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Notificação de Eventos Adversos: Guia para a Segurança do Paciente

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A segurança do paciente é uma preocupação central na área da saúde, buscando minimizar riscos e prevenir danos decorrentes de ações ou omissões durante a assistência. Um dos aspectos mais importantes nesse contexto é a notificação de eventos adversos (EAs), que são incidentes que causarão ou poderiam ter causado danos ao paciente. A conscientização sobre a importância desse procedimento e o entendimento de suas etapas podem transformar a cultura de segurança nas instituições de saúde. Este artigo tem como objetivo fornecer um guia completo sobre a notificação de eventos adversos, destacando sua importância, procedimentos, benefícios e boas práticas, além de responder às perguntas frequentes sobre o tema.

O que é um evento adverso?

Um evento adverso é qualquer incidente que resulte ou tenha potencial de resultar em dano ao paciente durante o cuidado em saúde. Esses eventos podem variar de leves até graves, incluindo erros de medicação, infecções hospitalares, quedas, reações adversas a medicamentos, entre outros.

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“A notificação de eventos adversos não apenas ajuda a prevenir futuras ocorrências, mas também promove uma cultura de transparência e aprendizado contínuo na assistência à saúde.” – Organização Mundial da Saúde (OMS)

Importância da notificação de eventos adversos

A notificação de EAs é uma ferramenta fundamental para melhorar a qualidade e segurança dos serviços de saúde. Ela possibilita:

  • Identificação de padrões e causas de incidentes
  • Implementação de ações corretivas e preventivas
  • Monitoramento de riscos e tendências
  • Promoção de uma cultura de segurança e transparência
  • Cumprimento de legislações e normativas de saúde

Legislação e normativas relacionadas

No Brasil, a notificação de eventos adversos é regulamentada por órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Ministério da Saúde e Conselhos Profissionais. Destacam-se as principais normativas:

Órgão/NormativaDescrição
Resolução da Anvisa RDC nº 36/2012Regulamenta a notificação de eventos adversos de medicamentos e produtos de saúde
Portaria GM/MS nº 529/2013Estabelece diretrizes para vigilância epidemiológica dos eventos adversos relacionados à atenção à saúde
Código de Ética Médica (Brasília, 2019)Incentiva a transparência e a cultura de reporte de incidentes

Como fazer a notificação de eventos adversos?

Etapas do procedimento

  1. Identificação do evento: Reconhecer que um incidente ocorrido pode ser considerado evento adverso.
  2. Registro detalhado: Coletar informações precisas, como dados do paciente, descrição do evento, circunstâncias, profissionais envolvidos, entre outros.
  3. Preenchimento do formulário de notificação: Utilizar plataformas específicas ou formulários institucionais próprios.
  4. Envio da notificação: Comunicar às autoridades responsáveis ou à comissão de segurança do hospital.
  5. Análise e investigação: determinando causas raízes e fatores contribuintes.
  6. Ações corretivas e preventivas: Implementar melhorias no processo assistencial.

Ferramentas de notificação

Algumas plataformas e sistemas de registro de eventos adversos incluem:

  • Sistema de Notificação de Eventos Adversos do Ministério da Saúde (Notivisa)
  • Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN)
  • Plataformas internas de hospitais e clínicas

Como preencher uma notificação corretamente?

PassoDescrição
Dados do pacienteNome, idade, sexo, número de prontuário
Descrição do eventoO que aconteceu? circunstâncias, hora, local
Profissionais envolvidosQuem esteve presente ou responsável pelo cuidado
ConsequênciasQuais foram os danos ou riscos? Gravidade, ações tomadas
Causas e fatoresFatores contribuintes, erros, falhas de comunicação, entre outros
Medidas adotadasAções imediatas, investigações, mudanças implementadas

Benefícios da cultura de notificação de eventos adversos

A implementação de uma cultura organizacional que incentiva o reporte de eventos adversos traz diversos benefícios, como:

  • Melhoria contínua da qualidade assistencial
  • Redução da incidência de erros
  • Aumento da confiança dos pacientes
  • Cumprimento de normativas legais
  • Engajamento da equipe no processo de segurança

Desafios na notificação de eventos adversos

Apesar de sua importância, muitas instituições enfrentam obstáculos na implementação efetiva dessa prática, incluindo:

  • Subnotificação devido ao medo de punições
  • Falta de treinamento adequado
  • Cultura de responsabilização
  • Sistemas de registro pouco acessíveis ou burocráticos

Para superar esses desafios, recomenda-se o fortalecimento da cultura de segurança, treinamento contínuo e simplificação dos processos de notificação.

Boas práticas na notificação de eventos adversos

  • Incentivar o relato espontâneo e sem punições
  • Promover treinamentos regulares
  • Garantir sigilo e confidencialidade
  • Utilizar plataformas acessíveis e intuitivas
  • Compartilhar aprendizados com toda a equipe

Tabela: Comparativo entre eventos adversos e quase incidentes

CritérioEvento AdversoQuase Incidente
DefiniçãoIncidente que causou dano ao pacienteIncidente que poderia causar dano, mas não resultou em dano
ExemplosQueda que resultou fratura, erro de medicação que causou reaçõesErro de medicação evitado a tempo, queda que não atingiu o paciente
Propósito de notificaçãoAprender com o incidente para prevenir novos danosIdentificação de riscos para ações preventivas

Perguntas frequentes

1. Quem deve fazer a notificação de eventos adversos?

A responsabilidade é de toda a equipe de saúde, incluindo médicos, enfermeiros, farmacêuticos, técnicos e demais profissionais envolvidos no cuidado ao paciente. Cada um deve atuar de forma ética e responsável.

2. A notificação implica em punição ou responsabilização do profissional?

Não necessariamente. A cultura de segurança valoriza o reporte como uma ferramenta de aprendizado e melhoria, não de punição. A confidencialidade e o respeito às informações são fundamentais.

3. Como incentivar uma equipe a notificar eventos adversos?

Promovendo treinamentos, esclarecendo que a notificação é uma responsabilidade de todos, reforçando o valor do aprendizado e criando um ambiente de transparência e apoio.

4. Quais os principais benefícios da notificação para o paciente?

Diminuição de riscos, melhora na qualidade do cuidado, maior confiança no sistema de saúde e redução de danos futuros.

Conclusão

A notificação de eventos adversos é um pilar fundamental para a promoção da segurança do paciente e a excelência na assistência à saúde. Ao adotar uma postura proativa e transparente, as instituições de saúde podem transformar incidentes em oportunidades de aprendizado, aprimorando continuamente seus processos e promovendo um ambiente mais seguro para todos. Incentivar a cultura do reporte, investir em treinamentos e utilizar ferramentas eficazes são passos essenciais para que essa prática seja efetiva e consolidada.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde (OMS). “Patient Safety: Making health care safer.” 2017. Disponível em: https://www.who.int/patientsafety/en/
  2. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Resolução RDC nº 36/2012. DISPONÍVEL em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-rdc-n-36-de-16-de-marco-de-2012-70872567
  3. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 529/2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt0529_18_06_2013.html

Para garantir uma assistência segura, a notificação de eventos adversos deve ser uma prática constante e colaborativa. Afinal, a segurança do paciente é responsabilidade de todos.