O Que É Empiristas: Entenda a Filosofia e Seus Métodos
A filosofia é uma disciplina que busca compreender o mundo, a existência, o conhecimento e a natureza da realidade. Um dos principais ramos dessa disciplina refere-se ao entendimento de como adquirimos conhecimento. Nesse contexto, o empirismo ocupa um papel fundamental, influenciando diversas áreas desde a ciência até a epistemologia.
Mas afinal, o que é empirismo? Como essa corrente filosófica surgiu, quais são seus principais conceitos e métodos? Neste artigo, exploraremos profundamente o tema, apresentando as origens, características, pensadores principais e a importância do empirismo na construção do conhecimento.

O Que É Empirismo?
Definição de Empirismo
Empirismo é uma corrente filosófica que sustenta que todo conhecimento válido provém, fundamentalmente, da experiência sensorial. Ou seja, para os empiristas, nossa compreensão do mundo se dá através dos sentidos — visão, audição, tato, olfato e paladar.
Origem do Termo e Conceito
A palavra "empirismo" deriva do latim empiricus, que significa "relativo à experiência". Essa abordagem enfatiza o papel da observação e da experiência na formação do conhecimento, em oposição ao racionalismo, que valoriza a razão e a lógica como fontes principais de saber.
Para os empiristas, o raciocínio e a lógica são ferramentas que devem ser alimentadas pelos dados obtidos através da observação do mundo real. Assim, eles questionam a validade de conhecimentos que não possam ser verificados por meio da experiência sensorial.
História e Evolução do Empirismo
Origens na Filosofia Antiga
Embora o termo "empirismo" seja mais comum na história da filosofia moderna, suas raízes podem ser rastreadas na Antiguidade. Filósofos como Aristóteles defendiam que o conhecimento nasce da experiência. Para ele, a observação do mundo natural era essencial para a compreensão das causas e dos efeitos.
Empirismo na Idade Moderna
O empirismo como corrente diferenciada começou a tomar forma na Idade Moderna, com o pensamento de filósofos como:
John Locke (1632–1704)
Locke é considerado um dos fundadores do empirismo moderno. Sua teoria do conhecimento afirmava que a mente ao nascer é uma "tábula rasa" — ou seja, uma folha em branco — e que todo conhecimento vem da experiência adquirida através dos sentidos.
George Berkeley (1685–1753)
Berkeley defendia que a realidade existe somente enquanto é percebida. Para ele, só podemos afirmar a existência de coisas por meio da percepção sensorial. Sua expressão famosa é: "Ser é être percebido" (Esse est percipi).
David Hume (1711–1776)
Hume foi um dos mais influentes empiristas, reforçando que todo conhecimento humano deriva da experiência sensorial. Ele também questionou as noções de causalidade e a existência de um "eu" permanente, levando a um ceticismo filosófico.
Características dos Empiristas
1. Valorização da Experiência Sensível
Os empiristas defendem que nossa fonte principal de conhecimento é a experiência sensorial direta. Observação, experimentação e percepção são fundamentais na formulação de teorias e leis.
2. Criticismo à Racionalidade Pura
Eles questionam a validade do conhecimento baseado apenas na razão ou na lógica sem apoio na experiência. Assim, rejeitam ideias que não podem ser verificadas empiricamente.
3. Método Indutivo
O método utilizado pelos empiristas é predominantemente inductivo, ou seja, a partir de observações específicas, busca-se estabelecer leis gerais. Essa abordagem é fundamental para o desenvolvimento da ciência.
4. Rejeição de Conhecimento Inato
Diferentemente do racionalismo, que valoriza conhecimentos inatos ou ideias presentes na mente desde o nascimento, os empiristas defendem que todo conhecimento é adquirido por meio da experiência.
Métodos Empiristas na Prática
Observação Sistemática
Observar cuidadosamente os fenômenos naturais ou sociais, coletando dados por meio dos sentidos.
Experimentação
Realizar testes controlados para verificar hipóteses e estabelecer relações de causa e efeito.
Indução
Construir teorias e leis a partir da satisfação de múltiplas observações específicas.
Verificação e Testes
Submeter hipóteses a testes empíricos, buscando evidências que possam apoiá-las ou refutá-las.
Comparativo entre Empirismo e Racionalismo
| Aspecto | Empirismo | Racionalismo |
|---|---|---|
| Fonte de conhecimento | Experiência sensorial | Resta na razão e dedução |
| Conhecimento inato? | Não | Sim |
| Método principal | Indutivo | Dedutivo |
| Exemplo de pensador | John Locke, David Hume | René Descartes, Leibniz |
| Enfoque principal | Observação e experimentação | Lógica, raciocínio abstrato |
Importância do Empirismo na Ciência
O empirismo foi fundamental para o desenvolvimento da ciência moderna. Princípios como a observação sistemática, a experimentação e a formulação de hipóteses verificáveis derivam diretamente dessa filosofia.
A Revolução Científica
Durante a Revolução Científica, a ênfase na experimentação e na geração de conhecimento a partir de evidências concretas levou à formulação das leis físicas e à consolidação do método científico.
Impacto na Tecnologia
O método empirista possibilitou a criação de tecnologias e avanços que transformaram o mundo. Desde a medicina até a engenharia, a aplicação do conhecimento baseado na experiência sensorial é essencial.
Influência na Filosofia Contemporânea
O empirismo moldou diversos campos do conhecimento, influenciando a epistemologia, a psicologia, a sociologia e outras áreas que valorizam a coleta de dados e a validação por meio da experiência.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Qual a diferença entre empirismo e racionalismo?
Enquanto o empirismo defende que todo conhecimento vem da experiência sensorial, o racionalismo acredita que a razão é a principal fonte de conhecimento e que algumas ideias são inatas, presentes na mente desde o nascimento.
2. O empirismo ainda é relevante nos dias atuais?
Sim. O empirismo é a base do método científico moderno, sendo fundamental para pesquisas, experimentos e desenvolvimento de tecnologias.
3. Quais pensadores mais influenciaram o empirismo?
John Locke, George Berkeley e David Hume são os principais filósofos empiristas.
4. Como o empirismo influencia a ciência moderna?
Ele estabelece que hipóteses e teorias devem ser verificáveis por meio da observação e experimentação, promovendo um método rigoroso e confiável na produção de conhecimento.
Conclusão
O empirismo é uma das correntes filosóficas mais influentes na história do pensamento humano, especialmente na construção do método científico. Sua ênfase na experiência sensorial, na observação sistemática e na verificação empírica elevou a ciência como a principal ferramenta para a compreensão do mundo.
Ao entender o que é empirismo, podemos apreciar a importância do método baseado em evidências na busca pelo conhecimento. Essa abordagem continua a moldar a ciência, a tecnologia e a maneira como interpretamos a realidade ao nosso redor.
Referências
- Popper, K. (2002). A Lógica da Pesquisa Científica. Editora Vozes.
- Hume, D. (2011). Tratado da Natureza Humana. Editora Novelas.
- Locke, J. (2000). Ensaios sobre o Entendimento Humano. Editora WMF Martins Fontes.
- Stanford Encyclopedia of Philosophy. Empiricism. Disponível em: https://plato.stanford.edu/entries/empiricism/
- Ciência Hoje. Método científico e empirismo. Disponível em: https://cienciahoje.uol.com.br
Esperamos que este artigo tenha esclarecido suas dúvidas sobre o que é empirismo, sua história, características e importância. Se desejar aprofundar seus estudos, consulte as referências citadas ou explore fontes acadêmicas confiáveis.
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