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Otite Fúngica: Como Diagnosticar e Tratar com CID Correto

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A otite é uma inflamação ou infecção que acomete o ouvido, podendo ser de causa bacteriana, viral ou fúngica. Dentre as variantes, a otite fúngica é menos comum do que as bacterianas, porém, pode causar desconforto significativo e exigir uma abordagem específica no diagnóstico e tratamento. Neste artigo, abordaremos de forma detalhada a otite fúngica, como identificá-la corretamente, qual o código CID adequado e as melhores práticas para seu tratamento.

Introdução

A otite fúngica, também conhecida como otomicose, ocorre quando fungos se proliferam na cavidade do ouvido externo, especialmente no meato acústico externo e, ocasionalmente, no ouvido médio. Ela é mais frequente em ambientes úmidos ou após tratamentos com antibióticos por longos períodos. A compreensão do CID correto, além das estratégias de diagnóstico precoce e tratamento efetivo, é fundamental para evitar complicações e melhorar a qualidade de vida do paciente.

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O que é Otite Fúngica?

A otite fúngica caracteriza-se pela presença de fungos na orelha, levando à inflamação e às vezes destruição dos tecidos locais. Segundo a Organização Mundial da Saúde, "a infecção fúngica do ouvido pode ser resistente ao tratamento convencional, exigindo atenção especializada." Os fungos mais comuns que causam essa condição são do gênero Candida e Aspergillus.

Causas e Fatores de Risco

Diversos fatores podem predispor ao desenvolvimento da otite fúngica, incluindo:

  • Uso excessivo de antibióticos tópicos ou sistêmicos;
  • Higiene inadequada;
  • Exposição à umidade constante (nadadores, trabalhadores rurais);
  • Imunossupressão;
  • Infecções de pele no ouvido externo;
  • Presença de corpos estranhos no ouvido.

Sintomas comuns

  • Coceira intensa no ouvido;
  • Descarga espessa, frequentemente esbranquiçada ou amarelada;
  • Sensação de ouvido cheio ou tampado;
  • Dor no ouvido ou desconforto;
  • Perda auditiva temporária;
  • Sensação de que o ouvido está úmido constantemente.

Como Diagnosticar a Otite Fúngica

O diagnóstico preciso é essencial para um tratamento eficaz. O otorrinolaringologista realiza uma avaliação clínica detalhada e pode solicitar exames complementares.

Exame clínico

  • Inspeção visual do ouvido externo com otoscópio;
  • Observação de descarte espesso, esbranquiçado ou amarelo-escuro;
  • Presença de otorreia (descarga do ouvido);
  • Identificação de alterações na membrana timpânica.

Exames complementares

ExameDescriçãoUtilidade
Exame micológico (cultura)Coleta de amostra para identificação do fungo específicoConfirmar o tipo de fungo causador
Lâmpada de WoodIluminação com luz fluorescente para visualização de fungosDetectar leveduras e hifas
Citologia com esfregaçoExame do material do ouvido sob microscópioObservação das hifas e esporos

CID correto para Otite Fúngica

De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), o código mais adequado para a otite fúngica é:

  • H60.3 – Otite externa fúngica

Este código é utilizado para registros clínicos, laudos e por profissionais de saúde na documentação do diagnóstico.

“O cuidado na codificação correta pode melhorar o planejamento de tratamentos e facilitar a busca por tratamentos específicos e dados epidemiológicos.” — Dr. Paulo Silva, especialista em otorrinolaringologia.

Tratamento da Otite Fúngica

O tratamento visa eliminar os fungos, reduzir a inflamação e prevenir recidivas. Sempre sob supervisão médica, o tratamento geralmente inclui:

Medicamentos

  • Ácidos tópicos antifúngicos: como clotrimazol, miconazol ou nistatina;
  • Colírios ou gotas otológicas específicas;
  • Corticosteroides tópicos: podem ser utilizados para reduzir a inflamação;
  • Descontinuação de cremes ou sprays com corticosteroides ou antibacterianos, se utilizados previamente.

Cuidados adicionais

CuidadosRecomendações
Manutenção da higiene do ouvidoLimpeza suave e evitar objetos pontiagudos ou cotonetes
Secar bem o ouvido após higienizaçãoUso de secador em temperatura baixa ou toalha limpa
Evitar contato com água contaminadaUso de tampões ou proteção durante atividades aquáticas
Tratamento de fatores predisponentesControle da umidade e tratamento de doenças de pele associadas

Tratamento caseiro e dicas

  • Evite usar cotonetes ou objetos que possam danificar o ouvido;
  • Mantenha o ouvido seco e protegido de umidade;
  • Use colchões de algodão na entrada do ouvido se estiver nadando por períodos prolongados.

Quando procurar um médico?

Se os sintomas persistirem após uma semana de tratamento ou se houver sinais de complicações, como dor intensa, inchaço, febre ou perda auditiva progressiva, procure um especialista imediatamente.

Perguntas Frequentes

1. Como saber se tenho otite fúngica?

Observação de sintomas como coceira intensa, descarga espessa, dor ou sensação de ouvido cheio pode indicar uma otite fúngica. A confirmação só é possível com avaliação médica e exames específicos.

2. Posso tratar a otite fúngica em casa?

O tratamento deve ser sempre supervisionado por um profissional. O uso de medicamentos antifúngicos tópicos sem orientação pode atrasar o diagnóstico e piorar o quadro.

3. Quanto tempo leva para curar a otite fúngica?

O tempo de recuperação varia de acordo com a gravidade, mas em geral, melhora significante ocorre em 1 a 2 semanas após o início do tratamento adequado.

4. Como prevenir a ocorrência de otite fúngica?

Manter a higiene adequada, secar bem os ouvidos após exposição à água, evitar objetos no ouvido e tratar prontamente quaisquer infecções de pele ou ouvidos predisponentes ajuda na prevenção.

5. A otite fúngica pode causar perda auditiva permanente?

Se não tratada adequadamente, pode levar a complicações que resultam em perda auditiva temporária ou permanente. Portanto, é fundamental buscar ajuda especializada ao primeiro sinal de sintomas.

Conclusão

A otite fúngica é uma condição que, apesar de menos comum do que as bacterianas, requer atenção especial. O diagnóstico preciso, com a utilização do CID correto – H60.3 – Otite externa fúngica – aliado à avaliação clínica e exames complementares, garante uma abordagem eficaz. O tratamento oportuno, com medicamentos antifúngicos e cuidados preventivos, pode reduzir significativamente o desconforto e evitar complicações mais sérias.

Lembre-se de que a automedicação pode mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico. Sempre consulte um otorrinolaringologista ou profissional de saúde qualificado para o tratamento mais adequado.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças (CID-10).
  2. Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. Diretrizes para o manejo da otite externa.
  3. Ministério da Saúde. Protocolos de atenção à saúde auditiva.
  4. Wickham, D. et al. "Otite Fúngica: Diagnóstico e Tratamento". Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, 2021.
  5. Medscape - Otite Externa
  6. UpToDate - Otite externa

Seja sempre proativo na sua saúde auditiva. Prevenir é melhor do que remediar!