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O que Acontece Se Demorar Para Cortar o Cordão Umbilical: Cuidados e Riscos

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A chegada de um recém-nascido é um momento mágico e repleto de emoções. Durante esse momento, uma das ações mais comuns é o corte do cordão umbilical. No entanto, muitas dúvidas surgem sobre o que pode acontecer se esse procedimento for adiado. Este artigo aborda detalhadamente os riscos, cuidados e informações essenciais sobre o tempo ideal para o corte do cordão umbilical, garantindo uma compreensão completa para pais, profissionais de saúde e interessados no tema.

Introdução

O cordão umbilical é uma estrutura vital que conecta o bebê à mãe durante a embarazo, fornecendo nutrientes, oxigênio e removendo resíduos. Após o nascimento, o corte do cordão umbilical marca a transição do bebê para a vida independente fora do útero materno. Entretanto, a rapidez e a forma de realizar esse procedimento podem influenciar significativamente a saúde do recém-nascido.

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No cenário atual, há várias recomendações baseadas em evidências científicas que sugerem que atrasar o corte do cordão umbilical pode trazer benefícios, mas também há casos em que o atraso pode apresentar riscos. Vamos explorar esses aspectos detalhadamente a seguir.

O que acontece se demorar para cortar o cordão umbilical?

Antes de compreender os efeitos do atraso, é importante entender o que acontece fisiologicamente ao longo do processo de nascimento e após o nascimento.

O papel do cordão umbilical

O cordão umbilical é formado por duas artérias e uma veia, envoltas por uma cobertura gelatinosa chamada geléia de Wharton. Ele permite o intercâmbio de sangue entre a placenta e o bebê, garantindo nutrientes e oxigênio durante a gravidez. Após o nascimento, esse intercâmbio é cortado de forma deliberada, separando o bebê do controle direto da placenta.

Os efeitos do atraso no corte do cordão

A seguir, detalhamos os principais efeitos e considerações relacionadas ao atraso na hora de cortar o cordão umbilical:

Tempo de atrasoEfeito ou risco associadoObservações
Até 60 segundosBenefícios: aumento de ferro no recém-nascidoFavorece o estoque de ferro e reduz risco de anemia.
Entre 1 a 3 minutosPotencial aumento de sangue de reservaPode melhorar a oxigenação e estabilidade.
Após 5 minutosRisco de Policitemia e hiperbilirrubinemiaSangue pode se tornar mais espesso, com risco de icterícia.

Benefícios de atrasar o corte do cordão umbilical

Vários estudos indicam que deixar o cordão umbilical intacto por alguns minutos após o nascimento traz benefícios importantes para o bebê.

1. Melhora na oferta de ferro

O sangue transferido do cordão ao bebê durante os primeiros minutos contém uma grande quantidade de ferro, elemento essencial para o desenvolvimento cerebral e produção de hemoglobina.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o atraso do corte do cordão por pelo menos um minuto pode contribuir para evitar a anemia na infância.

2. Redução do risco de anemia na infância

O aumento das reservas de ferro promovido pelo atraso reduz a incidência de anemia, condição que pode comprometer o desenvolvimento físico e cognitivo da criança.

3. Estabilização cardiovascular

O sangue residual do cordão ajuda na estabilidade circulatória, minimizando o impacto do estádio de transição do nascimento.

4. Benefícios para bebês prematuros e de alto risco

Em casos de partos prematuros, o atraso ao corte do cordão pode ajudar na adaptação do recém-nascido, fornecendo uma fonte de sangue adicional até que seus sistemas estejam mais maduros.

5. Boas práticas recomendadas por profissionais de saúde

Médicos e doulogistas especializados apontam que atrasar o corte do cordão, principalmente nos primeiros 60 segundos, é uma prática segura e eficaz, quando realizada por profissionais capacitados.

Riscos associados ao atraso no corte do cordão umbilical

Apesar dos benefícios, também existem riscos potenciais que devem ser considerados para garantir a segurança do bebê.

1. Policitemia

O excesso de sangue transferido devido ao atraso pode levar à policitemia, uma condição caracterizada por uma quantidade excessiva de glóbulos vermelhos, que pode causar aumento da viscosidade do sangue e dificultar a circulação.

