O Que É Vaginose: Causas, Sintomas e Tratamento
A saúde íntima feminina é um tema de extrema importância, muitas vezes cercado de mitos e falta de informação adequada. Um dos problemas mais comuns que afetam a saúde vaginal é a vaginose bacteriana, condição que pode gerar desconforto e complicações se não for diagnosticada e tratada corretamente. Neste artigo, abordaremos de forma detalhada o que é a vaginose, suas causas, sintomas, formas de tratamento, além de responder às perguntas mais frequentes sobre o assunto.
Introdução
A vaginose bacteriana é uma infecção vaginal causada pelo desequilíbrio na flora bacteriana, onde bactérias benéficas são substituídas por um excesso de bactérias nocivas. Segundo a Organização Mundial de Saúde, ela é uma das infecções vaginais mais comuns em mulheres sexualmente ativas, afetando aproximadamente 15% a 30% das mulheres em idade reprodutiva.

Apesar de ser uma condição comum, muitas mulheres enfrentam dificuldades em identificar seus sintomas ou mesmo na busca por um tratamento adequado. Por isso, entender o que é a vaginose, suas causas, sintomas e formas de prevenção é fundamental para manter uma saúde íntima em dia.
O que é Vaginose Bacteriana?
Definição
Vaginose bacteriana é uma condição caracterizada pelo desequilíbrio na composição da flora vaginal, levando ao crescimento excessivo de bactérias anaeróbicas (que não precisam de oxigênio para sobreviver) e uma diminuição das bactérias benéficas, como as lactobacilos.
Como ela se manifesta
Normalmente, a vagina possui uma flora bacteriana equilibrada, composta principalmente por lactobacilos, responsáveis por manter o ambiente ácido e combater infecções. Quando esse equilíbrio é perturbado, ocorre a proliferação de outras bactérias, como Gardnerella vaginalis, que é uma das principais causadoras da vaginose.
Diferença entre vaginose e outras infecções vaginais
Enquanto a vaginose bacteriana não é considerada uma DST (doença sexualmente transmissível), ela pode estar relacionada à atividade sexual, aumentando o risco de transmissão de outras infecções. Além disso, a candidíase e a tricomoníase são outras infecções vaginais com causas e sintomas distintos da vaginose bacteriana.
Causas da Vaginose
As causas exatas da vaginose ainda são objeto de estudo, mas alguns fatores estão associados ao seu desenvolvimento:
| Causa/Fator de Risco | Descrição |
|---|---|
| Atividade sexual | Relações sexuais com diferentes parceiros ou troca de parceiros pode alterar a flora vaginal. |
| Higiene excessiva | Uso de duchas, sabonetes agressivos ou sprays íntimos deixam o ambiente vaginal mais vulnerável. |
| Uso de antibióticos | Medicamentos que alteram a flora intestinal e vaginal. |
| Disfunções imunológicas | Sistema imunológico debilitado favorece o desequilíbrio bacteriano. |
| Tabagismo | Fumar pode afetar a flora vaginal e reduzir a resistência às infecções. |
Importância do equilíbrio bacteriano
O ambiente vaginal é altamente sensível e precisa manter um pH entre 3,8 e 4,5, condições ideais para o crescimento dos lactobacilos. Quando esse equilíbrio é rompido, cria-se um ambiente propício para o crescimento de bactérias nocivas, levando à vaginose.
Sintomas da Vaginose
Muitas mulheres podem apresentar sintomas leves ou até mesmo assintomáticos. No entanto, os sinais mais comuns incluem:
Sintomas principais
- Corrimento vaginal aquoso, com odor forte e desagradável, semelhante a odor de peixe
- Ardência ou irritação na região vaginal
- Coceira leve na vulva
- Vermelhidão ou inchaço na área íntima
- Desconforto ao urinar
Quando procurar um médico
Se você perceber qualquer alteração no odor ou na consistência do corrimento vaginal, ou sentir desconforto, é importante procurar uma avaliação médica. A tendência é que os sintomas agravem se a condição permanecer sem tratamento.
