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O Que Calazar: Entenda a Leishmaniose Cutânea e Seus Riscos

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A saúde pública brasileira enfrenta diversos desafios, entre eles a leishmaniose, uma doença causada por parasitas do gênero Leishmania. Quando falamos em calazar, muitas pessoas se referem a uma das formas mais comuns da doença, a leishmaniose cutânea. Apesar de muitas vezes não ser fatal, ela pode deixar sequelas físicas e psicológicas profundas se não for tratada adequadamente. Este artigo visa esclarecer o que é calazar, seus sintomas, formas de transmissão, riscos e as formas de prevenção, para que você possa entender melhor essa condição e procurar auxílio especializado ao identificar sinais suspeitos.

O que é Calazar?

Calazar é um termo popularmente utilizado no Brasil para se referir à leishmaniose visceral, uma das formas mais graves da doença causada pelos parasitas Leishmania. No entanto, no contexto da maioria das regiões brasileiras, especialmente ao falar sobre a leishmaniose cutânea, o termo muitas vezes é utilizado de forma genérica para descrever diferentes manifestações dessa doença.

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Definição de Leishmaniose

A leishmaniose é uma doença infecciosa transmitida por insetos vetores, principalmente o mosquito palha (Lutzomyia spp.), que transmite o parasita Leishmania. Ela apresenta diferentes formas clínicas, sendo as principais:

  • Leishmaniose cutânea: afeta a pele, causando lesões ulceradas.
  • Leishmaniose visceral (calazar): acomete órgãos internos, podendo ser fatal se não tratado.
  • Leishmaniose mucocutânea: afeta mucosas, podendo causar deformidades faciais.

Como se Dá a Transmissão do Calazar?

O papel do mosquito vetores

O vetor responsável pela transmissão do Leishmania é o mosquito palha, que se infecta ao picar animais ou seres humanos infectados. Após o contato, o parasita é inserido na pele do hospedeiro, podendo migrar para diferentes órgãos ou a camada superficial da pele, dependendo da forma da doença.

Ciclo de transmissão

Fase do CicloDescrição
Hospedeiro infectadoAnimais silvestres, domésticos e humanos que possuem o parasita.
Picada do mosquitoO mosquito pica um hospedeiro infectado, ingerindo Leishmania em sua corrente sanguínea.
Propagação do parasitaDentro do mosquito, o parasita se reproduz, tornando-se capaz de infectar novos hospedeiros.
Nova infecçãoO mosquito pica um novo hospedeiro, transmitindo o parasita e começando um novo ciclo.

Como ocorre a transmissão para humanos?

A maioria dos casos ocorre quando o mosquito pica uma pessoa infectada, transmitindo o parasita pela sua picada. Outras formas são raras, incluindo transfusões de sangue, compartilhamento de objetos contaminados ou transmissão vertical (da mãe para o bebê).

Sintomas e Manifestações do Calazar

Leishmaniose Cutânea

A forma mais comum da doença, caracterizada por:

  • Lesões na pele, geralmente com aspecto ulcerado.
  • Máculas, pápulas ou nódulos na área afetada.
  • Pode ocorrer no rosto, braços ou pernas.
  • Em alguns casos, há cicatrização espontânea, mas há risco de sequelas.

Leishmaniose Visceral (Calazar)

A forma mais grave, apresentando:

  • Febre prolongada.
  • Perda de peso.
  • Cansaço extremo.
  • Aumento do baço e fígado.
  • Anemia.
  • Pode evoluir para falência de órgãos se não tratada.

Outros sintomas comuns

  • Lesões na mucosa nasal ou oral.
  • Edema nos membros inferiores.
  • Problemas cutâneos diversos.

Diagnóstico

O diagnóstico de calazar inclui:

  • Exames de sangue e secreções para detectar Leishmania.
  • Testes imunológicos.
  • Biópsia de lesões.
  • Exames de imagem, em casos de leishmaniose visceral para avaliar órgãos envolvidos.

