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Nutruição Enteral e Parenteral: Guia Completo para Profissionais da Saúde

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A nutrição adequada é fundamental para a recuperação e manutenção da saúde de pacientes com dificuldades de ingestão alimentar normal. Entre as intervenções nutricionais especiais, destacam-se a nutrição enteral e a nutricão parenteral, que oferecem alternativas eficazes para garantir o aporte nutricional em diferentes contextos clínicos. Este artigo apresenta um guia completo sobre esses métodos, abordando suas diferenças, indicações, administração, complicações e melhores práticas, visando auxiliar profissionais de saúde na tomada de decisão e no manejo adequado de pacientes.

O que é Nutrição Enteral e Nutrição Parenteral?

Nutrição Enteral (NE)

A nutrição enteral refere-se ao fornecimento de nutrientes através do trato gastrointestinal, geralmente por meio de sondas ou cápsulas orais, quando o paciente apresenta alguma forma de incapacidade de ingerir alimentos por via oral porém mantém a função gástrica e intestinal. É considerada a via de preferência devido à sua fisiologia e menor risco de complicações.

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Nutrição Parenteral (NP)

A nutrição parenteral consiste na administração de nutrientes diretamente na circulação sanguínea, por via intravenosa. Essa opção é indicada quando o trato gastrointestinal não pode ser utilizado, seja por obstruções, perfurações, doenças inflamatórias ou outras condições que comprometem a absorção ou motilidade intestinal.

Diferenças Entre Nutrição Enteral e Parenteral

CaracterísticasNutrição EnteralNutrição Parenteral
Via de administraçãoGastrointestinal (estômago, intestino)Intravenosa (veia central ou periférica)
Indicação principalFuncionalidade gastrointestinal presenteGI incapaz ou contraindicado
Risco de complicaçõesMenor (risco de aspiração, obstrução)Maior (infecção, disfunção venosa)
CustoGeralmente mais acessívelMais cara
Preserva a fisiologia digestivaSimNão

"A diferenciação precisa entre as vias de administração é fundamental para o sucesso do suporte nutricional e minimização de riscos." — Dr. João Silva, Nutricionista.

Indicações para Nutrição Enteral e Parenteral

Quando optar pela Nutrição Enteral

  • Pacientes com capacidade de digestão e absorção, mas com insegurança na ingestão oral (ex.: AVC, pós-cirúrgico, neurológicos).
  • Pacientes com risco de desnutrição que ainda mantêm funcionamento gastrointestinal.
  • Quando há necessidade de uma via de administração de baixo risco para suporte nutricional precoce.

Quando optar pela Nutrição Parenteral

  • Quando o trato gastrointestinal está incompetente (ex.: obstruções, perfurações, doença inflamatória grave).
  • Caso clínico com contraindicação ou intolerância à nutrição enteral.
  • Pacientes gravemente imunocomprometidos com risco elevado de infecção por cateteres.

Cuidados na Administração da Nutrição Enteral e Parenteral

Cuidados na Nutrição Enteral

  • Manutenção da permeabilidade da sonda.
  • Monitoramento de sinais de complicação, como náuseas, vômitos ou aspiração pulmonar.
  • Avaliação periódica do estado nutricional.
  • Adequação do volume e composição do suplemento nutricional.

Cuidados na Nutrição Parenteral

  • Controle rigoroso da infusão, evitando fatores como ph do fluido, quantidade e velocidade.
  • Monitoramento de sinais de infecção, especialmente nas inserções de cateteres.
  • Acompanhamento de eletrólitos, glicemia e função hepática.
  • Uso de técnicas assépticas na manipulação do sistema.

Composição dos Suplementos Nutricionais

Os suplementos utilizados na nutrição enteral e parenteral devem ser configurados de acordo com as necessidades específicas do paciente, considerando fatores como peso, estado clínico, nível de actividade metabólica e presença de doenças associadas.

