Convulsão: Entenda o Que É, Sintomas e Como Agir
A convulsão é uma condição que pode assustar tanto quem presencia quanto quem enfrenta o episódio. Apesar de ser um fenômeno comum em certos distúrbios neurológicos, compreender o que realmente acontece durante uma convulsão, seus sintomas, causas e formas de agir é fundamental para garantir a segurança da pessoa afetada e auxiliar em seu tratamento. Neste artigo, vamos abordar de maneira detalhada tudo o que você precisa saber sobre convulsões, desmistificando conceitos e oferecendo orientações essenciais.
Introdução
As convulsões representam uma atividade elétrica anormal no cérebro, que provoca mudanças súbitas no comportamento, na sensação ou na consciência da pessoa. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 50 milhões de pessoas no mundo vivem com epilepsia, uma condição que frequentemente causa convulsões, tornando-se uma das doenças neurológicas mais comuns globalmente. Compreender o que é uma convulsão, seus sintomas e os procedimentos a serem adotados pode salvar vidas e melhorar a qualidade de vida de quem convive com ela.

O que é uma convulsão?
Definição de convulsão
Convulsão é uma manifestação clínica de uma descarga elétrica excessiva e síncrona de neurônios no cérebro. Essas descargas podem afetar diferentes áreas cerebrais, resultando em variados tipos de episódios, desde movimentos involuntários até alterações na consciência.[^1]
Diferença entre convulsão e epilepsia
Embora os termos muitas vezes sejam utilizados como sinônimos, eles possuem significados distintos:
| Aspecto | Convulsão | Epilepsia |
|---|---|---|
| Definição | Um episódio isolado de atividade elétrica anormal | Condição neurológica crônica caracterizada por múltiplas convulsões ao longo do tempo |
| Causa | Diversas (trauma, febre, doenças, etc.) | Geralmente de origem neurológica desconhecida ou conhecida, que leva a predisposição a convulsões |
| Frequência | Pode ocorrer uma única vez ou várias vezes | Presença de convulsões recorrentes |
Fonte: Sociedade Brasileira de Neurologia.
Tipos de convulsões
As convulsões podem ser categorizadas de acordo com a área do cérebro afetada e o comportamento apresentado.
Convulsões focais (parciais)
Ocorrem em uma área específica do cérebro e podem ou não envolver perda de consciência. São classificadas em:
- Simples: Não alteram o nível de consciência; podem causar sensações incomuns, movimentos locais ou alterações visuais.
- Complexas: Alteram o estado de consciência; podem envolver comportamentos automáticos, como mastigar ou mexer as mãos de forma involuntária.
Convulsões generalizadas
Envolvem ambos os hemisférios do cérebro e geralmente resultam na perda de consciência. Exemplos incluem:
- Tônico-clônicas (gran mal): caracterizadas por rigidez muscular seguida de movimentos espasmódicos generalizados.
- Ausências: episódios breves de interrupção do contato, especialmente comuns em crianças.
- Convulsões mioclônicas: sacudidas rápidas de uma ou várias partes do corpo.
Sintomas mais comuns de uma convulsão
Reconhecer os sinais iniciais e as fases de uma convulsão é essencial para agir adequadamente. Os sintomas variam conforme o tipo de convulsão:
Sintomas iniciais
- Sensações estranhas ou percepções incomuns (sustos, vertigens, déjà-vu)
- Alterações visuais ou auditivas
- Mudanças no humor ou comportamento súbito
Durante a convulsão
| Sintoma | Descrição |
|---|---|
| Movimentos involuntários | Espasmos, convulsões musculares, movimentos rítmicos |
| Perda de consciência | Desconexão do ambiente. Pode durar segundos ou minutos |
| Alterações na sensibilidade | Formigamento, dormência, sensação de queimação |
| Comportamentos automáticos | Mastigar, lamber, mover as mãos repetidamente |
Pós-convulsão
Após o episódio, é comum a pessoa estar fatigada, confusa ou desorientada. Pode ocorrer dor muscular ou dor de cabeça.
Como agir em caso de convulsão
Agir corretamente pode fazer toda a diferença na segurança e bem-estar da pessoa afetada. Confira as etapas essenciais:
O que fazer durante a convulsão
- Mantenha a calma e proteja a pessoa de lesões.
- Posicione-a deitada de lado, preferencialmente em posição de recuperação, para facilitar a respiração e evitar asfixia.
