O que é Gravidez Molar: Entenda Causas, Sintomas e Tratamento
A gravidez molar, também conhecida como gestação molar ou mola hidatiforme, é uma condição rara que afeta o desenvolvimento normal da gravidez. Apesar de não ser muito comum, ela requer atenção especial, diagnóstico precoce e tratamento adequado para garantir a saúde da mulher e evitar complicações futuras.
Neste artigo, abordaremos de forma detalhada tudo o que você precisa saber sobre a gravidez molar, incluindo suas causas, sinais, sintomas, métodos de diagnóstico, opções de tratamento e recomendações para o acompanhamento após o diagnóstico.

Introdução
A gravidez é um momento de expectativas e emoções positivas na vida de uma gestante. Entretanto, ocasionalmente, surgem complicações que podem colocar em risco a saúde da mãe e do bebê. A gravidez molar é uma dessas condições, caracterizada por um crescimento anormal do tecido que normalmente deveria formar a placenta.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a incidência de gravidez molar varia de 1 em cada 1.000 a 2.500 gestações em todo o mundo, sendo mais comum em países em desenvolvimento. Compreender seus aspectos, causas, sintomas e tratamentos é fundamental para garantir uma intervenção rápida e eficaz.
O que é gravidez molar?
Definição
A gravidez molar é uma gestação em que há um crescimento anormal do tecido placentário, levando à formação de uma massa de tecido hidrópico (cheia de líquido), com aparência de frutas ou de uma "mola". Essa condição ocorre devido a um erro na fertilização do óvulo, que resulta num desenvolvimento anormal das células.
Tipos de gravidez molar
Existem dois principais tipos de gravidez molar:
| Tipo | Descrição | Características |
|---|---|---|
| Mola completa | Ocorre quando não há um embrião viável; toda a placenta é anormal e geralmente há produção de tecido molar. | Não há desenvolvimento embrionário, apenas tecido placentário anormal. |
| Mola parcial | Resulta da fertilização de um óvulo por dois espermatozoides ou de um espermatozoide com duplicação do material genético. | Pode haver um embrião com anomalias, além de tecido molar. |
Causas da gravidez molar
A gravidez molar ocorre devido a uma falha no processo de fertilização e formação da placenta. As principais causas incluem fatores genéticos e ambientais:
Fatores genéticos
- Resquícios de erro na divisão celular: Durante a fertilização, o material genético pode ser duplicado ou ausente, levando à formação de um tecido anormal.
- Anomalias nos cromossomos: Por exemplo, quando o óvulo está sem núcleo ou com material genético duplicado.
Fatores de risco
Entender os fatores de risco ajuda na prevenção e no diagnóstico precoce. São eles:
- Idade materna avançada (> 35 anos) ou muito jovem
- História de gravidez molar anterior
- Menorragia (sangramento vaginal anormal)
- Dieta pobre em folato
- Uso de contraceptivos hormonais anteriormente, que podem alterar a fertilidade
Sintomas da gravidez molar
Os sinais da gravidez molar podem ser semelhantes aos de uma gestação normal, mas também apresentam algumas diferenças notáveis:
Sintomas comuns
- Sangramento vaginal: Geralmente de tonalidade vermelha escura e ocorre nas primeiras semanas.
- Aumento súbito do volume do útero: Pode parecer maior do que o esperado para o tempo de gestação.
- Náusea e vômitos intensos: Mais intensos do que o normalmente esperado na gravidez.
- Pressão arterial elevada: Pode indicar uma condição associada, como hipertensão gestacional.
- Presença de cistos ovarianos: Como consequência do crescimento anormal.
Sintomas menos comuns
- Perda de peso
- Presença desia de evacuar ou dores abdominais
- Presença de sinais de hipertireoidismo, devido à produção de hormônios tireoidianos pela mola
Diagnóstico
Exames de rotina e de confirmação
O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações. Os principais exames incluem:
Ultrassonografia
- Revela uma imagem caracterizada por uma "massa de cacau" ou "rosário" devido às alterações na placenta.
