O Que É Trombofilia: Tudo Sobre Essa Condição de Saúde
A saúde vascular é um aspecto fundamental para o bem-estar geral de qualquer pessoa. Entre as condições que podem afetar a circulação sanguínea, destaca-se a trombofilia, uma desordem que aumenta o risco de formação de coágulos sanguíneos, também conhecidos como trombos. Muitas pessoas desconhecem essa condição, seus riscos, sintomas e formas de diagnóstico e tratamento. Este artigo tem como objetivo explicar detalhadamente o que é trombofilia, seus tipos, causas, sintomas, métodos de diagnóstico, tratamentos disponíveis, e dicas de prevenção.
O que é Trombofilia?
A trombofilia é uma condição médica caracterizada por uma tendência aumentada à formação de trombos sanguíneos, ou seja, coágulos que podem bloquear os vasos sanguíneos. Esses coágulos podem ocorrer tanto nas veias quanto nas artérias, podendo causar complicações graves como trombose venosa profunda, embolia pulmonar, acidente vascular cerebral (AVC), entre outros problemas de saúde.

Segundo o hematologista Dr. Carlos Almeida, "a trombofilia é uma condição que, muitas vezes, passa despercebida até que o paciente apresente uma complicação grave relacionada à formação de trombos."
Tipos de Trombofilia
Existem diferentes tipos de trombofilia, classificados principalmente em duas categorias:
- Trombofilia Hereditária
- Trombofilia Adquirida
Trombofilia Hereditária
Essa forma de trombofilia ocorre devido a alterações genéticas que aumentam a propensão à formação de coágulos. As mais comuns incluem mutações nos fatores genéticos responsáveis pela coagulação, como:
- Fator V Leiden
- Mutação no gene da protrombina (FII G20210A)
- Deficiências de proteínas anticoagulantes naturais, como proteína C, proteína S e antitrombina III.
Trombofilia Adquirida
Ela é adquirida ao longo da vida e pode ser causada por fatores como:
- Autoimunidade, exemplificada pela síndrome antifosfolípide
- Uso de contraceptivos hormonais
- Cirurgias recentes
- Imobilização prolongada
- Algumas doenças crônicas, como câncer
Causas e Fatores de Risco
Diversos fatores podem contribuir para o desenvolvimento da trombofilia, entre eles:
| Fatores de Risco | Descrição |
|---|---|
| Hereditariedade | Mutações genéticas que aumentam risco |
| Idade | Risco aumenta com o avanço da idade |
| Obesidade | Aumenta a pressão sobre os vasos sanguíneos |
| Sedentarismo | Poco movimento facilita a formação de trombos |
| Uso de anticoncepcionais hormonais | Pode aumentar a tendência à coagulação |
| Cirurgias e imobilização prolongada | Aumentam risco de trombose |
| Gravidez | Alterações hormonais e de circulação |
Sintomas da Trombofilia
A trombofilia, em si, muitas vezes é assintomática até que uma complicação ocorra. Quando presente, alguns sinais e sintomas podem indicar problemas de circulação sanguínea:
- Inchaço e dor nas pernas (nas tromboses venosas)
- Vermelhidão na pele
- Sensação de calor na região afetada
- Dificuldade para respirar (especialmente em casos de embolia pulmonar)
- Dor de cabeça intensa ou sintomas neurológicos (em casos de eventos cerebrais)
- Palidez ou cianose em regiões afetadas
Importante: muitas dessas manifestações aparecem após episódios de trombose, tornando essencial a realização de exames de rastreamento em pessoas com fator de risco.
Diagnóstico de Trombofilia
O diagnóstico da trombofilia envolve uma combinação de avaliação clínica e exames laboratoriais. Os principais procedimentos incluem:
- Histórico clínico detalhado: identificando episódios anteriores de trombose ou fatores de risco.
- Exames de sangue específicos: verificando mutações genéticas, níveis de proteínas anticoagulantes, fibrinogênio, D-dímero, entre outros.
Tabela de Exames para Diagnóstico de Trombofilia
| Exame | Objetivo |
|---|---|
| Teste de mutação Fator V Leiden | Detecta mutação que aumenta risco de trombose |
| Mutação na protrombina (G20210A) | Avalia risco genético de coagulação excessiva |
| Dosagem de proteína C e S | Verifica níveis dessas proteínas anticoagulantes |
| Antitrombina III | Detecta deficiência que predispõe à trombose |
| D-dímero | Indica presença de coagulação ativa |
| Testes de anticorpos antifosfolípides | Avalia síndrome antifosfolípide |
Tratamento da Trombofilia
O manejo da trombofilia depende do risco individual, histórico de trombose e presença de fatores agravantes. As principais abordagens incluem:
Medicações Anticoagulantes
- Varfina (warfarina)
- Heparinas de baixo peso molecular
- Novos anticoagulantes orais (DOACs), como rivaroxana e apixabana
Mudanças no Estilo de Vida
- Manter uma alimentação saudável
- Praticar atividades físicas regularmente
- Evitar o sedentarismo
- Controlar o peso corporal
- Evitar o uso de anticoncepcionais hormonais sem orientação médica
Cuidados em Cirurgias e Embarazos
Pessoas com trombofilia podem precisar de profilaxia anticoagulante durante cirurgias ou gestação para prevenir eventos trombóticos.
Prevenção
A prevenção ocorre principalmente através da conscientização sobre fatores de risco e o monitoramento adequado. Algumas dicas valiosas são:
- Realizar exames de sangue periodicamente, especialmente se houver histórico familiar ou fatores de risco.
- Manter uma rotina de atividades físicas.
- Evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool.
- Seguir as recomendações médicas, especialmente em situações de imobilização prolongada ou durante a gestação.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. A trombofilia é uma doença hereditária?
Sim, uma grande parte dos casos é causada por mutações genéticas herdadas, embora fatores adquiridos também possam contribuir.
2. É possível viver normalmente com trombofilia?
Sim, muitas pessoas vivem sem complicações, especialmente se a condição for monitorada e tratada corretamente.
3. Como prevenir complicações relacionadas à trombofilia?
A prevenção inclui o controle dos fatores de risco, uso de medicamentos quando indicado, e acompanhamento médico regular.
4. A trombofilia pode afetar a gravidez?
Sim, ela pode aumentar o risco de abortos espontâneos, pré-eclâmpsia, e tromboses durante a gestação. Por isso, acompanhamento especializado é fundamental.
5. Quais profissionais de saúde devo procurar em caso de suspeita?
Hematologistas, clínicos gerais, cardiovascular e ginecologistas podem auxiliar no diagnóstico e tratamento.
Conclusão
A trombofilia é uma condição de saúde que, embora possa passar despercebida, tem potencial para causar complicações sérias se não for identificada e gerenciada adequadamente. Conhecer os fatores de risco, sintomas, meios de diagnóstico e tratamento adequados é fundamental para prevenir eventos trombóticos e manter uma vida saudável. Como destacou o médico Dr. Eduardo Rezende, "a conscientização e o acompanhamento médico são suas maiores armas contra a trombofilia."
Se você possui fatores de risco ou histórico familiar de trombose, procure um profissional de saúde para orientações específicas e prevenção.
Referências
- Sociedade Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular. Trombofilia: o que é e como tratar.
- Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH). Thrombophilia. Disponível em: https://medlineplus.gov/.
Este artigo foi elaborado com o objetivo de fornecer informações claras e acessíveis sobre trombofilia, promovendo a conscientização e o cuidado com a saúde vascular.
MDBF