2. Icterícia neonatal

Com o aumento do volume de sangue, há também maior produção de bilirrubina, o que pode resultar em icterícia grave, exigindo monitoramento e intervenções específicas.

3. Riscos em partos complicados ou de emergência

Em situações de emergência, atrasar o corte pode atrasar procedimentos essenciais ou intervenções necessárias para o bem-estar do recém-nascido.

4. Risco de infecções

Embora raro, a manipulação prolongada do cordão pode aumentar o risco de infecções, especialmente se as condições de higiene não forem ideais.

Cuidados ao atrasar o corte do cordão umbilical

Para garantir os benefícios e minimizar riscos, alguns cuidados devem ser adotados:

  • Profissional qualificado: a realização do procedimento deve ser feita por equipe treinada, familiarizada com as recomendações atuais.

  • Controle do tempo: manter o corte entre 1 a 3 minutos é considerado ideal na maioria dos casos.

  • Avaliação do bebê: monitorar sinais vitais, cor, tônus e respiração durante o atraso.

  • Preparar o ambiente: manter a área limpa e assegurar condições de higiene adequadas.

  • Informar os pais: explicar os benefícios e riscos, alinhando expectativas e decisões conscientes.

Quando o corte do cordão deve ocorrer?

Embora a recomendação geral seja aguardar pelo menos um minuto, a decisão depende de fatores como o estado de saúde do bebê, condições do parto, e protocolos locais.

Recomendações gerais:

  • Aguardar entre 1 a 3 minutos na maioria dos casos normais.

  • Cortar imediatamente em casos de emergência ou complicações clínicas.

  • Praticar o delayed clamping (círculo de atraso) conforme a orientação da equipe médica.

Para mais orientações, consulte o site do Ministério da Saúde e o World Health Organization.

Perguntas Frequentes

1. O que é o delay do corte do cordão umbilical?

É a prática de aguardar alguns minutos após o nascimento antes de fazer o corte, geralmente entre 1 a 3 minutos, para que o bebê receba sangue adicional da placenta.

2. Qual o momento ideal para cortar o cordão umbilical?

Idealmente, entre 1 e 3 minutos após o nascimento, salvo contraindicações médicas.

3. É seguro atrasar o corte do cordão em todos os casos?

Na maioria das situações, sim, porém, em casos de emergência ou complicações de saúde, pode ser necessário realizar o corte imediato.

4. Quais os riscos de atrasar o corte por muito tempo?

Possíveis riscos incluem policitemia, icterícia e complicações relacionadas ao aumento do volume de sangue.

5. O atraso no corte do cordão umbilical é uma prática recomendada por organizações de saúde?

Sim, órgãos como a OMS e a American Academy of Pediatrics recomendam o delay do corte em partos normais saudáveis.

Conclusão

A decisão sobre quando cortar o cordão umbilical deve ser embasada em informações científicas, condições clínicas e orientação de profissionais capacitados.

A evidência indica que atrasar o corte do cordão por até 3 minutos pode trazer benefícios significativos, como aumento nas reservas de ferro, redução do risco de anemia e maior estabilidade cardiovascular ao recém-nascido. No entanto, é fundamental considerar as particularidades de cada parto, sempre priorizando a segurança e o bem-estar do bebê.

Se você está esperando um bebê ou é profissional da saúde, mantenha-se atualizado sobre as práticas recomendadas e converse com sua equipe de atendimento para assegurar uma escolha informada. O cuidado correto nesse momento tão delicado pode influenciar positivamente na saúde do seu filho por toda a vida.

Referências

  • Organização Mundial da Saúde (OMS). "Práticas de manejo do recém-nascido". 2020.
  • American Academy of Pediatrics. "Timing of umbilical cord clamping after birth". Pediatrics, 2017.
  • Ministério da Saúde. Guia de Ações de Saúde Materno-Infantil. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
  • Lodha, A., et al. "Delayed cord clamping in newborns: benefits and risks". Journal of Perinatology, 2019.

Lembre-se: sempre consulte um profissional de saúde para orientações específicas de acordo com a sua situação.