O Que É Endocardite: Causas, Sintomas e Tratamentos
A endocardite é uma infecção grave que afeta as camadas internas do coração, especificamente o endocárdio, que é a membrana que reveste as câmaras cardíacas e as válvulas. Apesar de não ser uma condição muito comum, ela representa um risco significativo à saúde e exige diagnóstico e tratamento rápidos e eficazes. Este artigo busca esclarecer o que é a endocardite, suas causas, sintomas, métodos de diagnóstico e opções de tratamento, ajudando a aumentar a conscientização sobre essa doença potencialmente fatal.
O Que É Endocardite?
A endocardite é uma infecção do endocárdio, que frequentemente envolve as válvulas cardíacas. Essa infecção geralmente ocorre por bactérias ou outros microrganismos que entram na corrente sanguínea e se alojam na superfície do coração, formando uma vegetação — uma massa de microrganismos, células inflamatórias e tecido morto.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, “a endocardite é uma infecção que pode acometer qualquer pessoa, mas é mais comum em pacientes com doenças cardíacas prévias ou com válvulas artificiais”. Sua complexidade está na dificuldade de diagnóstico, pois seus sintomas iniciais muitas vezes são semelhantes aos de outras doenças, podendo levar a complicações sérias, como insuficiência cardíaca ou embolias.
"A endocardite representa uma batalha entre o microrganismo invasor e o sistema de defesa do corpo, muitas vezes exigindo um tratamento agressivo e acompanhamento minucioso."
Causas da Endocardite
Principais Agentes Causadores
A maioria dos casos de endocardite é causada por bactérias, embora também possam estar envolvidas fungos ou outros micro-organismos. As principais bactérias envolvidas incluem:
| Agentes Causadores | Frequência | Características |
|---|---|---|
| Streptococcus viridans | Maioria dos casos | Comum na boca, em infecções dentárias |
| Staphylococcus aureus | Casos graves, comum em pacientes com cateteres ou válvulas artificiais | Pode causar destruição rápida das válvulas |
| Enterococos | Casos associados a infecções do trato urinário ou gastrointestinal | Geralmente resistente a alguns antibióticos |
| Fúngicos (Candida spp.) | Menos frequente, mas mais sério | Geralmente associado a procedimentos invasivos ou imunossupressão |
Fatores de Risco
Diversos fatores aumentam a probabilidade de desenvolver endocardite, incluindo:
- Doenças cardíacas pré-existentes (válvula lesada, doença reumática)
- Próteses ou implantes cardíacos
- Uso de drogas ilícitas por via intravenosa
- Procedimentos invasivos na boca ou no trato urinário
- Cateterizações e outras intervenções hospitalares
- Imunossupressão
Mecanismos de Infecção
As bactérias entram na corrente sanguínea por meio de procedimentos médicos ou pessoais, podendo aderir às áreas vulneráveis do coração, formando vegetações. Essas vegetações podem crescer, destruindo tecidos e formando embolias sépticas, que podem alcançar outros órgãos, como o cérebro, pulmões ou rins.
Sintomas da Endocardite
Os sintomas da endocardite podem variar dependendo da gravidade e do tempo de evolução da doença. Muitas vezes, os sinais iniciais são inespecíficos, dificultando o diagnóstico precoce.
Sintomas Comuns
- Febre persistente
- Fadiga e fraqueza
- Sudorese noturna
- Perda de peso
- Transpiração excessiva
- Dor muscular e articular
- Mal-estar geral
- Presença de manchas na pele (petéquias ou petéquias palpebrais)
- Formación de nódulos nas pontas dos dedos (nodulos de Osler)
Sintomas em Situações Graves
- Insuficiência cardíaca
- Dor precordial
- Tosse seca
- Dificuldade ao respirar
- Confusão mental (em casos de embolia cerebral ou septicemia)
"A endocardite pode evoluir de forma silenciosa nas fases iniciais, dificultando seu diagnóstico precoce e aumentando o risco de complicações."
