Eclâmpsia na Gravidez: O Que Você Precisa Saber, Sintomas e Cuidados
A gravidez é uma fase de transformação, expectativa e, muitas vezes, de desafios para as futuras mães. Entre as condições que podem surgir durante esse período, a eclâmpsia representa uma emergência obstétrica que exige atenção imediata. Apesar de ser uma condição relativamente rara, sua gravidade pode levar a complicações sérias tanto para a mãe quanto para o bebê. Por isso, entender o que é, quais são os sinais, sintomas e os cuidados necessários, é fundamental para garantir uma gestação segura e saudável.
Neste artigo, abordaremos detalhes essenciais sobre a eclâmpsia na gravidez, esclarecendo dúvidas comuns, apresentando informações atualizadas e dicas importantes para gestantes, profissionais de saúde e familiares.

O que é Eclâmpsia na Gravidez?
A eclâmpsia é uma complicação grave da gravidez, considerada uma evolução da pré-eclâmpsia, caracterizada por crises convulsivas que podem ocorrer durante o trabalho de parto ou no período pós-parto. Ela é uma forma de hipertensão arterial grave específica do período gestacional, que pode afectar o cérebro, fígado, rins, e outros órgãos.
Diferença entre Pré-eclâmpsia e Eclâmpsia
| Aspecto | Pré-eclâmpsia | Eclâmpsia |
|---|---|---|
| Definição | Hipertensão associada à proteinúria | Convulsões durante a gestação ou após o parto, relacionada à pré-eclâmpsia |
| Sintomas principais | Hipertensão, edema, proteinúria | Convulsões, perda de consciência, sintomas neurológicos |
| Gravidade | Moderada a severa | Grave |
A pré-eclâmpsia atinge cerca de 5-8% das gestantes, enquanto a eclâmpsia é mais rara, ocorrendo em aproximadamente 1 a 2% dos casos de pré-eclâmpsia não tratada.
Causas e Fatores de Risco
A causa exata da eclâmpsia ainda não é completamente compreendida, mas acredita-se que fatores genéticos, imunológicos e ambientais desempenhem um papel. Algumas condições aumentam o risco de desenvolvimento da complicação:
Fatores de Risco mais comuns
- Primeira gestação
- Histórico de pré-eclâmpsia em gestações anteriores
- Hipertensão crônica
- Diabetes mellitus
- Obesidade
- Idade avançada (acima de 35 anos)
- Múltiplos embriões (gêmeos, trigêmeos)
- Doenças renais ou autoimunes
A presença de um ou mais fatores de risco aumenta a vigilância durante a gestação, ajudando na detecção precoce de complicações.
Sintomas da Eclâmpsia
A identificação precoce dos sintomas é fundamental para evitar complicações mais graves. Conhecer os sinais da pré-eclâmpsia e da eclâmpsia pode salvar vidas.
Sintomas comuns de pré-eclâmpsia
- Hipertensão arterial (acima de 140/90 mmHg)
- Edema, especialmente de mãos, rosto e pés
- Proteinúria (proteínas na urina)
- Dor de cabeça persistente
- Alterações visuais ( visão turva ou luzes piscando)
- Náuseas e vômitos
Sintomas de eclâmpsia
- Convulsões ou crises convulsivas
- Perda de consciência
- Confusão mental
- Dores no hemisfério superior direito (sinais de problema hepático)
- Dor de cabeça intensa e súbita
- Sensibilidade à luz
"A eclâmpsia é uma emergência que exige intervenção rápida para evitar consequências graves para mãe e bebê." — Ministério da Saúde
Diagnóstico da Eclâmpsia
O diagnóstico é clínico, baseado na combinação de sinais e sintomas, além de exames laboratoriais. O acompanhamento pré-natal regular é fundamental para detectar alterações que possam evoluir para eclâmpsia.
Exames utilizados no diagnóstico
- Monitoramento da pressão arterial
- Teste de proteína na urina
- Hemograma completo
- Exames de função hepática e renal
- Ultra-sonografia obstétrica
A vigilância constante permite a equipe médica determinar a melhor conduta e prevenir complicações.
Cuidados e Tratamentos
A abordagem da eclâmpsia demanda cuidados específicos e imediatos. O objetivo central é garantir a segurança da mãe e do bebê, controlando a crise e evitando agravamentos.
