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O Que É Frigida: Causas, Sintomas e Tratamentos - Guia Completo

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A saúde sexual feminina é um tema muitas vezes cercado de tabus e mitos, dificultando a compreensão e o tratamento de questões importantes como a frigidez. Apesar de ser um termo usado há décadas, sua definição, causas e opções de tratamento continuam a gerar dúvidas entre mulheres, profissionais da saúde e o público em geral.

Neste guia completo, abordaremos detalhadamente o que é frigidez, suas possíveis causas, sintomas, tratamentos disponíveis, além de tirar dúvidas frequentes. Se você busca entender melhor essa condição e como lidar com ela, continue lendo.

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Introdução

A sexualidade feminina é um aspecto fundamental da vida, trazendo prazer, bem-estar emocional e fortalecimento de vínculos afetivos. Contudo, muitas mulheres enfrentam dificuldades na fase de excitação e satisfação, levando ao que foi tradicionalmente chamado de "frigidez". Embora o termo seja controverso e considerado por alguns como ultrapassado, ainda é utilizado para descrever a ausência ou diminuição do desejo sexual.

Segundo a ginecologista e sexóloga Dra. Ana Paula Monteiro, “é importante entender que a sexualidade é multifatorial e o que causa a frigidez pode variar de mulher para mulher, incluindo fatores físicos, emocionais e sociais.”

Ao compreender melhor essa condição, é possível buscar tratamentos eficazes e melhorar a qualidade de vida sexual de forma segura e saudável.

O que é Frigidez?

Definição

A frigidez, termo popularmente utilizado para designar a falta de desejo sexual, refere-se à diminuição ou ausência de interesse pela atividade sexual, acompanhada frequentemente de dificuldades na fase de excitação ou na obtenção de prazer durante o ato sexual.

Uma abordagem mais atual

Atualmente, o termo mais adequado e utilizado na comunidade médica é Distúrbio do Desejo Sexual Hipoativo (HSDD - Hypoactive Sexual Desire Disorder), reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelos manuais de classificação como o DSM-5.

“A questão do desejo sexual não deve ser vista apenas como um problema de libido, mas como uma complexa interação entre fatores físicos, emocionais e ambientais,” afirma a psicóloga especialista em sexualidade, Dra. Carla Silveira.

Diferença entre frigidez, desejo sexual e disfunções sexuais

TermoDefiniçãoObservação
FrigidezDiminuição ou ausência de desejo sexualTermo antigo, com conotações morais e moralizantes
Desejo SexualInteresse pela atividade sexualPode variar de pessoa para pessoa
Disfunção SexualDificuldade persistente em algum aspecto da resposta sexualComo dificuldade de excitação, orgasmo, dor durante o ato

Causas da Frigidez

As causas da frigidez podem ser diversas e interligadas. Conhecer esses fatores é fundamental para orientar o diagnóstico e o tratamento.

Causas físicas

  • Alterações hormonais: baixos níveis de estrogênio, testosterona ou outras hormonas podem reduzir o desejo.
  • Problemas de saúde: diabetes, hipertensão, doenças neurológicas, uso de medicamentos como antidepressivos.
  • Fatores anatômicos ou fisiológicos: condições como hipertrofia do hímen ou infecções vaginais que causam desconforto.

Causas emocionais e psicológicas

  • Traumas passados: abusos sexuais, violência, experiências traumáticas.
  • Baixa autoestima: insatisfação com o corpo, ansiedade ou depressão.
  • Problemas conjugais: conflitos, falta de intimidade, comunicação deficiente.

Causas sociais e culturais

  • Crenças religiosas ou culturais restritivas.
  • Pressões sociais e tabus relativos à sexualidade.
  • Falta de informação ou educação sexual inadequada.

Fatores relacionados à vida cotidiana

  • Estresse, cansaço excessivo, sobrecarga de trabalho.
  • Uso de drogas, álcool e tabaco.
  • Constante preocupação com a aparência e corpo.

Sintomas da Frigidez

Os sintomas podem variar, mas geralmente incluem:

  • Baixo ou nenhum desejo sexual.
  • Dificuldade de se excitar durante o toque ou relação sexual.
  • Ausência de fantasias ou pensamentos sexuais.
  • Falta de interesse por atividades prazerosas relacionadas à sexualidade.
  • Desconforto ou dor durante o ato sexual, em alguns casos relacionados.

