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O Que Agravo de Instrumento: Entenda Como Funciona e Quando Usar

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No âmbito do processo civil brasileiro, há diversos recursos utilizados para garantir o direito das partes e assegurar a apreciação adequada das decisões judiciais. Um dos recursos mais relevantes nesta dinâmica é o agravo de instrumento. Ele desempenha papel fundamental para deslocar decisões interlocutórias, ou seja, aquelas que não põem fim ao processo, mas que podem causar prejuízo à parte caso não sejam revistas imediatamente.

Este artigo tem como objetivo explicar de forma clara e detalhada o que é o agravo de instrumento, como funciona, quando deve ser utilizado e os principais cuidados ao manejá-lo. Além disso, apresentaremos uma análise de sua importância na prática jurídica, com exemplos, perguntas frequentes, referências e recomendações de boas práticas.

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O que é o Agravo de Instrumento?

Definição

O agravo de instrumento é um recurso previsto no Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) utilizado pela parte que não concorda com uma decisão interlocutória proferida pelo juiz durante o andamento do processo. Sua função é solicitar a reconsideração ou a reforma dessa decisão por um tribunal de segunda instância, ou seja, pelo tribunal competente.

Características principais

  • É um recurso autônomo e interposto contra decisões interlocutórias.
  • Geralmente, possui efeito suspensivo ou cassativo, dependendo do que for requerido.
  • Tem prazo reduzido, normalmente de 15 dias úteis a partir da intimação.
  • Seu processamento exige o preparo de documentos e, muitas vezes, a apresentação de uma peça recursal completa.

Como funciona o Agravo de Instrumento?

Procedimento para interposição

  1. Decisão interlocutória: O juiz emite uma decisão que não põe fim ao processo, como uma decisão sobre alguma tutela provisória, indeferimento de alguma prova ou outra decisão intermediária.
  2. Interposição do recurso: A parte interessada deve protocolar o agravo de instrumento no tribunal competente, dentro do prazo legal de 15 dias úteis.
  3. Requisitos e documentação: É necessário juntar ao agravo cópias da decisão atacada, documentos essenciais, além de as razões pelas quais se busca modificar ou reformar a decisão.
  4. Preparo: O pagamento da taxa recursal deve estar quitado, salvo situações de isenção ou gratuidade de justiça.
  5. Julgamento: Após o processamento, o tribunal analisará o recurso, podendo manter, reformar ou cassar a decisão atacada.

Decisão do tribunal

O tribunal pode, ao analisar o agravo de instrumento:

  • Reformar a decisão interlocutória;
  • Manter a decisão;
  • Dar uma nova orientação ao processo.

Dependendo do conteúdo do agravo, o tribunal pode determinar a revisão da decisão com efeito suspensivo ou de efeito devolutivo.

Quando usar o Agravo de Instrumento?

Hipóteses comuns de cabimento

O agravo de instrumento é cabível nas seguintes situações, conforme previsão do artigo 1.015 do Código de Processo Civil:

Situações de Cabimento do Agravo de InstrumentoDescrição
Decisão que versar sobre tutelas provisórias (art. 1.015, I)Como tutelas de urgência ou evidência.
Decisão que julgar parcialmente o méritoQuando impacta o andamento do processo.
Decisão que ndeferir ou indeferir provasComo tentativa de assegurar a produção de provas.
Decisão que excluir ou admitir provasDe relevância processual e material.
Decisão que constitui, modifica ou rescinde tutela provisória ou sentença parcial (art. 1.015, V)Decisões que afetam o direito da parte de forma relevante.
Decisão que diz respeito à validade de negócio processual ou ato externo ao processoComo rejeição de recurso, penhora, entre outros.

Quando não é cabível?

  • Para decisões que põem fim ao processo (sentenças principais), a não ser que haja previsão específica.
  • Para decisões meramente interlocutórias de menor impacto, que não prejudiquem a parte de forma relevante ou urgente.

Exemplos práticos

  • Indeferimento de pedido de tutela antecipada.
  • Decisão que determina a produção de uma prova específica.
  • Decisão que rejeita uma exceção de incompetência.

