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Oxum e Iemanjá: Diferenças, Culto e Significado na Umbanda

Artigos

Na riqueza diversidade das religiões de matriz africana brasileiras, destacam-se duas entidades femininas que exercem papel fundamental na religiosidade popular: Oxum e Iemanjá. Ambas representam forças femininas poderosas e guardiãs das águas, relacionadas à maternidade, fertilidade, beleza e proteção. Apesar de terem aspectos similares, as diferenças entre elas são notáveis e refletem suas origens, cultos e significados específicos na Umbanda, Candomblé e outras tradições de raiz africana.

Este artigo busca explorar as diferenças, o culto dedicado a Oxum e Iemanjá, seus significados e como elas se inserem no contexto da Umbanda, além de responder às perguntas mais frequentes sobre essas entidades. Para uma compreensão profunda, abordaremos suas origens, símbolos, rituais e a importância de cada uma na religiosidade brasileira.

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Origem e História de Oxum e Iemanjá

Oxum: Deusa das Águas Doces e da Fertilidade

Oxum é uma orixá de origem iorubá, conhecida por associar-se às águas doces, rios e cachoeiras. Sua presença é marcada por atributos de fertilidade, abundância, beleza, amor e sensibilidade. Ela é considerada uma divindade que promove o crescimento, a prosperidade e a harmonia nos lares. Na mitologia iorubá, Oxum é filha de Oxalá e irmã de Oxóssi.

Iemanjá: Rainha do Mar e Mãe de Todos

Iemanjá, por sua vez, possui raízes também na cultura iorubá, mas sua representação se ampliou na cultura popular brasileira como a rainha do mar. É associada às águas salgadas, às marés, e ao papel de mãe de todos os orixás e seres humanos. De origem africana, ela é vista como fonte de proteção, fertilidade e força maternal.

Diferenças Históricas e de Culto

AspectoOxumIemanjá
OrigemCultura iorubá, deusa das águas docessincretismo africano e popular brasileira, rainha do mar
SimbolismoFertilidade, amor, beleza, prosperidadeProteção, maternidade, força, mar
CultoRituais com água doce, oferendas de ouro e floresFestas no 2 de fevereiro, oferendas ao mar e festas ao redor do Brasil

Culto a Oxum e Iemanjá na Umbanda

Como São Celebradas?

Na Umbanda, Oxum e Iemanjá ocupam posições de destaque, sendo frequentemente invocadas nos rituais e cerimônias.

Culto a Oxum

Oxum é cultuada principalmente através de oferendas de flores, espelhos, pentes, e alimentos doces. Seus pontos de força geralmente envolvem a água doce, cachoeiras e rios. Os terreiros dedicam rituais especiais para pedir bênçãos relacionadas ao amor, harmonia e prosperidade.

Culto a Iemanjá

Iemanjá é celebrada com grande entusiasmo especialmente na Festa de Iemanjá em 2 de fevereiro, quando devotos oferecem flores, velas, perfumes e alimentos ao mar. Os festejos inclusive se estendem por várias cidades brasileiras, como Salvador, Rio de Janeiro e Recife, com celebrações públicas e rituais privados.

Rituais na Umbanda

Lucros espirituais e proteção são pedidos às entidades através de cânticos, danças e oferendas. É comum ver sessões de Umbanda com alta presença de símbolos e elementos associados às três principais ondas de energia desses orixás: amor, proteção e prosperidade.

Significado na Correspondência dos Elementos Naturais

EntidadeElemento NaturalSimbolismoPráticas Comuns
OxumÁgua doce (rios, cachoeiras)Fertilidade, beleza, prosperidadeBanhos rituais, oferendas de flores, espelhos
IemanjáMar, águas salgadasProteção, maternidade, forçaFestas ao mar, oferendas de flores, velas

A Importância de Oxum e Iemanjá na Cultura Popular e Religiosa Brasileira

Culto e Festas

Festa de Iemanjá

A celebração à Iemanjá é uma das maiores festividades de origem africana no Brasil, simbolizando a conexão com o mar e a força das águas. Milhares de pessoas saem às praias para fazer oferendas e agradecer às "rainhas do mar."

Festa de Oxum

As celebrações de Oxum muitas vezes estão relacionadas às cachoeiras e rios, incluindo rituais de cura, pedidos de prosperidade e proteção à família. Oxum também é celebrada em festas religiosas nos terreiros de Candomblé e Umbanda.

Simbolismos nas Representações Culturais

Oxum costuma ser representada com cores douradas e o uso de espelhos, simbolizando sua conexão com beleza e reflexão interior. Iemanjá, por sua vez, é frequentemente visualizada com roupas brancas, coroas e flores, evocando pureza e realeza.

Questionamentos Frequentes (Perguntas Frequentes)

1. Qual a principal diferença entre Oxum e Iemanjá?
Oxum é associada às águas doces, rios e cachoeiras, enquanto Iemanjá representa as águas salgadas do mar. Além disso, Oxum está ligada à fertilidade e ao amor, já Iemanjá à proteção e força maternal.

2. Como posso homenagear Oxum ou Iemanjá?
As homenagens envolvem oferendas de flores, alimentos, velas e objetos simbólicos. Para Oxum, recomenda-se água doce, espelhos e ouro; para Iemanjá, flores brancas, velas azuis ou brancas, e objetos ao mar.

3. Quais festividades são mais relevantes para cada entidade?
A Festa de Oxum é comemorada principalmente em datas relacionadas ao calendário religioso local, enquanto Iemanjá é celebrada em 2 de fevereiro, sendo uma das maiores festas públicas do Brasil.

4. Qual entidade é considerada mais poderosa na Umbanda?
Ambas têm grande importância, mas na prática, a força de cada uma depende do tipo de demanda do devoto e da situação específica. Oxum é invocada em questões de amor e prosperidade, enquanto Iemanjá é vista como uma protetora forte e maternal.

5. Como essas entidades interagem com outros orixás na Umbanda?
Elas se harmonizam com outros orixás em rituais, formando uma rede de forças espirituais. Oxum, por exemplo, é muitas vezes associada a nanãs e Iansãs para reforçar temas de fertilidade e proteção.

Conclusão

Oxum e Iemanjá representam duas faces essenciais da espiritualidade brasileira, cada uma com seu significado, simbolismos e formas de culto. Ambos demonstram a profunda conexão da cultura afro-brasileira com a natureza, a força da água e a valorização do feminino sagrado. Compreender suas diferenças e semelhanças é fundamental para um entendimento mais completo das práticas religiosas de matriz africana.

A valorização dessas entidades também reforça o respeito e a preservação da diversidade cultural, contribuindo para o fortalecimento da identidade brasileira na sua pluralidade religiosa.

Como disse o antropólogo Gilberto Velho, "a religiosidade popular é uma expressão de resistência e afirmação de identidades culturais sólidas". Assim, Oxum e Iemanjá permanecem vivos na alma e na prática de milhões de devotos ao redor do Brasil.

Referências

-Brandão, Carlos Eduardo. Religiões Afro-Brasileiras. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2008.
-Pereira, Luiz M. Umbanda: O Caminho das Águas. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2015.
-Zarco, Marcelo. Cultos e Festas de Iemanjá. Salvador: Editora Bahiana, 2017.
Site Oficial do Candomblé
Informações sobre Festa de Iemanjá