Cuidados durante uma crise de eclâmpsia
| Ação | Descrição |
|---|---|
| Manter a via aérea aberta | Garantir que a mãe respire adequadamente |
| Evitar lesões físicas | Proteção contra quedas e ferimentos |
| Administrar medicamentos | Anticonvulsivantes (como sulfato de magnésio) |
| Monitorar sinais vitais | Pressão arterial, frequência cardíaca, oxigenação |
| Comunicar equipe especializada | Para encaminhamento imediato |
Conduta após a crise
- Administração de medicamentos anticonvulsivantes
- Controle rigoroso da pressão arterial
- Avaliação contínua do bem-estar fetal
- Decisão sobre o momento do parto (normal ou cesariana)
Parto como solução definitiva
Na maioria dos casos, o parto é a única cura para a eclâmpsia, sendo indicado o induzimento ou a realização de uma cesariana, dependendo da gravidade e da condição da mãe e do bebê.
Cuidados Pós-Parto
O acompanhamento da mãe continua após o parto, com monitoramento da pressão arterial e avaliação de sinais de melhora ou de possíveis complicações. Em alguns casos, a hipertensão pode persistir por semanas ou meses após o nascimento.
Prevenção da Eclâmpsia
Embora nem todos os casos possam ser previstos, algumas ações podem ajudar na prevenção ou detecção precoce:
- Realizar acompanhamento pré-natal completo
- Controlar doenças crônicas como hipertensão e diabetes
- Manter hábitos de vida saudáveis: alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos moderados, evitar o consumo de álcool e tabaco
- Monitorar sinais de hipertensão e edema
Para gestantes com fatores de risco, o uso de medicamentos preventivos pode ser indicado sob supervisão médica.
Tabela: Sintomas e Cuidados na Eclâmpsia
| Sintomas | Cuidados Imediatos |
|---|---|
| Convulsões | Administração de sulfato de magnésio e suporte à via aérea |
| Dor de cabeça intensa | Avaliação neurológica, controle da pressão arterial |
| Visão turva ou luzes piscando | Encaminhamento de emergência |
| Edema acentuado | Monitoramento da diurese e sinais de complicações |
| Dor no lado direito do abdômen | Avaliação de função hepática e interna |
Perguntas Frequentes
1. A eclâmpsia pode ocorrer em qualquer fase da gravidez?
Sim, embora seja mais comum no terceiro trimestre, ela pode ocorrer em qualquer fase da gestação, durante o parto ou após o parto.
2. Existe forma de prevenir a eclâmpsia?
A prevenção envolve acompanhamento pré-natal regular, controle de fatores de risco, alimentação saudável e, em alguns casos, uso de medicamentos preventivos sob orientação médica.
3. Quais são os riscos para a mãe e o bebê?
Para a mãe: risco de convulsões, hemorragias, danos cerebrais, coma e até morte. Para o bebê: parto prematuro, baixo peso, sofrimento fetal e morte intrauterina.
4. A eclâmpsia pode reincidir em futuras gestações?
Sim, mulheres que tiveram eclâmpsia têm maior risco de recorrência em gestações futuras, especialmente se fatores de risco permanecem.
Conclusão
A eclâmpsia na gravidez é uma condição de alta gravidade que requer atenção rápida e especializada. O conhecimento sobre seus sinais, sintomas e fatores de risco pode fazer a diferença entre uma gestação segura e complicações potencialmente fatais. O acompanhamento pré-natal adequado, aliado a uma equipe de saúde treinada, é essencial para detectar precocemente e tratar essa condição, garantindo a saúde da mãe e do bebê.
Se você está grávida ou planning de engravidar, lembre-se sempre da importância de realizar consultas regulares, manter um estilo de vida saudável e procurar atendimento médico ao menor sinal de anormalidade.
Referências
- Ministério da Saúde. Gestação de Alto Risco: Prevenção e Cuidados. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.
- World Health Organization. World Health Organization Recommendations for Prevention and Treatment of Preeclampsia and Eclampsia. Geneva: WHO, 2021.
- Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes de Hipertensão na Gestação. São Paulo: SBC, 2020.
- Johns Hopkins Medicine. Eclampsia and Preeclampsia. Disponível em: https://www.hopkinsmedicine.org/health/conditions-and-diseases/eclampsia
Lembre-se: o acompanhamento médico regular é fundamental durante toda a gestação. Cuide-se e proteja a vida que está por vir.
MDBF