Decisão Interlocutória: Entenda seu Significado e Impacto Jurídico
No cenário do Direito Processual, diversos termos são utilizados para definir as diferentes ações e decisões tomadas durante um processo judicial. Entre esses termos, destaca-se a decisão interlocutória, uma peça fundamental que influencia diretamente o andamento e o desfecho de uma ação judicial. Sua compreensão é essencial tanto para profissionais do Direito quanto para as partes envolvidas, pois ela impacta nas etapas processuais, recursos cabíveis e na efetividade da tutela jurisdicional.
Este artigo propõe uma análise aprofundada sobre o que é uma decisão interlocutória, seu significado, categorias, efeitos jurídicos, além de abordar suas peculiaridades e sua importância no sistema processual brasileiro.

O que é uma Decisão Interlocutória?
Definição
De acordo com o Código de Processo Civil (CPC) de 2015, a decisão interlocutória é toda decisão proferida pelo juiz no curso do processo que não resolve o mérito da causa. Ou seja, trata-se de um ato decisório que ocorre durante o andamento do processo, tratando de questões incidentais, mas não finais.
“A decisão interlocutória é aquele ato pelo qual o juiz resolve questões incidentais, essenciais para o prosseguimento do feito, porém não encerram a fase do julgamento de mérito.” — José Roberto dos Santos Bedaque
Exemplos comuns de decisão interlocutória
- Concessão ou revogação de tutela provisória.
- Aceitação ou rejeição de documentos apresentados pelas partes.
- Decisão sobre o depoimento das testemunhas.
- Determinações de produção de provas.
- Despachos que determinam o andamento ou paralisam o processo por alguma razão específica.
Categorias de Decisão Interlocutória
Categorias segundo o CPC de 2015
| Categoria | Descrição | Exemplo |
|---|---|---|
| Decisão interlocutória terminativa | Encerramento de uma fase do processo, sem resolver o mérito. | Decisão que rejeita a exceção de incompetência. |
| Decisão interlocutória não terminativa | Decisões que continuam a fase processual, sem finalizar o procedimento. | Concessão de tutela provisória, por exemplo. |
Decisões interlocutórias terminativas x não terminativas
As decisões terminativas geralmente desafiam recursos específicos, enquanto as não terminativas podem ser revistas por meio de recursos mais amplos, dependendo do impacto na tramitação formal do processo.
Impacto Jurídico das Decisões Interlocutórias
Efeitos imediatos
As decisões interlocutórias podem gerar efeitos imediatos, como:
- Determinar o prosseguimento ou suspensão do processo.
- Fixar prazos processuais.
- Determinar produção de provas.
- Conceder ou indeferir pedidos de tutela provisória ou cautelar.
Recursos cabíveis
Dependendo do tipo de decisão interlocutória e do impacto, podem caber recursos específicos, como:
- Agravo de instrumento: principal recurso utilizado contra decisões interlocutórias, previsto no artigo 1.015 do CPC de 2015.
- Embargos de declaração: utilizados para esclarecer obscuridade, dúvida ou omissão em decisões interlocutórias.
Impacto na tramitação processual
Decisões interlocutórias também podem influenciar no ritmo do processo, dando prioridade a determinadas questões ou dificultando seu andamento, dependendo da sua natureza e do momento em que são proferidas.
Importância da Decisão Interlocutória no Sistema Processual Brasileiro
A decisão interlocutória desempenha papel fundamental na dinâmica do procedimento judicial, permitindo ao juiz ajustar o andamento do processo conforme as peculiaridades de cada caso. Sua correta compreensão e utilização adequada garantem maior eficiência e efetividade na prestação jurisdicional.
Relação com o Judiciário e o Direito das Partes
Ao proferir uma decisão interlocutória, o juiz oferece uma oportunidade de as partes influenciarem o julgamento, apresentando recursos ou cumprindo determinações específicas, promovendo assim o contraditório e a ampla defesa.
Influência na tutela jurisdicional eficaz
Decisões interlocutórias bem fundamentadas e oportunas garantem que o processo seja conduzido de maneira eficaz, evitando obstáculos ao julgamento do mérito e garantindo a proteção dos direitos das partes.
Como as Decisões Interlocutórias São Proferidas?
