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Lacerações no Parto: O Que São e Como São Tratadas

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Durante o parto, a mulher passa por diversas transformações físicas e emocionais. Entre os aspectos que merecem atenção, estão as lacerações que podem ocorrer na região perineal. Ainda que muitas mulheres tenham Partos sem complicações, as lacerações são uma realidade que pode afetar a recuperação e o bem-estar pós-parto. Entender o que são as lacerações, seus tipos, fatores de risco e tratamentos é fundamental para mães, profissionais de saúde e familiares. Neste artigo, abordaremos tudo o que você precisa saber sobre as lacerações no parto, esclarecendo dúvidas e fornecendo informações importantes para uma gestação e parto mais conscientes e seguros.

O que são lacerações no parto?

Lacerações no parto são rupturas que acontecem na região perineal, ou seja, na área entre a vulva e o ânus, durante o procedimento de parto. Essas rupturas podem variar em intensidade, desde pequenas lesões superficiais até lacerações mais profundas que envolvem músculos e tecidos ao redor do ânus e reto.

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Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), "as lacerações no parto representam uma das possíveis complicações do parto vaginal, podendo impactar na recuperação e na qualidade de vida da mulher após o nascimento."

Tipos de lacerações no parto

As lacerações são classificadas em diferentes graus, de acordo com a profundidade e os tecidos afetados:

GrauDescriçãoExemplos de Lesões
Grau 1Ruptura superficial da pele do períneoRasgos na pele, sem atingir os músculos subjacentes
Grau 2Ruptura que atinge músculos perineaisRasgos que envolvem músculos do períneo, mas sem atingir reto ou mucosa anal
Grau 3Ruptura até o esfíncter analLesões que envolvem o músculo do esfíncter anal, podendo afetar controle fecal
Grau 4Ruptura que envolve reto e mucosa analLacerações extensas que atingem a mucosa do reto e o esfíncter anal

Lacerações de Grau 1 a 2

São as mais comuns, geralmente resultando em desconforto moderado, mas com recuperação rápida. Muitas vezes, podem ser suturadas de forma simples pelo profissional de saúde.

Lacerações de Grau 3 a 4

São mais graves, requerendo atenção especializada e, muitas vezes, cirurgia reparadora. Podem causar incontinência, dor severa e complicações de longo prazo se não forem tratadas corretamente.

Causas e fatores de risco

Diversos fatores podem aumentar as chances de ocorrência de lacerações durante o parto:

  • Posição de parto: Partos em posições não convencionais podem aumentar a tensão perineal.
  • Orientação da força de expulsão: Empurrar de forma inadequada pode prejudicar a integridade do períneo.
  • Tamanho do bebê: Fetos maiores (macrossomia) podem exercer maior pressão na região perineal.
  • Anestesia peridural: Pode diminuir a sensibilidade, levando a uma força maior durante a expulsão.
  • Histórico de lacerações anteriores: Mulheres que já tiveram lacerações tendem a apresentá-las em novos partos.
  • Uso de fórceps ou ventosas: Procedimentos assistidos podem aumentar o risco de lacerações.
  • Falta de preparação perineal: Técnicas de preparação, como massagens, podem reduzir o risco.

Como prevenir lacerações no parto

A prevenção de lacerações envolve cuidados antes, durante e após o parto:

  • Perineo preparado: Técnicas de massagem perineal nas semanas que antecedem o parto ajudam na elasticidade da região.
  • Posições favoráveis: Optar por posições que reduzam a pressão na região perineal.
  • Controle adequado da força de expulsão: Orientação profissional para evitar empurrões excessivos.
  • Uso de verniz withers ou cálcio: Em alguns casos, pode ajudar na elasticidade dos tecidos.
  • Evitar episiotomia desnecessária: Não realizar cortes no períneo trata-se de uma abordagem que minimiza o risco de lacerações extensas.

Diagnóstico e tratamento das lacerações

Diagnóstico

O diagnóstico das lacerações é realizado logo após o parto, por meio do exame clínico realizado pelo obstetra ou equipe de enfermagem. A classificação do grau da laceração orienta o tratamento adequado.

Tratamento

O tratamento varia conforme o grau da laceração:

  • Lacerações de Grau 1 e 2: Geralmente, suturas locais anestesiadas e simples, com bons resultados na cicatrização.
  • Lacerações de Grau 3 e 4: Reparo cirúrgico realizado por cirurgião de parto, podendo incluir sedação e analgesia específicas. Pós-operatório inclui controle da dor, higiene adequada e acompanhamento com profissionais.

Segundo a fisioterapeuta especializada em fisioterapia pélvica, "a reabilitação após lacerações, especialmente as mais profundas, é fundamental para preservar a função perineal e prevenir complicações a longo prazo."

Recuperação e cuidados após o parto

Após o reparo, cuidados especiais garantem uma recuperação mais rápida e sem complicações:

  • Manter a higiene local
  • Evitar esforço excessivo
  • Uso de analgésicos recomendados pelo médico
  • Evitar o uso de tampões nos primeiros dias
  • Realizar exercícios de fisioterapia pélvica, caso indicado

Perguntas frequentes sobre lacerações no parto

1. As lacerações sempre ocorrem durante o parto vaginal?

Não, as lacerações podem ocorrer por diferentes motivos, mas são mais comuns no parto vaginal. Partos cesáreos geralmente apresentam menor risco de lacerações perineais, embora possam envolver outros tipos de complicações cirúrgicas.

2. É possível evitar completamente as lacerações no parto?

Embora técnicas e cuidados possam reduzir significativamente o risco, nem sempre é possível evitá-las totalmente devido à complexidade do parto e fatores individuais.

3. Quanto tempo leva para cicatrizar uma laceração?

O tempo de cicatrização varia de acordo com o grau da laceração, cuidados na recuperação e da saúde da mulher, podendo levar de algumas semanas a meses.

4. Lacerações podem prejudicar a vida sexual da mulher?

Sim, principalmente as mais profundas ou mal cicatrizadas, podendo causar dor durante o sexo ou sensação de desconforto. A fisioterapia pélvica e acompanhamento especializado ajudam a melhorar esses aspectos.

5. Quando procurar ajuda médica após o parto?

Se houver dor intensa, inchaço, secreção, febre ou qualquer sinal de infecção, procure atendimento médico imediatamente.

Considerações finais

As lacerações no parto são uma realidade enfrentada por muitas mulheres, mas com os avanços das técnicas obstétricas e cuidados preventivos, sua incidência pode ser reduzida e seus efeitos minimizados. A compreensão sobre o tema é fundamental para que as gestantes possam participar ativamente do processo de parto, buscando profissionais qualificados e bem informadas.

Lembre-se de que a comunicação com a equipe médica, o preparo perineal e o acompanhamento pós-parto são essenciais para uma recuperação tranquila e segura. Como disse o obstetra americano Dr. Michel Odent, "respeitar o corpo da mulher durante o parto é a melhor forma de evitar complicações e garantir uma experiência positiva."

Referências

  • FEBRASGO - Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. (2020). Diretrizes para partograma e parto. Disponível em: https://febrasgo.org.br
  • Ministério da Saúde. (2018). Parto humanizado. Disponível em: https://saude.gov.br
  • World Health Organization. (2018). Care around labor and birth. Disponível em: https://who.int

Esperamos que este artigo tenha esclarecido as suas dúvidas sobre as lacerações no parto. Cuide-se, informe-se e participe ativamente do seu momento mais especial!