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Domínios Morfoclimáticos: Entenda os Tipos e suas Características

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O Brasil é um país de dimensões continentais, apresentando uma grande diversidade de paisagens, clima e relevo. Essa variedade geográfica é explicada pelos diferentes domínios morfoclimáticos, que representam as grandes unidades de relevo e clima que compõem o território nacional. Compreender esses domínios é fundamental para estudos ambientais, planejamento urbano, agricultura e conscientização ambiental, além de contribuir para uma melhor leitura da nossa diversidade natural.

Neste artigo, vamos explorar o que são os domínios morfoclimáticos, suas principais características, tipos e como eles influenciam o clima, a vegetação e o solo brasileiro.

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O que são domínios morfoclimáticos?

Os domínios morfoclimáticos são grandes unidades de relevo e clima que se estendem por áreas extensas do território brasileiro. Eles representam combinações específicas de relevo, clima, vegetação e solo, formando uma característica dominantes na paisagem do Brasil.

A expressão "morfoclimático" decorre da combinação de “morfologia” (estudo do relevo) e “clima”. Assim, esses domínios representam regiões onde o relevo e o clima interagem formando ambientes com características próprias.

Segundo o geógrafo Aziz Ab’Sáber, um dos principais estudiosos que sistematizou esses conceitos, os domínios morfoclimáticos são fundamentais para entender a formação do relevo brasileiro e as interações com o clima, além de serem essenciais para políticas de conservação e uso do solo.

"O entendimento dos domínios morfoclimáticos possibilita uma leitura mais aprofundada da diversidade natural brasileira, refletindo as complexidades do nosso território." — Aziz Ab’Sáber

Como os domínios morfoclimáticos se formam?

A formação dos domínios morfoclimáticos ocorre a partir de processos geológicos e climáticos ao longo de milhões de anos. Esses processos moldaram o relevo sob diferentes condições de clima, levando à formação de áreas com características distintas.

Por exemplo, a ação do intemperismo, de tectonismos antigos, processos de elevação e subsidência, além das variações de temperatura e precipitação, ajudaram a criar os diferentes domínios que encontramos atualmente no Brasil.

Principais domínios morfoclimáticos do Brasil

O território brasileiro pode ser dividido geralmente em cinco grandes domínios morfoclimáticos, de acordo com Aziz Ab’Sáber:

  1. Planalto Amazônico
  2. Costa Nordeste
  3. Planalto Central
  4. Cinturão Nascente e Sul do Brasil
  5. Planalto Meridional

Vamos conhecer cada um deles com detalhes.

1. Planalto Amazônico

Características principais

  • Relevo: planaltos extensos, com altitudes médias de 100 a 200 metros, contendo áreas de planícies.
  • Clima: equatorial, com altas temperaturas e precipitação abundante durante o ano todo.
  • Vegetação: Floresta Amazônica, considerada uma das maiores áreas de floresta tropical do mundo.
  • Solo: geralmente fertilidade baixa devido à alta decomposição de matéria orgânica, porém com áreas de fertilidade temporária devido à deposição de sedimentos.

Importância ecológica e econômica

Este domínio é responsável por uma enorme biodiversidade e desempenha um papel crucial na regulação do clima global, além de ser fonte de recursos minerais e hídricos.

2. Costa Nordeste

Características principais

  • Relevo: mares internalizados e planícies costeiras, com áreas de dunas e falésias.
  • Clima: semiárido na maior parte, com baixos índices de precipitação, exceto na faixa litorânea onde o clima é mais úmido.
  • Vegetação: Caatinga no interior, vegetação adaptada às condições semiáridas, e floresta litorânea na faixa costeira.
  • Solo: calcário, arenoso e pouco fértil, especialmente no interior semiárido.

Desafios ambientais

A vulnerabilidade à seca e a degradação do solo são questões recorrentes nesta região, demandando políticas específicas de manejo sustentável.

3. Planalto Central

Características principais

  • Relevo: planaltos elevados, com altitudes variando entre 700 a 1.200 metros.
  • Clima: tropical de altitude, com temperaturas amenas e estação seca bem definida.
  • Vegetação: cerrado, uma vegetação adaptada às condições de relevo e clima, além de áreas de campos e gramineas.
  • Solo: rico em argila, com fertilidade média, sendo a base para a agricultura na região.

O Planalto Central é o coração da agricultura brasileira, com destaque para a produção de grãos.