Requisitos essenciais
Para a validade de uma decisão interlocutória, é necessário que ela seja:
- Fundamentada: deve apresentar razões que justificam a decisão (artigo 93, inciso IX, da Constituição Federal).
- Clara e precisa: evitando ambiguidades ou obscuridades.
- Comunicada às partes: possibilitando o exercício do contraditório.
Procedimento de prolação
O procedimento costuma seguir o rito estabelecido pelo próprio CPC, podendo variar de acordo com a fase processual e a natureza da decisão.
Quando é Cabível Recurso contra uma Decisão Interlocutória?
Recurso de Agravo de Instrumento
O agravo de instrumento é o recurso mais comum contra decisões interlocutórias, especialmente quando:
- A decisão cause prejuízo à parte.
- É uma decisão de natureza terminativa que impede o andamento do processo.
- Há necessidade de imediata apreciação do efeito da decisão pelo tribunal.
Recurso de Embargos de Declaração
Quando a decisão interlocutória apresenta alguma obscuridade, dúvida ou omissão, cabe o recurso de embargos de declaração para esclarecimento ou complementação.
Diferenças entre Decisão Interlocutória, Sentença e Decisão Final
| Aspecto | Decisão Interlocutória | Sentença | Decisão Final |
|---|---|---|---|
| Objetivo | Decidir questões incidentais | Julgar o mérito da causa | Encerrar o processo de forma definitiva |
| Momento de proferimento | Durante o andamento do processo | No final do procedimento | Ao final do julgamento |
| Possibilidade de recursos | Sim, geralmente por agravo de instrumento | Sim, em apelação | Sim, recursos próprios da decisão final |
Tabela Resumida: Diferença entre Decisão Interlocutória, Sentença e Decisão Final
| Critério | Decisão Interlocutória | Sentença | Decisão Final |
|---|---|---|---|
| Natureza | Decisão incidente | Decisão de mérito | Decisão terminativa ou de mérito |
| Efeito | Incidente, não resolve o mérito | Resolve o mérito parcial ou total | Conclusiva do processo |
| Recurso | Agravo de instrumento ou embargos de declaração | Apelação | Apelação ou outros recursos específicos |
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. O que diferencia uma decisão interlocutória de uma sentença?
A maior diferença é que a decisão interlocutória resolve questões incidentais durante o processo, sem decidir o mérito, enquanto a sentença é a decisão que julga o mérito da causa, encerrando o processo ou uma de suas fases.
2. É possível recorrer imediatamente de uma decisão interlocutória?
Sim, na maioria dos casos, é possível recorrer por meio de agravo de instrumento, especialmente quando a decisão causa prejuízo ou impede o andamento do processo.
3. Quais são os principais recursos contra decisões interlocutórias?
Os principais recursos são o agravo de instrumento e os embargos de declaração, dependendo do caso específico e da natureza da decisão.
4. As decisões interlocutórias podem ser consideradas judiciais finais?
Não, por definição, as decisões interlocutórias não encerram o julgamento do mérito ou o processo de forma definitiva, funcionando como atos intermediários do procedimento judicial.
Conclusão
A compreensão da decisão interlocutória é fundamental para quem atua na área jurídica ou mesmo para as partes que acompanham seus processos. Essas decisões, embora não resolvam o mérito, são essenciais para o andamento adequado do procedimento e para garantir a efetividade da tutela jurisdicional.
A sua correta utilização, fundamentação e o entendimento dos recursos cabíveis contribuem para um sistema processual mais justo, eficiente e transparente. Além disso, conhecer os efeitos e limites das decisões interlocutórias permite às partes e aos advogados melhorarem sua estratégia processual e defenderem seus direitos com maior eficácia.
Referências
- BRASIL. Código de Processo Civil (Lei n° 13.105/2015). Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/lei13105.htm
- SANTOS BEDAQUE, José Roberto dos. Curso de Processo Civil. São Paulo: Saraiva, 2017.
- NEVES, Teresa Arruda Alvim. Manual de Recursos no Processo Civil. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016.
- Juristocast - Recursos jurídicos no processo civil brasileira.
- Jusbrasil - Decisões interlocutórias e recursos cabíveis.
Espero que este artigo tenha proporcionado uma compreensão clara sobre o que é uma decisão interlocutória, sua importância e impacto no sistema processual brasileiro.
MDBF