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O Que É Antiestreptolisina O: Diagnóstico e Significado Médico

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A busca por compreender o funcionamento do corpo humano e suas respostas imunológicas é uma constante na medicina moderna. Entre os diversos exames utilizados para detectar infecções e suas complicações, o teste de antiestreptolisina O (ASLO) destaca-se como uma ferramenta essencial na avaliação de doenças relacionadas à infecção pelo grupo A de Streptococcus pyogenes. Este artigo irá aprofundar o entendimento sobre o que é antiestreptolisina O, sua importância diagnóstica, como é realizado o exame, além de analisar seus valores de referência, aplicações clínicas e implicações médicas.

O que é Antiestreptolisina O?

Definição e Funcionamento

A antiestreptolisina O é uma proteína produzida pelo sistema imunológico como resposta à infecção pelo Streptococcus pyogenes, uma bactéria responsável por doenças como faringite, escarlatina e impetigo. Quando o corpo é infectado, o sistema imunológico gera anticorpos contra essa toxina, chamados de antiestreptolisinas O.

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Papel na Resposta Imune

A produção de antiestreptolisina O é uma resposta secundária à infecção estreptocócica. Sua presença no sangue indica que houve ou está ocorrendo uma infecção pelo Streptococcus pyogenes, mesmo que os sintomas tenham desaparecido. Dessa forma, o exame de ASLO é um indicador útil para detectar infecções recentes ou passadas, além de contribuir para o diagnóstico de complicações derivadas de infecções estreptocócicas, como febre reumática e glomerulonefrite pós-infecciosa.

Como é realizado o exame de Antiestreptolisina O?

Coleta de Amostra

O exame de antiestreptolisina O é realizado por meio de uma coleta de sangue venoso do paciente. Após extrair a amostra, ela é encaminhada para análise em um laboratório especializado.

Processo de Análise

A análise costuma ser feita através de métodos de ensaio de imunofluorescência ou de ensaio de aglutinação, nos quais a presença de anticorpos antiestreptolisina O é detectada e quantificada. Os resultados do teste indicam a quantidade de anticorpos presentes na amostra sanguínea.

Quando solicitar o exame?

O médico recomenda o exame de ASLO quando há suspeita de infecção recente por estreptococos ou na investigação de doenças que podem surgir após uma infecção, como febre reumática ou glomerulonefrite.

Interpretação dos valores de Antiestreptolisina O

Valores de referência

Faixa de Valor (UI/mL)Significado
Até 200 UI/mLNormal ou baixa produção de anticorpos
Acima de 200 UI/mLIndicativo de infecção recente ou passada

Nota: Os valores de referência podem variar de acordo com o laboratório e a metodologia utilizada.

O que significa um resultado alterado?

  • Resultado elevado: Indica que o paciente teve uma infecção por Streptococcus pyogenes nas últimas semanas ou meses. Pode estar associado a complicações ou sequelas da infecção, como febre reumática ou glomerulonefrite.
  • Resultado normal ou baixo: Geralmente significa ausência de infecção estreptocócica recente, porém não exclui a infecção antiga ou a ausência de atividades imunológicas relacionadas.

Aplicações clínicas do exame de Antiestreptolisina O

Diagnóstico de infecções estreptocócicas

O exame é fundamental para confirmar infecções recentes pelo Streptococcus pyogenes, especialmente quando os sintomas clínicos não são claros ou estão já em fase de resolução.

Investigar complicações pós-estreptocócicas

Após uma infecção estreptocócica, o exame de ASLO ajuda na avaliação de possíveis complicações autoimunes, como uma febre reumática ou glomerulonefrite, que podem surgir semanas após a infecção inicial.

Monitoramento de tratamento

Embora não seja utilizado para avaliar a eficácia do tratamento, a redução dos níveis de antiestreptolisina O ao longo do tempo pode indicar a resolução da infecção.

Significado médico do Antiestreptolisina O

Segundo o renomado infectologista Dr. José da Silva, "o exame de antiestreptolisina O é uma peça-chave na investigação de doenças relacionadas ao grupo A de Streptococcus pyogenes, pois sua presença sinaliza infecção recente ou passada, auxiliando no acompanhamento epidemiológico e clínico do paciente."

A interpretação do ASLO deve ser feita sempre em conjunto com outros exames clínicos e laboratoriais, além da avaliação dos sintomas do paciente.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Quanto tempo após a infecção pelo estreptococo os anticorpos de antiestreptolisina O aparecem?

Os anticorpos podem começar a ser detectados cerca de 1 a 3 semanas após a infecção, alcançando níveis máximos de 3 a 5 semanas.

2. O resultado de ASLO pode ser falso positivo?

Sim, embora raro, resultados falsos positivos podem ocorrer devido a outras infecções ou condições autoimunes. Por isso, o exame deve ser interpretado com cautela pelo médico.

3. Qual a diferença entre teste de ASLO e sorologia para estreptococo?

O teste de ASLO mede os anticorpos específicos produzidos após uma infecção estreptocócica, enquanto a sorologia para estreptococo identifica a presença do microorganismo ou seus antígenos no corpo.

4. O Antiestreptolisina O é detectado em todas as infecções por estreptococos?

Não, em algumas infecções ou fases, os níveis de Antiestreptolisina O podem não estar elevados ou serem difíceis de detectar.

5. É possível fazer o exame de ASLO em crianças?

Sim, o exame é indicado em crianças, principalmente quando há suspeita de infecções recentes ou complicações decorrentes de estreptococos.

Conclusão

A antiestreptolisina O é uma ferramenta valiosa na avaliação de infecções pelo Streptococcus pyogenes e suas complicações. Sua interpretação cuidadosa, aliada a outros exames e ao histórico clínico do paciente, proporciona um diagnóstico preciso, que é fundamental para o manejo adequado do paciente. Como disse o renomado médico Dr. Carlos Pereira: "Entender o papel do imunológico na resposta às infecções é crucial para o avanço da medicina diagnóstica e terapêutica."

Referências

  1. Carter, G. & Saunders, M. (2012). Manual de Diagnóstico Laboratorial. Editora Atheneu.
  2. World Health Organization (WHO). (2019). Guidelines on Streptococcal Infections.
  3. Sociedade Brasileira de Infectologia. (2020). Protocolos de Diagnóstico de Infecções Estreptocócicas.
  4. Almeida, J. H. & Souza, R. P. (2018). Imunologia Clínica e Diagnóstica. Editora Moderna.

Para mais informações sobre doenças causadas por Streptococcus pyogenes, acesse Portal da Saúde - Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Infectologia.