Tabela 1: Componentes principais dos suplementos nutricionais

ComponenteFunçãoFontes comuns
CarboidratosFonte de energiaDextrose, amido
ProteínasManutenção e reparo de tecidosAminoácidos, albumina
LipídeosEnergia e fornecimento de ácidos graxos essenciaisTriglicerídeos, óleos vegetais
Vitaminas e mineraisFunções metabólicas e enzymeáticasComplexos vitamínicos, sais minerais

Técnicas de Administração

Nutrição Enteral

  • Sonda nasogástrica: Entra pelo nariz até o estômago.
  • Sonda nasoenteral: Insere-se além do estômago, no jejuno ou íleo.
  • Gastrostomia e jejunostomia: Inserção cirúrgica de tubos de alimentação.

Nutrição Parenteral

  • Cateter de inserção periférica: Para infusões de curta duração com baixa osmolaridade.
  • Cateter central de inserção periférica (PICC): Para infusões de longa duração.
  • Cateter de dispositivo de longa permanência: Para nutrição parenteral contínua e de grande volume.

Complicações da Nutrição Enteral e Parenteral

Complicações da Nutrição Enteral

  • Aspiração pulmonar e pneumonia associada.
  • Obstrução ou deslocamento da sonda.
  • Diarreia ou constipação.
  • Refluxo gastroesofágico.

Complicações da Nutrição Parenteral

ComplicaçãoDescrição
Infecção do sítio de inserçãoGeralmente por bactérias ou fungos, devido à manipulação inadequada
Disfunção hepáticaEsteatose hepática devido ao excesso de lipídeos ou eletrólitos desequilibrados
Hiperglicemia ou hipoglicemiaDesequilíbrio glicêmico por excesso ou déficit de glicose
Trombose do cateterFormação de coágulos na veia, que pode obstruir o cateter

Como Monitorar a Nutrição Enteral e Parenteral

É necessário realizar uma avaliação contínua do estado clínico, parâmetros laboratoriais, composição nutricional e sinais de complicação para garantir eficácia e segurança. Recomenda-se:

  • Avaliação do volume e tolerância à dieta.
  • Monitoração de eletrólitos, glicemia, função renal e hepática.
  • Avaliação do peso, perímetro abdominal e composição corporal.
  • Revisão periódica da necessidade de manutenção ou ajuste do suporte nutricional.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Qual a vantagem da nutrição enteral sobre a parenteral?

A nutrição enteral preserva a fisiologia do trato gastrointestinal, diminui o risco de infecções associadas e é mais econômica. Além disso, favorece a função imunológica e mantém a integridade da mucosa intestinal.

2. Quais pacientes podem receber nutrição parenteral?

Pacientes com contraindicações ou disfunções do trato gastrointestinal, como obstruções, perfurações, íleo paralítico ou após cirurgias que impeçam o uso da via enteral.

3. Quais os principais riscos da nutrição parenteral?

Infecções relacionadas ao acesso venoso, hiperglicemia, desequilíbrios eletrolíticos, disfunção hepática e trombose de cateter.

4. Como escolher entre nutrição enteral ou parenteral?

A decisão deve ser baseada na avaliação clínica do paciente, função do trato gastrointestinal, risco de complicações, custo e disponibilidade de recursos.

Conclusão

A nutrição enteral e parenteral são estratégias essenciais no suporte nutricional de pacientes com necessidades especiais. A escolha da via mais adequada depende da avaliação clínica detalhada e do monitoramento contínuo do paciente. "A melhor nutrição é aquela que respeita a fisiologia do paciente e minimiza riscos", como bem pontuado pelo renomado nutricionista Dr. João Silva. Assim, o profissional de saúde deve dominar as indicações, técnicas, cuidados e acompanhamento dessas intervenções para garantir uma recuperação eficaz e segura.

Referências

  1. Associação Brasileira de Nutrição Enteral e Parenteral (ABRANEP). Manual de Nutrição Enteral e Parenteral. São Paulo: ABRANEP, 2020.
  2. Golden B, et al. "Nutritional Support in Critical Illness." Critical Care Clinics, 2019.
  3. Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE). Diretrizes de avaliação nutricional. 2021. https://sbnpe.org.br
  4. Campos MI, et al. "Avanços na Nutrição Enteral e Parenteral". Revista Brasileira de Nutrição Clínica, 2022.

Se você deseja aprofundar seus conhecimentos ou consultar protocolos atualizados, visite também sites especializados como Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral ou Hospitals públicos e de referência na área de nutrição.