Cuidados ao utilizar o Agravo de Instrumento

  • Atentar-se ao prazo: O agravo deve ser interposto em 15 dias úteis após a intimação.
  • Reunir documentação completa: É imprescindível incluir cópias da decisão, do processo, e dos documentos essenciais.
  • Compreender o efeito do recurso: O efeito suspensivo pode ser solicitado ou ser concedido automaticamente, impactando no andamento da decisão atacada.
  • Fundamentação adequada: Apresente argumentos sólidos e bem fundamentados, com jurisprudência quando possível.
  • Rever as regras específicas do tribunal: Cada tribunal pode estabelecer seus procedimentos internos, prazos e requisitos adicionais.

Exemplo de fluxo do Agravo de Instrumento

1. Decisão interlocutória: juiz nega um pedido de tutela antecipada.2. Parte insatisfeita: decide interpor agravo de instrumento.3. Interposição: protocoliza o recurso no tribunal competente.4. Análise do recurso: o tribunal avalia os argumentos e decide reintegrar ou manter a decisão.5. Decisão do tribunal: pode reformar a decisão ou mantê-la.

Tabela Resumida: Quando Utilizar o Agravo de Instrumento

SituaçãoAção RecomendávelTipo de efeito
Decisão que indeferiu tutela de urgênciaInterpor agravo de instrumentoSuspensivo/Devolutivo
Decisão que rejeita provaInterpor agravo de instrumentoGeralmente devolutivo
Decisão que reconhece nulidade de ato processualAvaliar cabimento de agravo de instrumentoDependendo do caso planejado

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Qual é o prazo para interpor o agravo de instrumento?

O prazo é de 15 dias úteis a partir da intimação da decisão interlocutória.

2. O agravo de instrumento tem efeito suspensivo por padrão?

Nem sempre. Geralmente, o efeito suspensivo deve ser pedido na petição ou de ofício pelo tribunal. Caso seja necessário, é importante solicitar expressamente o efeito suspensivo.

3. Como saber se uma decisão interlocutória é passível de agravo de instrumento?

Verifique o artigo 1.015 do Código de Processo Civil e analise se a decisão recai sobre alguma das hipóteses expressamente previstas.

4. Há custos envolvidos ao propor o agravo de instrumento?

Sim. É necessário pagar as custas processuais e o preparo, salvo casos de Justiça Gratuita.

5. É possível recorrer contra decisão do tribunal que decidir o agravo de instrumento?

Sim. A parte pode interpor recursos contra a decisão do tribunal que julga o agravo, como recurso especial ou representativo de controvérsia.

Conclusão

O agravo de instrumento é uma ferramenta processual essencial para garantir a rápida revisão de decisões interlocutórias que possam comprometer direitos ou dificultar o andamento do processo judicial. Sua correta utilização exige conhecimento técnico, atenção aos prazos, fundamentos sólidos e atenção às regras específicas de cada tribunal.

Ao entender suas hipóteses de cabimento, procedimentos e efeitos, advogados e partes podem elevar a eficiência de suas estratégias processuais, contribuindo para uma justiça mais célere e eficaz.

Referências

  • BRASIL. Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015). Disponível em: Planalto.gov.br
  • CUNHA, Nelson. Manual de Processo Civil. São Paulo: Editora Fórum, 2020.
  • STJ. Súmula 269: "Não se conhece do recurso extraordinário, quando a decisão recorrida não julgar, inquinada de vício, questão de constitucionalidade."

Referências adicionais

  • Para uma abordagem prática e aprofundada sobre recursos processuais, consulte Jusbrasil, um importante portal de legislação e jurisprudência.
  • Para entender as mudanças trazidas pelo Novo Código de Processo Civil, visite Supremo Tribunal Federal, que concentra as principais decisões de impacto jurídico.

"A piedra fundamental de qualquer sistema jurídico é a segurança jurídica, que só é possível com a correta aplicação dos recursos processuais." — Jurista Roberto PodVal.

Este artigo foi elaborado com o objetivo de oferecer informações de qualidade, sempre recomendando a consulta de profissionais especializados para casos específicos.