O Que É Prisão Preventiva: Entenda o Conceito Jurídico
A prisão preventiva é uma medida cautelar prevista no ordenamento jurídico brasileiro que visa assegurar a ordem pública, a instrução criminal e a aplicação da lei penal. Muitas pessoas têm dúvidas sobre o verdadeiro significado desse conceito, suas condições de aplicação, direitos do acusado e implicações legais. Este artigo busca esclarecer de forma aprofundada o que é a prisão preventiva, suas fundamentações legais, critérios, e responder às principais perguntas relacionadas ao tema.
Introdução
No sistema penal brasileiro, a prisão preventiva é uma ferramenta essencial para garantir a efetivação do processo penal e a segurança da sociedade. Seu uso, no entanto, exige critérios rigorosos e observância dos direitos do indivíduo. Afinal, a liberdade individual é um direito fundamental protegido pela Constituição Federal, o que torna importante compreender quando e como essa medida pode ser aplicada de forma legítima.

O que é prisão preventiva?
Definição Jurídica
De acordo com o Artigo 312 do Código de Processo Penal (CPP), a prisão preventiva é um modo de restrição da liberdade do acusado, que pode ser decretada pelo juiz durante a tramitação do processo penal, antes da sentença definitiva, para garantir a ordem pública, a conveniência da instrução criminal ou a aplicação da lei penal.
"A prisão preventiva é uma medida de cautela, cuja finalidade principal é assegurar o andamento do processo, evitando que o acusado prejudique as investigações ou prefeito a ordem pública." — (Geraldo Prado, Curso de Processo Penal)
Características principais
- Preventiva: não tem como objetivo punitivo imediato, mas uma medida cautelar.
- Provisória: pode ser revogada ou substituída por outras medidas.
- Decretada por decisão judicial: após análise de fundamentos específicos.
- Durante o processo: pode ocorrer antes ou durante o julgamento.
Diferença entre prisão preventiva, temporária e prisão em flagrante
| Tipo de prisão | Finalidade | Momento de aplicação | Prazo máximo |
|---|---|---|---|
| Prisão preventiva | Garantir a ordem pública, instrução ou aplicação da lei | Antes ou durante o processo | 90 dias, podendo ser prorrogada por igual período |
| Prisão temporária | Investigações específicas em crimes complexos, como crimes graves | Durante a investigação policial | 5 dias, prorrogáveis por mais 5 |
| Prisão em flagrante | Quando o indivíduo é pego em flagrante delito | No momento do crime | Prazo máximo de 24 horas, podendo ser convertido em preventiva |
Fundamentos legais e critérios para decretação da prisão preventiva
Bases na Constituição e no Código de Processo Penal
A Constituição Federal brasileira garante o princípio da presunção de inocência, mas também autoriza, em seu artigo 5º, inciso LXI, a prisão preventiva:
"Ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judicia."
O Artigo 312 do CPP detalha os fundamentos para a decretação:
Art. 312 - CPP:
"O juiz poderá decretar a prisão preventiva do acusado quando houver elementos que indiquem a existência do delito e sua autoria, e houver fundamentos que justifiquem a necessidade da prisão, especialmente quando:
I - por motivo de conveniência da instrução criminal;
II - para garantir a ordem pública;
III - para garantir a aplicação da lei penal."
Os requisitos essenciais
Para a decretação da prisão preventiva, a autoridade judicial deve observar os seguintes requisitos:
- Indícios suficientes de autoria e materialidade do crime.
- Fundamentos concretos que justifiquem sua necessidade.
- Ausência de medidas menos drásticas que possam substituir a prisão (como monitoração eletrônica, por exemplo).
Hipóteses de aplicação
Segundo o Artigo 313 do CPP, a decretação pode ocorrer nos seguintes casos:
- Quando houver risco à ordem pública;
- Para prevenir a reiteração criminosa;
- Para garantir a aplicação da lei penal;
- Quando existirem MOTIVOS especiais que justifiquem sua aplicação no caso concreto, como fuga ou risco de destruição de provas.
Critérios de aplicação da prisão preventiva
Considerações essenciais
A decretação da prisão preventiva é uma medida que deve ser adotada com extremo cuidado, sempre fundamentada e justificável, sob pena de violar princípios constitucionais, como o daLegalidade, da Presunção de Inocência e da Dignidade da Pessoa Humana.
