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O Que É Dismorfia Corporal: Entenda Causas e Tratamentos

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A busca pela perfeição física e a preocupação com a imagem corporal estão cada vez mais presentes na vida de muitas pessoas. Entretanto, em alguns casos, esse anseio pode evoluir para problemas mais sérios, como a dismorfia corporal, uma condição que afeta a saúde mental e a autoestima de quem a enfrenta. Neste artigo, você vai entender o que é a dismorfia corporal, quais são suas causas, sintomas, tratamentos disponíveis e dicas para lidar com ela.

Introdução

Nos dias atuais, a influência da mídia, das redes sociais e das tendências de beleza contribuem para um padrão muitas vezes inalcançável de perfeição física. Quando as preocupações com a imagem passam de uma preocupação saudável para uma obsessão, pode estar presente a dismorfia corporal. Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, esse transtorno psicológico muitas vezes permanece subdiagnosticado, pois muitas pessoas não percebem que estão sofrendo de um problema sério.

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O que é dismorfia corporal?

Definição de dismorfia corporal

A dismorfia corporal, também conhecida como transtorno dismórfico corporal (TDC), é um transtorno psicológico caracterizado por uma preocupação obsessiva com uma ou várias imperfeições percebidas na aparência física. Essas imperfeições podem ser reais ou imaginadas, porém essa preocupação causa sofrimento significativo e impacta a vida social, profissional e familiar do indivíduo.

Como a dismorfia difere da insatisfação com a aparência

Enquanto a insatisfação com a aparência é algo comum e passageiro, a dismorfia corporal é um transtorno que causa angústia persistente e pode levar a comportamentos compulsivos, como cirurgias plásticas desnecessárias, isolamento social ou uso excessivo de produtos estéticos.

Causas da dismorfia corporal

Fatores psicológicos

  • Baixa autoestima: Muitas vezes, a pessoa sente-se insuficiente ou inferior devido ao funcionamento de sua autoimagem.
  • Perfeccionismo: Uma tendência a estabelecer padrões extremamente elevados para si, gerando frustração e ansiedade.
  • Histórico de bullying ou críticas: Experiências negativas relacionadas à aparência na infância ou adolescência podem contribuir.

Fatores ambientais

  • Influência da mídia e redes sociais: A exposição constante a padrões de beleza irreais e idealizados.
  • Pressões sociais: Crenças culturais sobre o que é considerado belo e desejável.
  • Cultura do corpo perfeito: A valorização de corpos "idealizados" na sociedade.

Fatores biológicos

Embora não haja um consenso completo, estudos indicam que fatores neuroquímicos e genéticos podem contribuir para o desenvolvimento do transtorno, especialmente em indivíduos com histórico de transtornos de ansiedade ou depressão.

Sintomas e sinais da dismorfia corporal

Sintomas físicos e comportamentais

SintomasDescrições
Obsessão com uma imperfeiçãoPensamentos constantes sobre uma característica física
Revisão compulsivaOlhar-se várias vezes no espelho, verificar o efeito de procedimentos estéticos
Procura por cirurgias desnecessáriasRealizar procedimentos invasivos ou não invasivos muitas vezes sem necessidade real
Uso excessivo de produtos estéticosCremes, maquiagens ou suplementos específicos por preocupação excessiva
Isolamento socialEvitar eventos sociais por constrangimento ou vergonha
ansiedade e depressãoSentimentos de angústia, tristeza e baixa autoestima

Como identificar a dismorfia corporal?

Se a preocupação com a aparência interfere na rotina, provoca sofrimento ou leva a comportamentos compulsivos, é importante procurar ajuda especializada.

Tratamentos disponíveis para dismorfia corporal

Psicoterapia

Terapia cognitivo-comportamental (TCC)

A TCC é uma das abordagens mais eficazes, ajudando o paciente a identificar pensamentos distorcidos e modificar comportamentos compulsivos relacionados à aparência.

Medicação

Medicamentos antidepressivos, como os ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina), podem ser indicados para reduzir sintomas de ansiedade e obsessões.

Abordagem multidisciplinar

O tratamento ideal envolve uma equipe composta por psiquiatras, psicólogos, cirurgiões plásticos (quando necessário), além de suporte de grupos de apoio.

Importância do acompanhamento profissional

A dismorfia corporal não deve ser tratada apenas por si só, pois é um transtorno sério que requer intervenção especializada para evitar piora dos sintomas ou ações prejudiciais à saúde física e mental.

Como lidar com a dismorfia corporal?

  • Procure ajuda profissional: Psicólogos e psiquiatras podem oferecer suporte fundamental.
  • Desenvolva uma relação positiva com seu corpo: Pratique autocompaixão e aceite suas imperfeições.
  • Limite a exposição às redes sociais: Reduzir a comparação com padrões irreais ajuda a melhorar a autoestima.
  • Busque grupos de apoio: Trocar experiências com outras pessoas pode ajudar na compreensão e enfrentamento do transtorno.
  • Foque em aspectos internos: Valorize suas qualidades, habilidades e valores além da aparência física.

Perguntas frequentes

1. A dismorfia corporal é o mesmo que baixa autoestima?

Não exatamente. A baixa autoestima pode ser um componente, mas a dismorfia envolve uma preocupação obsessiva e às vezes comportamentos compulsivos que causam sofrimento genuíno.

2. É possível curar a dismorfia corporal?

Sim, com o tratamento adequado, muitas pessoas conseguem controlar os sintomas e melhorar sua qualidade de vida. Afinal, o objetivo é promover uma relação mais saudável com a imagem corporal.

3. Quais são os riscos de não tratar a dismorfia corporal?

Além do impacto na saúde mental, a pessoa pode desenvolver transtornos alimentares, recorrer a procedimentos invasivos desnecessários ou isolar-se socialmente, aumentando o risco de depressão e ansiedade.

Tabela: Diferenças entre insatisfação com a aparência e dismorfia corporal

AspectoInsatisfação com a aparênciaDismorfia corporal
NaturezaComum e passageiraObsessiva e persistente
Impacto na vidaLeve ou moderadoSignificativo, prejudica atividades diárias
Comportamentos associadosPoucos ou nenhumRevisão compulsiva, procedimentos desnecessários
Reação à preocupaçãoRelativamente controladaPode causar ansiedade, depressão e isolamento

Conclusão

A dismorfia corporal é um transtorno que afeta profundamente a vida de quem sofre, levando a uma preocupação obsessiva com detalhes muitas vezes irreais ou exagerados na aparência. O entendimento precoce, a busca por ajuda especializada e o suporte de familiares e amigos são essenciais para uma trajetória de recuperação. Ao promover uma cultura de aceitação e autoestima, podemos contribuir para uma sociedade menos propensa a patologizar a preocupação com a imagem.

Lembre-se: sua aparência é apenas uma pequena parte do seu ser. Valorize quem você é por dentro, e não deixe que inseguranças dominem sua vida.

Referências

  • Associação Brasileira de Psiquiatria. Transtorno Dismórfico Corporal. Disponível em: https://www.abp.org.br. Acesso em outubro de 2023.

  • American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5). 5ª edição. 2013.

  • Phillips, K. A. (2005). The broken mirror: understanding and treating body dysmorphic disorder.

  • World Health Organization. Classificação Internacional de Transtornos Mentais (CID-10).

Se você suspeita que pode estar sofrendo de dismorfia corporal, procure um profissional de saúde mental para uma avaliação adequada e apoio. A sua saúde mental merece atenção e cuidado!