- Remova objetos perigosos próximos a ela para evitar ferimentos.
- Não coloque objetos na boca ou tente restringir os movimentos.
- Afaste objetos ou móveis que possam causar ferimentos.
O que NÃO fazer durante a convulsão
- Não tente abrir a boca ou colocar objetos na boca da pessoa.
- Não segure ou imobilize força muscular.
- Não tente dar comida ou líquidos até que ela esteja plenamente capaz de engolir.
Quando procurar ajuda médica
Procure assistência médica imediatamente se:
| Situação | Descrição |
|---|---|
| Convulsão dura mais de 5 minutos | Ou múltiplas convulsões sem recuperação completa entre elas |
| A pessoa não recuperar a consciência após a convulsão | Ou apresenta dificuldades respiratórias |
| Convulsão ocorre em um idoso ou pessoa com condição de saúde grave | |
| É a primeira convulsão | Ou se há suspeita de trauma ou intoxicação |
Tratamento e controle das convulsões
O tratamento para convulsões geralmente envolve medicamentos anticonvulsivantes, além de estratégias de gestão de fatores desencadeantes. É fundamental a avaliação médica adequada para determinar o melhor procedimento.
Medicamentos anticonvulsivantes
Os principais incluem:
- Fenitoína
- Carbamazepina
- Valproato
- Levetiracetam
O uso deve ser sempre guiado por um neurologista, que determinará a dose e o esquema de tratamento.
Outras abordagens
- Cirurgias (em casos resistentes ao tratamento medicamentoso)
- Estimulação do nervo vago
- Mudanças no estilo de vida, como evitar álcool e privação de sono
Prevenção de novas convulsões
- Uso regular de medicamentos
- Evitar fatores desencadeantes conhecidos
- Manter acompanhamento médico contínuo
Tabela: Diferenças entre os tipos de convulsões
| Tipo de Convulsão | Sintomas Característicos | Duração média | Exemplo de episódio |
|---|---|---|---|
| Convulsões focais simples | Sensações incomuns, movimentos locais | Segundos a minutos | Espasmos em um braço |
| Convulsões focais complexas | Alterações no comportamento, perda de consciência | 1 a 2 minutos | Andar em círculos sem razão aparente |
| Convulsões tônico-clônicas | Rigidez seguida de espasmos | 1 a 3 minutos | Queda, movimentos descontrolados |
| Ausências | Interrupções breves na atividade | Alguns segundos | Perda do contato, olhares fixos |
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Quais são as causas mais comuns de convulsões?
Diversas condições podem causar convulsões, incluindo epilepsia, traumatismos cranianos, febre alta, infecções cerebrais, tumores, abuso de substâncias ou privação de sono.
2. É possível prevenir uma convulsão?
Embora nem todas as causas possam ser evitadas, seguir o tratamento indicado pelo neurologista, evitar fatores desencadeantes conhecidos e manter um estilo de vida saudável contribuem para reduzir o risco.
3. Quando a convulsão é considerada uma emergência?
Se a convulsão durar mais de cinco minutos, acontecer várias vezes seguidas ou a pessoa não recuperar a consciência, deve-se procurar ajuda médica imediatamente.
4. Pessoas com convulsões podem levar uma vida normal?
Sim, com o tratamento adequado e orientações médicas, muitas pessoas conseguem controlar as convulsões e manter uma rotina regular.
Conclusão
A compreensão sobre o que é uma convulsão, seus sintomas, atuações e tratamentos é fundamental para garantir a segurança e qualidade de vida de quem convive com essa condição. É importante lembrar que, mesmo em episódios isolados, a assistência rápida e adequada pode fazer toda a diferença. Procurar acompanhamento especializado e seguir as recomendações médicas são passos essenciais para o controle efetivo das convulsões.
Se você suspeita que alguém está tendo uma convulsão, mantenha a calma, siga as orientações deste artigo e não hesite em buscar ajuda especializada. Conhecimento é o melhor aliado na prevenção e no manejo dessa condição neurológica.
Referências
- Sociedade Brasileira de Neurologia. (2020). Epilepsia e convulsões. Disponível em: https://sbneurologia.org.br
- Organização Mundial da Saúde. (2019). Epilepsy. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/epilepsy
- Ministério da Saúde. (2018). Manual de condutas na epilepsia. Brasília: Ministério da Saúde.
Este artigo tem o intuito de fornecer informações gerais e não substitui a orientação de um profissional de saúde.
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