Princípios norteadores
- Legalidade: só pode ser decretada quando prevista na lei.
- Necessidade: deve haver justificativa concreta para sua aplicação.
- Proporcionalidade: deve guardar relação com a gravidade do crime e a situação do réu.
- Motivação: precisa constar expressamente na decisão judicial.
Critérios objetivos
- Risco de fuga do réu;
- Risco à investigação ou à instrução criminal;
- Perigo à ordem pública decorrente da periculosidade do acusado.
Procedimento para decretação e ruptura da prisão preventiva
Após a denúncia ou queixa, o juiz analisará o pedido de prisão preventiva caso o Ministério Público ou a defesa apresentem argumentos fundamentados. O réu deverá ser notificado, e ele poderá apresentar contrarrazões.
Revisão da prisão preventiva
De acordo com o Artigo 316 do CPP, o juiz ou o tribunal poderá revisar a prisão a qualquer tempo, a pedido da parte interessada, ou de ofício.
Substituição por outras medidas cautelares
A prisão preventiva não é a única possibilidade de garantia da ordem pública. Medidas como monitoramento eletrônico, comparecimento periódico em juízo, fiança, entre outras, podem substituir a prisão preventiva quando cabíveis.
Tabela: Diferenças entre prisão preventiva e outras medidas cautelares
| Medida | Finalidade | Limitação de prazo | Aplicação alimentícia |
|---|---|---|---|
| Prisão preventiva | Garantir o processo, segurança pública | Indefinida durante o processo | Não, é uma pena atípica |
| Prisão temporária | Investigar crimes graves | Máximo de 5 dias (prorrogável) | Não |
| Medidas cautelares diversas da prisão | Para assegurar o andamento do processo | Variável, conforme medida | Sim, podem substituir a prisão preventiva |
Direitos do réu na prisão preventiva
A Constituição Federal e o Código de Processo Penal garantem direitos fundamentais ao réu preso preventivamente:
- Direito à ampla defesa;
- Direito de ser informado acerca dos motivos da prisão;
- Direito a assistência de advogado;
- Direito de recorrer contra a decretação da prisão;
- Direito de relaxamento da prisão ilegal.
Perguntas Frequentes
1. A prisão preventiva é uma pena antecipada?
Não. A prisão preventiva não implica uma condenação, mas uma medida cautelar prevista na lei para garantir o andamento do processo e a ordem pública.
2. Quanto tempo pode durar uma prisão preventiva?
Sem previsão legal, ela pode durar até o final do processo. No entanto, o Supremo Tribunal Federal entende que sua duração deve ser compatível com a complexidade do caso, e sua manutenção deve ser revista periodicamente.
3. Quais são as condições para revogação da prisão preventiva?
Se surgirem novos fatos que demonstrem que a prisão não é mais necessária, ou se outras medidas cautelares forem suficientes, o juiz pode determinar a revogação ou substituição da prisão preventiva.
4. É possível a substituição por medidas alternativas?
Sim, o juiz pode substituir a prisão preventiva por medidas como uso de tornozeleira eletrônica, fiança ou comparecimento periódico em juízo.
Conclusão
A prisão preventiva é uma ferramenta importante e prevista na legislação brasileira para a garantia da ordem pública, da instrução criminal e da aplicação da lei penal. Contudo, seu uso deve ser sempre fundamentado, proporcional e com respeito aos direitos fundamentais do indivíduo. Sua correta aplicação é fundamental para evitar abusos e assegurar o equilíbrio entre a necessidade de segurança e a liberdade individual.
Referências
BRASIL. Código de Processo Penal (Lei nº 3.689/41). Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del3689.htm
PRADO, Geraldo. Curso de Processo Penal. Editora Impetus, 2018.
SILVA, José Frederico. Manual de Processo Penal. Saraiva, 2019.
STF. Jurisprudência consolidada sobre prisão preventiva. Disponível em: https://portal.stf.jus.br
"A liberdade é o direito de ser culpado, não de ser inocente." — (Geraldo Prado)
Quer entender mais sobre o tema? Para uma leitura mais aprofundada sobre os direitos do acusado na fase processual, acesse: Direitos do Réu no Processo Penal.
Para acompanhar as novidades e atualizações legislativas, consulte o Site do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
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