Diagnóstico

O diagnóstico deve ser feito por um profissional especializado, considerando fatores médicos, psicológicos e sociais. Em geral, envolve uma avaliação detalhada da história clínica, além de exames físicos e laboratoriais, quando necessário.

Tratamentos para Frigidez

O tratamento depende da causa identificada e costuma ser multidisciplinar, envolvendo médicos, psicólogos, ginecologistas e terapeutas sexuais.

Tratamentos medicamentosos

  • Terapia hormonal: reposição de estrogênio ou testosterona, quando há deficiência hormonal.
  • Medicamentos específicos: alguns estudos indicam o uso de fármacos como a flibanserina, para mulheres com desejo sexual hipoativo.

Tratamentos psicológicos e terapêuticos

  • Terapia cognitivo-comportamental (TCC): para tratar ansiedade, depressão ou traumas.
  • Psicoterapia de casal: melhorar a comunicação e resolver conflitos.
  • Orientação e educação sexual: para desmistificar mitos e promover o autocuidado e autoconhecimento.

Mudanças no estilo de vida

  • Praticar atividades físicas regularmente.
  • Alimentação saudável.
  • Técnicas de relaxamento e redução de estresse.
  • Melhorar a qualidade do sono.

Recursos e alternativas

Para quem deseja explorar tratamentos alternativos ou complementares, há opções como terapia de casal, yoga, meditação, e uso de lubrificantes e produtos naturais sob orientação médica.

Tabela de Opções de Tratamento para Frigidez

Tipo de TratamentoExemplosBenefícios
Medicamentos hormonaisTerapia de reposição hormonal (TRH), testosterona tópicaRestabelece níveis hormonais, melhora libido
PsicoterapiaTerapia cognitivo-comportamental, terapia de casalTrabalha fatores emocionais e relacionais
Estilo de vidaExercícios físicos, alimentação equilibradaReduz estresse, melhora o bem-estar geral
Recursos naturais e complementaresAcupuntura, fitoterapia, meditaçãoComplementam o tratamento tradicional

Perguntas Frequentes

1. A frigidez é uma condição permanente?

Não necessariamente. A frigidez pode ser temporária ou crônica, dependendo das causas. Muitas vezes, o tratamento adequado resolve o problema.

2. Toda mulher que tem baixa libido sofre de frigidez?

Nem toda mulher com pouca vontade de ter relações sofre de frigidez. É importante diferenciar a simples variação natural do desejo sexual de um transtorno que afeta a qualidade de vida.

3. Existem medicamentos que podem melhorar a libido feminina?

Sim, alguns medicamentos como a flibanserina (comercialmente conhecida como Addyi) estão disponíveis em alguns países para tratar o desejo sexual hipoativo, mas seu uso deve ser orientado por um especialista.

4. O que fazer se suspeitar de frigidez?

Procure um ginecologista ou um profissional especializado em saúde sexual para uma avaliação completa. O diagnóstico correto é fundamental para um tratamento efetivo.

Conclusão

A compreensão sobre o que é frigidez e suas causas é fundamental para promover uma abordagem saudável e sem tabus da sexualidade feminina. Apesar do termo ser desatualizado e carregado de estigmas, a diminuição do desejo sexual é uma questão que pode ser tratada com sucesso, desde que identificada corretamente.

A busca por ajuda profissional, mudança de hábitos, suporte psicológico e, quando necessário, o uso de medicações específicas, podem transformar a vida sexual e melhorar o bem-estar emocional das mulheres que enfrentam esse desafio.

Lembre-se: sua sexualidade é uma parte essencial de quem você é e merece atenção, respeito e cuidado.

Referências

  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). 2001.
  • American Psychiatric Association. DSM-5 – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 2013.
  • Silva, C. M. et al. (2020). Disfunções Sexuais Femininas: Diagnóstico e Tratamento. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia.
  • Monteiro, A. P. (2019). Saúde Sexual da Mulher: Abordagens e Tratamentos. Editora Saúde e Vida.
  • Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (SBGO)
  • Associação Brasileira de Psicologia e Sexologia

Este artigo é uma orientação geral e não substitui uma avaliação médica especializada. Sempre procure um profissional qualificado para diagnóstico e tratamento adequado.