- Pode identificar a ausência de um embrião viável no caso de mola completa.
Dosagem de hCG
- Aumento anormal dos níveis do hormônio gonadotrofina coriônica humana (hCG), que é esperado em gestação, mas elevado na gravidez molar.
Análise histopatológica
- Após a curetagem uterina, o tecido obtido é analisado para confirmar o diagnóstico.
Tabela comparativa: diagnóstico da gravidez molar
| Exame | Esperado na gravidez molar | Outras condições |
|---|---|---|
| Ultrassonografia | Massa heterogênea com padrão "ovo de codorna" ou "blob" | Gestação normal ou aborto espontâneo |
| Dosagem de hCG | Níveis extremamente elevados | Gestação normal, aborto espontâneo |
| Análise histopatológica | Tecido placentário anormal e edematoso | Tecido placentário normal |
Tratamento da gravidez molar
Procedimentos iniciais
O tratamento padrão para a gravidez molar é a curtagem uterina, que remove o tecido anormal. Este procedimento deve ser realizado por um ginecologista experiente, sob acompanhamento adequado.
Cuidados após o procedimento
| Aspecto | Recomendações |
|---|---|
| Acompanhamento dos níveis de hCG | Monitoramento periódico até que os níveis retornem ao normal. |
| Uso de contraceptivos | Recomendado evitar gravidez por pelo menos 6 meses a 1 ano. |
| Consultas regulares | Para garantir a completa recuperação e detectar precocemente possíveis complicações. |
Possíveis complicações
- Persistência ou desenvolvimento de tumor trofoblástico: Pode ocorrer se o tecido molar não for completamente removido.
- Câncer de útero (choriocarcinoma): Exigindo tratamento com quimioterapia.
Tratamento do câncer trofoblástico
Caso haja persistência da doença, o tratamento inclui quimioterapia de alta eficácia, com chances de cura total.
Acompanhamento e recuperação
Após o tratamento, a mulher deve realizar exames periódicos de dosagem de hCG para monitorar a evolução. A maioria das mulheres consegue uma recuperação total e pode engravidar novamente após o período de acompanhamento.
Recomendações importantes
- Evitar gestação por pelo menos um ano após a cura.
- Realizar exames de rotina para verificar a normalidade do útero e recidiva.
- Apoio psicológico pode ser necessário para lidar com o estresse emocional decorrente da condição.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. A gravidez molar é comum?
Não, é uma condição rara, ocorrendo em cerca de 1 a cada 1.500 a 2.000 gestações.
2. É possível engravidar novamente após uma gravidez molar?
Sim, desde que receba o aval do médico e esteja o tempo recomendado em acompanhamento.
3. A gravidez molar pode causar complicações graves?
Se não for diagnosticada ou tratada corretamente, pode levar a complicações sérias, como o desenvolvimento de câncer de útero.
4. Como é o acompanhamento após a cura?
Envolve exames periódicos de hCG por pelo menos 6 meses, além de orientações para evitar nova gravidez nesse período.
5. Existe prevenção para a gravidez molar?
Não há uma prevenção específica, mas o acompanhamento pré-natal cuidadoso e a realização de exames iniciais ajudam na detecção precoce.
Conclusão
A gravidez molar é uma condição que, apesar de rara, exige atenção especializada para garantir a saúde da mulher. Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento rigoroso, as chances de cura são elevadas, permitindo que a mulher retome sua vida normal e planeje futuras gestações com segurança.
Se você apresentAR sintomas ou dúvidas, procure sempre um profissional de saúde qualificado para uma avaliação completa. O conhecimento e a prevenção são essenciais para uma gestação segura e saudável.
Referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Gestação molar: estudos e dados. Disponível em: https://www.who.int
- Ministério da Saúde. Protocolo para Diagnóstico e Tratamento da Gestação Molar. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
- Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (SBGO). Manual de Obstetrícia. 3ª edição, 2019.
“A informação é uma aliada poderosa na busca por uma gestação saudável e segura.”
MDBF