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Febre Reumática: Entenda Causas, Sintomas e Tratamentos

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A febre reumática é uma condição inflamatória que afeta principalmente crianças e adolescentes após uma infecção por estreptococos do grupo A, como a amigdalite ou faringite. Apesar de sua gravidade e das complicações que pode ocasionar, ela ainda é uma doença pouco compreendida por grande parte da população. Compreender suas causas, sintomas e opções de tratamento é essencial para evitar sequelas que podem comprometer a qualidade de vida do paciente.

Este artigo tem como objetivo esclarecer tudo sobre a febre reumática, abordando de forma detalhada suas causas, sintomas, diagnóstico, tratamentos e formas de prevenção, contribuindo para a conscientização e o cuidado adequado.

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O que é a febre reumática?

A febre reumática é uma doença inflamatória que ocorre como uma resposta autoimune a uma infecção por estreptococos do grupo A, que muitas vezes provoca uma amigdalite ou faringite não tratada ou inadequadamente tratada. Essa condição pode afetar o coração, articulações, pele e cérebro.

Segundo o Instituto Nacional de Cardiologia (INC), a febre reumática é uma das maiores causas de doenças cardíacas adquiridas em países em desenvolvimento. Apesar de ser pouco comum em países com bom saneamento básico e acesso à saúde, ela ainda representa um desafio na saúde pública brasileira.

Causas da febre reumática

Infecção por estreptococos do grupo A

A principal causa da febre reumática é a infecção por estreptococos do grupo A. Essa bactéria causa infecções na garganta, como amigdalite, que muitas vezes podem passar despercebidas ou não serem tratadas adequadamente.

Resposta autoimune

Após a infecção, o sistema imunológico do indivíduo reage de forma exagerada, atacando não apenas os germes, mas também tecidos do próprio corpo, em especial o coração, as articulações, a pele e o sistema nervoso central. Esse ataque autoimune é responsável pelos principais sintomas e complicações da doença.

Fatores de risco

  • Idade entre 5 e 15 anos
  • Condições de saneamento precárias
  • Histórico familiar de doenças reumáticas
  • Falta de tratamento adequado para infecções de garganta
  • Baixa renda e acesso limitado à assistência médica

Sintomas da febre reumática

Sintomas gerais

A febre reumática apresenta uma variedade de sinais que podem surgir semanas após a infecção por estreptococos. Os sintomas mais comuns incluem:

SintomasDescrição
FebreAumento da temperatura corporal, geralmente acima de 38°C.
Dor nas articulaçõesInflamação que causa dor, inchaço e rigidez nas maiores articulações, como joelhos, tornozelos, pulsos e cotovelos.
Nódulos subcutâneosPequenos nódulos indolores sob a pele, geralmente nas áreas de tendões ou em torno das articulações.
Verruga cutâneaLesões de pele, frequentemente na região das costelas ou joelhos.
Movimentos involuntáriosTics ou movimentos rápidos e descontrolados, conhecidos como coreia de Sydenham.
Eritema marginadoLesões circulares, avermelhadas e com bordas elevadas na pele, raramente presentes.

Sintomas do acometimento cardíaco

A febre reumática pode afetar as válvulas cardíacas, levando a uma condição conhecida como cardite reumática, que pode causar:

  • Sopros cardíacos
  • Palpitações
  • Dispneia (falta de ar)
  • Edema dos membros inferiores

Sintomas do envolvimento neurológico e cutâneo

A manifestação neurológica, a coreia de Sydenham, caracteriza-se por movimentos involuntários, irregulares e muitas vezes descoordenados, podendo durar semanas. Já as lesões cutâneas aparecem como manchas vermelhas ou róseas, que podem se espalhar pelo corpo.

Como é feito o diagnóstico da febre reumática?

Critérios de Jones

O diagnóstico da febre reumática é clínico, baseado em critérios estabelecidos pelo Conjunto de Critérios de Jones. Para confirmar, é necessário que o paciente apresente pelo menos dois critérios maiores ou um maior e dois menores, além de evidências de infecção por estreptococos.

Exames complementares

Para auxiliar no diagnóstico, alguns exames podem ser solicitados, como:

  • Exame de sangue: para verificar sinais de inflamação (PCR, VSH), anticorpos antiestreptococos (antiestreptolisina O) e aumento de contagem de leucócitos.
  • Eletrocardiograma (ECG): para identificar alterações na condução elétrica do coração.
  • Ecocardiograma: para avaliar alterações nas válvulas cardíacas.
  • Ressonância magnética: quando há suspeita de envolvimento neurológico.