Diagnóstico
O diagnóstico da vaginose bacteriana é realizado pelo profissional de saúde através de:
- Análise clínica e avaliação dos sintomas
- Exame físico da região genital
- Exame de análise do corrimento vaginal, incluindo esfrega de células para análise microbiológica
- Teste do pH vaginal (que costuma estar acima de 4,5 na vaginose)
- Teste de aminas:** teste de odor que detecta compostos com cheiro de peixe, típicos da vaginose
Tratamento da Vaginose
A abordagem mais comum para tratar a vaginose envolve o uso de medicamentos específicos, além de orientações de higiene íntima e hábitos de vida que auxiliem na recuperação do equilíbrio vaginal.
Medicações utilizadas
| Tipo de tratamento | Descrição |
|---|---|
| Antibióticos orais | Metronidazol ou Clindamicina, prescritos pelo médico, geralmente por 5 a 7 dias. |
| Cremes ou gels tópicos | Aplicação de Clindamicina ou Metronidazol na região vaginal, por 5 dias. |
Cuidados e orientações
- Evitar o uso de duchas ou produtos agressivos na região íntima.
- Usar roupas íntimas de algodão, que permitam a ventilação da área genital.
- Manter a higiene adequada, lavando com água morna e sem excesso de sabonetes perfumados ou desodorantes.
- Evitar relações sexuais durante o tratamento para prevenir reinfecção ou transmissão.
- Utilizar preservativos, mesmo quando não há sintomas, para reduzir o risco de transmissão.
Quando a vaginose não trata sozinha?
A vaginose pode melhorar com o tratamento adequado, mas é fundamental seguir as orientações médicas. Se os sintomas persistirem ou recorrentes, o médico pode solicitar novas avaliações para ajustar o tratamento ou investigar outras causas.
Prevenção da Vaginose
Embora não seja possível evitar completamente, algumas práticas ajudam na prevenção:
- Manter uma higiene íntima equilibrada.
- Evitar duchas vaginais e sabonetes perfumados.
- Usar roupas íntimas de algodão, evitando roupas muito justas.
- Limitar o número de parceiros sexuais e praticar sexo seguro.
- Evitar o uso excessivo de antibióticos sem orientação médica.
- Manter uma alimentação saudável e evitar o tabagismo.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. A vaginose é uma DST?
Apesar de estar relacionada à atividade sexual, a vaginose não é considerada uma doença transmissível exclusivamente por via sexual, mas suas bactérias podem ser transmitidas durante o contato sexual.
2. Pode haver complicações se não tratar?
Sim. A vaginose pode aumentar o risco de infecções urinárias, parto prematuro, parto de baixo peso e facilitar a transmissão de outras DSTs, como HIV.
3. Como saber se tenho vaginose?
O diagnóstico deve ser feito por um ginecologista, que avaliará os sintomas, realizará exame clínico e testes laboratoriais.
4. É possível evitar a vaginose?
Controle de fatores de risco, higiene adequada e uso de preservativos ajudam na prevenção, mas não garantem a total ausência.
Conclusão
A vaginose bacteriana é uma condição bastante comum e, muitas vezes, assintomática, mas que pode gerar desconforto e complicações se não for tratada. Manter uma rotina de higiene adequada, evitar o uso excessivo de produtos agressivos, usar roupas confortáveis e praticar sexo protegido são medidas que ajudam na prevenção e controle da condição. Caso apresente sintomas sugestivos, procure um ginecologista para diagnóstico e tratamento adequado, garantindo assim sua saúde íntima e bem-estar geral.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. (2020). Guía global sobre a saúde da mulher.
- Ministério da Saúde do Brasil. (2022). Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para infecções vaginais.
- Centro de Referência em Saúde da Mulher. (2021). Vaginose bacteriana: causas, sintomas e tratamento.
- Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia - SOBG
- Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH)
Lembre-se sempre: a saúde da sua região íntima merece atenção e cuidado. Consulte seu ginecologista regularmente.
MDBF