Diagnóstico na leishmaniose cutânea

Tipicamente, realiza-se uma biópsia ou raspado da lesão e exames laboratoriais específicos.

Diagnóstico na leishmaniose visceral

Requer exames mais aprofundados, como o teste de Montenegro, exames de sangue e ultrassonografias.

Tratamento e Riscos do Calazar

Tratamento

O tratamento varia de acordo com a forma da doença:

  • Para a leishmaniose cutânea: medicamentos tópicos, imunoterapia ou medicamentos sistêmicos conforme a gravidade.
  • Para a leishmaniose visceral: uso de medicamentos específicos, como anfotericina B, miltefosina ou antimoniais pentavalentes, sob supervisão médica.

Riscos e complicações

Se mal tratado, o calazar pode evoluir para complicações severas, como infecções secundárias, deformidades ou falência de órgãos. Um estudo do Ministério da Saúde aponta que "a leishmaniose visceral sem tratamento adequado apresenta alto risco de óbito".

Prevenção do Calazar

Medidas individuais

  • Uso de repelentes e roupas que cubram o corpo.
  • Instalação de telas em portas e janelas.
  • Evitar áreas de mata ou lixo acumulado nos arredores das residências.

Medidas ambientais

  • Controle de vetores através de erradicação de criadouros de mosquitos.
  • Educação comunitária sobre os riscos e prevenção.

Controle de animais domésticos

  • Vacinação de cães na área de risco.
  • Controle na população de animais silvestres e domésticos.

Tabela: Diferenças entre Leishmaniose Cutânea e Visceral

CaracterísticasLeishmaniose CutâneaLeishmaniose Visceral (Calazar)
LocalizaçãoPeleÓrgãos internos (fígado, baço, medula óssea)
Inclusão na definiçãoSimSim
Sintomas principaisLesões ulceradas na peleFebre, aumento do fígado e baço, fraqueza
Potencial de cura espontâneaSim, em alguns casosRaro, precisa de tratamento eficaz
TratamentoMedicamentos tópicos ou sistêmicosMedicamentos específicos e monitoramento

Perguntas Frequentes

1. O calazar é contagioso?

Não diretamente. A transmissão ocorre pelo mosquito vetor, não pelo contato direto com pessoas ou animais infectados.

2. Como posso saber se tenho calazar?

Os sintomas variam conforme a forma da doença, sendo fundamental procurar um médico especialista para diagnóstico preciso por meio de exames laboratoriais.

3. O tratamento é eficaz?

Sim, quando iniciado precocemente, o tratamento costuma ser eficaz, prevenindo sequelas graves.

4. É possível prevenir o calazar?

Sim, através de medidas de higiene, uso de repelentes, controle ambiental e cuidados com animais domésticos.

Conclusão

Calazar, ou leishmaniose, é uma doença que representa um risco considerável para a saúde pública no Brasil, especialmente em regiões de maior ocorrência. Com o avanço da medicina e os esforços de campanhas de controle vetorial, a incidência pode ser reduzida, mas a consciência da população é fundamental. Entender o que é, seus modos de transmissão e as medidas de prevenção é o primeiro passo para evitar complicações e proteger a saúde de todos.

Se você suspeitar de sintomas relacionados à leishmaniose, procure imediatamente um serviço de saúde qualificado para avaliação e tratamento adequado.

Referências

  1. Ministério da Saúde - Secretaria de Vigilância em Saúde. Leishmaniose. Brasília: MS, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/controle-e-prevencao/controle-de-vetores/leishmaniose
  2. Organização Mundial da Saúde (OMS). Leishmaniose Visceral. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/leishmaniasis

Sobre o autor

Este artigo foi elaborado por especialistas em saúde pública e medicina tropical, com o objetivo de disseminar informações confiáveis sobre a leishmaniose e promover ações preventivas para uma sociedade mais informada e saudável.