4. Cinturão Nascente e Sul do Brasil

Características principais

  • Relevo: serras, planaltos e planícies. As áreas mais elevadas formam cadeias montanhosas.
  • Clima: subtropical no Sul, tropical na parte Nascente, com maior variação de temperaturas.
  • Vegetação: Mata Atlântica na parte leste e áreas de campo e araucária na região Sul.
  • Solo: fertilidade variada, com solos mais férteis na Mata Atlântica e menos férteis em áreas de relevo elevado.

Particularidades

Esta região apresenta relevo bastante acidentado, especialmente na Serra do Mar e na Serra Geral, e possui um clima mais temperado, influenciando o tipo de agricultura e a biodiversidade local.

5. Planalto Meridional

Características principais

  • Relevo: planaltos de baixa altitude e áreas de relevo mais suave.
  • Clima: la Nina e El Niño impactam bastante as condições do clima, causando extremos de temperaturas.
  • Vegetação: Campos, araucária e, em áreas mais úmidas, Mata Atlântica.
  • Solo: de fertilidade regulada, porém variada em diferentes pontos.

Este domínio apresenta um clima mais frio e é uma região de relevância para a agricultura e a produção de maçãs, uvas e outros produtos.

Tabela Resumo dos Domínios Morfoclimáticos Brasileiros

DomínioRelevoClimaVegetaçãoSolo
Planalto AmazônicoPlanaltos baixos, planíciesEquatorial, úmidoFloresta AmazônicaBaixa fertilidade
Costa NordestePlanícies costeiras, dunasSemiárido a úmidoCaatinga, floresta litorâneaVariado, arenoso e calcário
Planalto CentralPlanaltos elevados, serrasTropical de altitudeCerradoFertilidade média
Cinturão Nascente e Sul do BrasilMontanhas, serras, planaltosSubtropical/TropicalMata Atlântica, camposVariada
Planalto MeridionalPlanaltos de baixa altitudeSubtropical a temperadoCampos, araucáriaFertilidade variável

Como os domínios morfoclimáticos influenciam a vida no Brasil?

A combinação entre relevo e clima de cada domínio molda a vegetação, os solos, o modo de vida das populações locais e as atividades econômicas predominantes. Por exemplo, o cerrado no Planalto Central favorece a agricultura, enquanto a Floresta Amazônica está mais relacionada à conservação e recursos hídricos.

A compreensão desses domínios também é fundamental para o planejamento ambiental, prevenção de desastres naturais e esforços de sustentabilidade.

Perguntas Frequentes

1. Os domínios morfoclimáticos são fixos ou podem sofrer alterações?

Embora sejam unidades relativamente estáticas formadas por processos geológicos de longa duração, as ações humanas e mudanças climáticas podem alterar as características desses domínios ao longo do tempo, como a degradação de vegetação e alteração no uso do solo.

2. Como os domínios morfoclimáticos impactam a agricultura?

Cada domínio possui condições específicas de relevo, clima e solo que favorecem ou dificultam certos tipos de cultivo. Conhecer as características permite uma agricultura mais sustentável e eficiente.

3. É possível dividir o Brasil em mais de cinco domínios morfoclimáticos?

Sim. Alguns estudos propõem subdivisões adicionais, considerando critérios mais específicos, como microclimas e variações locais, mas os cinco principais são os mais utilizados na classificação geral.

Conclusão

A compreensão dos domínios morfoclimáticos do Brasil é essencial para entender a complexidade do nosso território, suas possibilidades econômicas, riscos ambientais e estratégias de conservação. Eles revelam a diversidade natural do país e destacam a importância de políticas que respeitem essas características.

Ao estudiar esses domínios, fica evidente como o relevo e o clima estão interligados e moldam a nossa vida, a vegetação, o solo e as atividades humanas. Como afirmou Aziz Ab’Sáber, "a diversidade natural do Brasil reflete a perfeição do seu planejamento geológico e climático ao longo dos séculos."

Referências

  • AZIZ AB’SÁBER. O Brasil: pampa, planalto e selva. São Paulo: Edusp, 1998.
  • IBGE. Geografia do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2017.
  • Ministério do Meio Ambiente. Atlas Ambiental do Brasil. Brasília, 2005.
  • Universidade de São Paulo. Curso de Geografia Física. Disponível em: https://www.usp.br
  • Portal da UNESCO. Meio ambiente e biodiversidade no Brasil. Disponível em: https://www.unesco.org

Este artigo visa fornecer uma compreensão ampla e detalhada sobre os domínios morfoclimáticos do Brasil, reconhecendo sua importância para o desenvolvimento sustentável e o respeito à nossa diversidade natural.