. Sua finalidade principal é proporcionar nutrição, administração de medicamentos ou retirada de conteúdos gástricos. Difere-se da sonda nasogástrica por seu posicionamento mais distal, o que é indicado em casos de risco de aspiração, repercussões gástricas ou na necessidade de evitar a estimulação do estômago.

Indicações e Contraindicações
Indicações para passagem de sonda nasoenteral
Confira abaixo uma tabela resumida com as principais indicações:
| Indicação | Descrição |
|---|---|
| Disfagia severa | Quando o paciente não consegue se alimentar por via oral |
| AVC ou traumatismo cranioencefálico | Para manter aporte nutricional durante recuperação |
| Pós-operatório de cirurgia gastrointestinal | Quando há risco de aspiração ou obstrução gástrica |
| Doenças neuromusculares | Como esclerose lateral amiotrófica (ELA) ou Parkinson |
| Ventilação mecânica prolongada | Para garantir nutrição adequada sem riscos de aspiração |
Contraindicações
- Obstrução nasal ou facial
- Fraturas no crânio com risco de comunicação com o sistema nervoso central
- Cirurgia de via aérea ou boca
- Edema ou inflamação severa na mucosa nasal
- Coagulopatias severas, especialmente sem controle adequado
Materiais Necessários
Antes de iniciar o procedimento, o profissional deve garantir a disponibilidade dos seguintes materiais:
- Sonda nasoenteral de calibre adequado
- Lubrificante à base de gel
- Água destilada ou solução de soro fisiológico
- Estetoscópio de Doppler ou aparelho de escuta auscultatória
- Lingual ou dedeira
- Gaze ou algodão
- Máscara e avental de proteção
- Itens para fixação da sonda
- Filtro de aspiração (se necessário)
Passo a Passo para a Passagem de Sonda Nasoenteral
Preparação do Paciente
- Explicação do procedimento: informe o paciente sobre os passos e peça consentimento informado.
- Posicionamento: o paciente deve estar sentado na posição Fowler ou semi-Fowler, com cabeça ligeiramente inclinada para frente.
- Higiene: lave as mãos e utilize equipamentos de proteção individual adequada.
- Avaliação nasal: verifique vias aéreas e possíveis obstruções ou inflamações.
Execução do Procedimento
- Seleção da sonda: escolha o comprimento adequado, utilizando a fórmula padrão.
Fórmula para estimar o comprimento da sonda:
Distância da ponta do nariz até o lobo da orelha + distância até o xifoide.
- Lubrificação: lubrifique a ponta distal da sonda com gel de uso tópico.
- Inserção: insira lentamente a sonda pela narina escolhida, com o paciente na posição correta, pedindo que respire profundamente.
- Avanço progressivo: avance a sonda até atingir o comprimento estimado.
- Verificação do posicionamento:
- Método clínico: aspirar conteúdos e avaliar o aspecto e a quantidade.
- Método do auscultador: insuflar ar com uma seringa, enquanto escuta o som do ar na região epigástrica.
- Confirmar radiologicamente: o método padrão-ouro é a confirmação por radiografia de tórax ou abdome.
| Pós-inserção | Procedimentos adicionais |
|---|---|
| Fixação da sonda | Utilizar fita adesiva ou dispositivo específico |
| Orientações ao paciente | Manter a cabeça elevada, evitar movimentos bruscos |
Cuidados após a Inserção
- Monitoramento contínuo para sinais de desconforto, vômito, deficiência respiratória ou deslocamento.
- Registro do procedimento na prontuário, incluindo data, hora, técnica empregada, tipo de sonda e confirmação do posicionamento.
Riscos e Complicações
Embora seja um procedimento relativamente seguro, a passagem de sonda nasoenteral pode apresentar algumas complicações:
| Complicação | Descrição |
|---|---|
| Perforação do trato respiratório ou digestivo | Pode causar mediastinite ou peritonite |
| Aspiração pulmonar | Risco durante a inserção ou uso da sonda |
| Obstrução ou deslocamento da sonda | Pode comprometer o tratamento ou alimentar o paciente |
| Hemorragia | Especialmente em pacientes com distúrbios de coagulação |
| Desconforto ou dor | Durante a inserção ou permanência |
A formação de uma rotina de inspeção e monitoramento ajuda na prevenção destas complicações.
Tecnologias e Avanços na Inserção de Sonda Nasoenteral
Nos últimos anos, avanços tecnológicos têm facilitado a sessão, tornando o procedimento mais seguro e confortável. Entre eles, destacam-se os dispositivos de inserção assistida por vídeo e sistemas de confirmação por imagem digital. Além disso, há dispositivos de medição que auxiliam na estimativa do comprimento ideal da sonda, reduzindo riscos de deslocamento ou mau posicionamento.
Dicas e Recomendações para Profissionais de Saúde
- Respeitar sempre a anatomia do paciente e usar técnicas asséticas.
- Confirmar o posicionamento da sonda antes do uso clínico, preferencialmente por raios-X.
- Realizar treinamento periódico para manter habilidades e conhecimentos atualizados.
- Manter uma comunicação clara com a equipe multidisciplinar e o paciente.
- Registrar detalhadamente todo procedimento realizado.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Qual a diferença entre sonda nasogástrica e nasoenteral?
A sonda nasogástrica termina no estômago, enquanto a nasoenteral é introduzida até o intestino delgado, geralmente no duodeno ou jejuno. A escolha depende do risco de aspiração e condições do paciente.
2. Como saber que a sonda está em posição correta?
O método mais confiável é a confirmação radiológica. Métodos clínicos, como aspiração de conteúdo gástrico e ausculta do ar, podem auxiliar, mas não substituem a radiografia.
3. Quanto tempo pode permanecer uma sonda nasoenteral no paciente?
Sondas podem permanecer de semanas a meses, dependendo do material e da avaliação clínica. É importante verificar regularmente o estado da sonda e realizar trocas quando necessário.
4. Quais procedimentos de higiene devem ser seguidos?
Higiene das mãos, utilização de EPIs, limpeza do local de fixação e cuidado na manipulação para evitar infecções.
Conclusão
A passagem de sonda nasoenteral é um procedimento essencial na assistência nutricional e terapêutica de pacientes com dificuldades de alimentação. Sua execução requer técnica apurada, conhecimento das indicações, contraindicações e cuidados para minimizar complicações. Investir na capacitação profissional, na utilização de tecnologias e na observância de protocolos de segurança é fundamental para garantir resultados eficazes e seguros.
A integração de conhecimentos técnicos e uma postura ética contribuem para a melhoria da assistência à saúde, promovendo o bem-estar e a recuperação do paciente.
Referências
- Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Protocolo de Nutrição Enteral e Parenteral. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
- Feldman, M.; Friedman, L.; Brandt, L. J. Sleisenger & Fordtran's Gastrointestinal and Liver Disease. 11ª ed. Philadelphia: Saunders, 2020.
- Mehanna, D. et al. "Nasoenteral Tube Placement by Healthcare Professionals: A Systematic Review." Journal of Parenteral and Enteral Nutrition, vol. 44, no. 4, 2020, pp. 674–681. Link externo relevante.
- Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (BRASPEN). Diretrizes para Nutrição Enteral. 2020. Disponível em: https://www.braspen.org.br.
Lembre-se: a prática segura e o constante aprimoramento técnico garantem melhores resultados na passagem de sonda nasoenteral, promovendo saúde e segurança para os pacientes.
MDBF