Diagnóstico da Endocardite
Exames Complementares
Para confirmar o diagnóstico de endocardite, o médico deve solicitar uma combinação de exames de sangue, imagens e, muitas vezes, cultura de material biológico.
| Exame | Objetivo |
|---|---|
| Hemoculturas | Identificação do microrganismo causador |
| Ecocardiograma (ECO) | Visualizar vegetações, alterações nas válvulas |
| Exames de sangue | Detectar sinais de infecção, anemia, inflamação |
| Tomografia computadorizada | Avaliação de embolias ou complicações secundárias |
Critérios Diagnósticos de Duke
A classificação de critérios de Duke é amplamente utilizada para auxiliar na confirmação da endocardite. Ela combina critérios maiores e menores, baseados em exames clínicos, laboratoriais e de imagem. A tabela a seguir resume esses critérios:
| Critérios | Descrição | Tipo |
|---|---|---|
| Vegetações na ecocardiografia | Evidência de vegetações ou abscessos no coração | Critério maior |
| Hemoculturas positivas | Cultura de sangue com microrganismos típicos ou compatíveis | Critério maior |
| Febre | Temperatura > 38°C | Critério menor |
| Fatores de risco ou história clínica | Presença de válvula artificial, história de febre prolongada | Critério menor |
| Outros sinais (nodulos Osler, manchas de Roth) | Presença de sinais periféricos de embolia ou inflamação | Critério menor |
Para uma avaliação completa, recomenda-se a consulta com um cardiologista ou infectologista.
Tratamentos para Endocardite
Uso de Antibioticoterapia
O tratamento primário da endocardite envolve o uso de antibióticos vigentes por um período prolongado, geralmente de 4 a 6 semanas, dependendo do microrganismo e da gravidade da infecção. Muitas vezes, é necessário hospitalização para administração intravenosa contínua.
Cirurgia Cardíaca
Em casos severos, quando há destruição valvular extensa, insuficiência cardíaca ou formação de grandes vegetações, a intervenção cirúrgica pode ser necessária para:
- Reparar ou substituir válvulas afetadas
- Remover vegetações ou abscessos
- Controlar complicações secundárias
Prevenção da Endocardite
Medidas Gerais
- Manter a higiene bucal adequada
- Realizar tratamentos dentários sob orientação médica, principalmente em pacientes com risco elevado
- Controlar doenças cardíacas pré-existentes
- Uso de profilaxia antibiótica em procedimentos invasivos, conforme recomendações médicas
Dicas Importantes
Para pacientes com alto risco, fabricantes de diretrizes recomendam a administração de antibióticos profiláticos antes de procedimentos odontológicos ou cirúrgicos específicos.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. A endocardite é contagiosa?
Não, a endocardite não é uma doença contagiosa no sentido comum. Ela ocorre devido à entrada de microrganismos na corrente sanguínea, que podem acontecer após certos procedimentos ou por higiene bucal deficiente.
2. Quanto tempo leva para desenvolver a doença após a exposição?
O tempo de desenvolvimento varia, podendo ocorrer semanas ou meses após a entrada do microrganismo na corrente sanguínea, dependendo do estado de saúde do paciente e do microrganismo envolvido.
3. Como saber se tenho endocardite?
Os sinais mais comuns incluem febre persistente, fadiga, mal-estar geral e sinais de complicações. O diagnóstico é confirmado por exames clínicos e laboratoriais, especialmente o ecocardiograma e hemoculturas.
4. É possível prevenir a endocardite?
Sim, adotando uma higiene bucal adequada, realizando tratamentos médicos sob orientação e seguindo as recomendações do seu médico, especialmente se tiver fatores de risco.
Conclusão
A endocardite é uma doença potencialmente fatal que exige atenção rápida e tratamento adequado. Compreender suas causas, sintomas e formas de prevenção é fundamental para reduzir riscos e buscar assistência médica prontamente. A evolução histórica dos tratamentos, incluindo o avanço na imunologia e na tecnologia de cirurgia cardíaca, tem contribuído para melhorar o prognóstico de muitos pacientes.
Se você possui fatores de risco ou sintomas suspeitos, procure orientação médica imediatamente. Como disse o cardiologista Dr. Roberto Kalil Filho, "a prevenção e o diagnóstico precoce são as armas mais eficazes contra a endocardite."
Referências
- Sociedade Brasileira de Cardiologia. Endocardite infecciosa: recomendações da SBC. SBC Editora, 2020.
- CDC - Centers for Disease Control and Prevention. Infective Endocarditis. Disponível em: https://www.cdc.gov/heartdisease/resources.htm
- Instituto Nacional de Cardiologia. Guia de diagnóstico e tratamento da endocardite infecciosa. Brasília, 2019.
- Ministério da Saúde. Protocolo de profilaxia da endocardite infecciosa. Brasília, 2021.
Este artigo foi elaborado com o objetivo de informar e orientar, mas não substitui uma avaliação médica especializada.
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