Nova Lei do Divórcio e Partilha de Bens: Entenda as Mudanças
A legislação brasileira passou por importantes atualizações recentemente, especialmente no que diz respeito ao divórcio e à partilha de bens. Essas mudanças impactam diretamente a vida de muitos cidadãos, seja no processo de separação ou na divisão do patrimônio. Neste artigo, vamos explorar detalhadamente a nova lei do divórcio e da partilha de bens, esclarecendo dúvidas, apresentando novidades e orientando sobre os direitos de cada parte envolvida.
Introdução
Com a evolução da sociedade e o fortalecimento dos direitos individuais, o Brasil adaptou sua legislação para tornar o divórcio mais ágil e justo, além de estabelecer regras claras para a partilha de bens. A Lei nº 13.106/2015, que entrou em vigor em 2015, trouxe mudanças substanciais nesse âmbito, simplificando procedimentos e promovendo maior segurança jurídica.

Ao compreender essas mudanças, é possível evitar conflitos e facilitar a resolução de questões patrimoniais, promovendo uma separação mais justa e menos burocrática para os envolvidos. A seguir, detalharemos as principais alterações e o que elas representam na prática.
O que mudou na Lei do Divórcio?
Abolição do termo "divórcio direto" e "divórcio indireto"
Antes da reforma, existiam conceitos distintos: o divórcio direto (quando os cônjuges estavam em acordo) e o divórcio indireto (quando havia litigiosidade). Com a nova legislação, foi eliminado esse distinction, estabelecendo o divórcio com pedido feito por um ou ambos os cônjuges, independentemente de estarem em conflito ou não.
União estável e o reconhecimento do casamento
A legislação também fortaleceu o entendimento sobre a união estável, equiparando-a ao casamento em diversos aspectos, inclusive no que diz respeito à possibilidade de divórcio amigável ou litigioso.
Processo de divórcio consensual e litigioso
A principal novidade é a possibilidade de o divórcio ser realizado de forma consensual, sem necessidade de separar-se previamente ou de passar por longas etapas processuais. Além disso, o procedimento passou a ser mais célere e acessível, com maior flexibilidade.
Partilha de bens na nova legislação
Regimes de bens
Na legislação anterior, o regime de bens podia causar disputas prolongadas. Agora, o código reforça a necessidade de definir claramente o regime de bens no momento do casamento ou da união estável, e estabeleceu regras mais específicas para a partilha.
Partilha de bens na separação judicial ou de fato
Na nova lei, o procedimento de partilha ficou mais simples, especialmente para uniões estáveis e casamentos com regime de comunhão parcial, que é o mais comum.
Regras para partilha de bens adquiridos antes e durante o casamento
A legislação trouxe diretrizes mais precisas para divisão de bens adquiridos antes do casamento (bens particulares) e durante a união (comunhão de bens), incluindo casos de bens adquiridos de forma individual ou comum.
Tabela de regimes de bens e suas principais características
| Regime de Bens | Compra dos Bens | Bens Pessoais | Venda ou Transferência | Observações |
|---|---|---|---|---|
| Comunhão Parcial de Bens | Durante o casamento | Aqueles adquiridos antes do casamento permanecem particulares | Requer consentimento de ambos | Regime mais comum hoje em dia |
| Comunhão Universal de Bens | Tudo adquirido antes e durante | Tudo é comum ao casal | Requer consentimento de ambos | Necessita de pacto antenupcial |
| Separação Total de Bens | Bens sempre privados | Bens adquiridos por cada um | Pode ser livremente feito | Recomendado em casos específicos |
| Participação final nos aquestos | Durante o casamento, bens podem ser partilhados ao final | Particular enquanto vivo, mas partilhados ao final do casamento | Requer pacto antenupcial | Regime intermediário, combina características de separación e comunhão |
Como funciona a partilha de bens na prática?
Na prática, a partilha deve ser baseada no regime de bens estabelecido no momento do casamento ou união estável. Para facilitar, listamos os passos principais:
- Identificação do regime de bens: deve estar claramente definido na certidão de casamento ou documento de união estável.
- Inventário e avaliação dos bens: todos os bens adquiridos e dívidas assumidas devem ser listados.
- Divisão amigável ou litigiosa: dependendo do consenso, o processo pode ser realizado de forma rápida ou judicial.
- Homologação da partilha: o acordo ou sentença judicial homologam a divisão dos bens.
Para uma orientação mais detalhada, consulte o site do Ministério da Justiça e o Instituto Brasileiro de Direito de Família.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Quais são os requisitos para solicitar o divórcio na nova lei?
- Os cônjuges não precisam mais estar separados por um período mínimo.
- Pode ser feito de forma consensual ou litigiosa.
- Pode ser realizado perante o cartório ou na Justiça.
2. Como é feita a partilha de bens em um divórcio consensual?
- Com acordo mútuo entre as partes.
- As partes definem a divisão dos bens e apresentam um pacto ou homologação judicial.
- O procedimento é mais rápido e menos burocrático.
3. É possível dividir bens adquiridos antes do casamento?
- Sim. Os bens adquiridos antes do casamento permanecem particulares, salvo acordo em sentido contrário.
4. Como garantir que a partilha seja justa?
- Através de acordo entre as partes ou decisão judicial baseada em avaliação correta dos bens.
- Recomenda-se consultar um advogado especializado em direito de família.
5. O divórcio pode ser revertido?
Não. Uma vez homologado, o divórcio é definitivo, mas pode haver ações específicas para questões patrimoniais decorrentes de decisões anteriores ou em casos de erro.
Conclusão
A nova lei do divórcio e partilha de bens trouxe avanços significativos para o sistema jurídico brasileiro, facilitando procedimentos e garantindo mais segurança jurídica às partes envolvidas. Com o aumento das possibilidades de acordos e procedimentos mais rápidos, o processo de separação tornou-se mais humano e menos litigioso.
Entender as mudanças, os regimes de bens e os direitos de cada um é fundamental para evitar conflitos e assegurar uma divisão patrimonial justa. Buscar orientação especializada e estar bem informado são passos essenciais nesta etapa de transição.
Como disse Nelson Mandela, "A liberdade é uma conquista diária, que exige coragem para lutar por ela a cada dia." Da mesma forma, o conhecimento e a justiça precisam ser constantemente aprimorados para garantir direitos e minimização de conflitos nas relações familiares.
Referências
Brasil. Lei nº 13.106/2015. Lei do Divórcio. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13106.htm
Ministério da Justiça. Guia de direitos e procedimentos no divórcio. Disponível em: https://www.justica.gov.br/
Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM). Publicações e orientações. Disponível em: https://www.ibdfam.org.br/
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