Tabela de critérios de Jones

Critérios MaioresCritérios MenoresEvidência de infecção estreptocócica
CarditeFebreTeste positivamente para estreptococos ou anticorpos antiestreptococos.
Artrite migratóriaFadigaDinâmica da infecção recente.
Coreia de SydenhamHistória pregressa de febre reumática.
Nódulos subcutâneosValores alterados de PCR ou VSH
Eritema marginado

Tratamentos disponíveis

Tratamento da infecção por estreptococos

Antes de qualquer coisa, é essencial tratar a infecção estreptocócica com antibióticos. A penicilina é a primeira escolha e deve ser administrada por via intramuscular ou oral, dependendo do caso. O tratamento correto evita a progressão para febre reumática.

Controle da resposta inflamatória

Para reduzir a inflamação, podem ser utilizados:

  • Anti-inflamatórios não esteroides (AINES), como o ibuprofeno.
  • Corticosteroides, em casos mais severos de cardite.

Seguimento e profilaxia

Devido à possibilidade de recaídas, a profilaxia com antibióticos é imprescindível por até 10 anos ou até a idade adulta, especialmente em casos com complicações cardíacas. A profilaxia antibiótica é fundamental para prevenir o agravamento da doença.

Tratamento das manifestações específicas

  • Articulações: uso de AINES para aliviar dor e inflamação.
  • Coreia de Sydenham: medicamentos antiparkinsonianos ou sedativos, caso necessário.
  • Complicações cardíacas: acompanhamento cardiológico regular, podendo incluir medicações para insuficiência cardíaca ou cirurgia valvular.

Prevenção e medidas de cuidado

Prevenção primária

  • Tratamento adequado e precoce das infecções de garganta por estreptococos.
  • Manter hábitos de higiene pessoal e cuidados com a higiene do ambiente escolar e familiar.

Prevenção secundária

  • Uso contínuo de antibióticos profiláticos para prevenir recaídas.
  • Monitoramento médico regular para detectar alterações cardíacas ou articulares precocemente.

Importância do diagnóstico precoce

Segundo o Ministério da Saúde, a rápida identificação e tratamento da infecção estreptocócica podem evitar o desenvolvimento da febre reumática e suas complicações.

Perguntas frequentes (FAQs)

1. A febre reumática é contagiosa?

Não, a febre reumática não é contagiosa. Ela surge como uma complicação de uma infecção por estreptococos do grupo A, que é contagiosa. Entretanto, a doença em si, a febre reumática, é resultado de uma resposta autoimune.

2. Como saber se uma dor nas articulações é causada por febre reumática?

A dor nas articulações associada à febre reumática geralmente é migratória, inflamatória, com inchaço, calor e vermelhidão, principalmente em joelhos, tornozelos e pulsos.

3. Quanto tempo dura o tratamento?

O tratamento pode durar de algumas semanas até vários meses, dependendo da gravidade, das manifestações e das recomendações médicas. O acompanhamento médico é fundamental para ajustar as medicações.

4. A febre reumática pode causar sequelas permanentes?

Sim, principalmente se não for diagnosticada e tratada precocemente. A principal complicação são as alterações nas válvulas cardíacas, podendo levar a insuficiência cardíaca.

Conclusão

A febre reumática é uma doença que, apesar de não ser mais tão comum em países desenvolvidos, ainda representa um risco significativo em regiões com saneamento precário. Sua prevenção primária e secundária passa pelo tratamento adequado das infecções de garganta e pelo acompanhamento de pacientes com episódios prévios.

A conscientização da população e dos profissionais de saúde é essencial para evitar que a febre reumática evolua para formas graves, como as doenças cardíacas crônicas. Investir na educação, higiene e acesso à saúde pública faz toda a diferença na redução do impacto dessa doença.

"A prevenção é o melhor remédio." – Provérbio popular

Referências

  1. Ministério da Saúde. Febre reumática e cardíaca reumática, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-z/f/febre-reumatica

  2. Instituto Nacional de Cardiologia. Febre reumática, 2023. Disponível em: https://www.inc.gov.br/febre-reumática

  3. World Health Organization. Guidelines for the prevention and control of rheumatic fever, 2019. https://www.who.int/publications/i/item/9789241550118

Este artigo foi elaborado com fins informativos, não substituindo uma avaliação médica especializada. Em caso de suspeita de febre reumática ou sintomas relacionados, procure um profissional de saúde.