Neurossífilis CID: Guia Completo Sobre Essa Condição Neurológica
A neurossífilis é uma das manifestações mais graves da infecção por Treponema pallidum, o protozoário responsável pela sífilis. Apesar de avanços nos diagnósticos e tratamentos, ela ainda representa um desafio para a medicina, especialmente pela sua complexidade e diversidade de apresentações clínicas. Neste artigo, abordaremos de forma detalhada tudo o que você precisa saber sobre a neurossífilis CID, incluindo causas, sintomas, diagnósticos, tratamentos e medidas de prevenção.
Introdução
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível que, se não tratada adequadamente, pode evoluir para formas mais graves, como a neurossífilis. A classificação internacional de doenças (CID) fornece códigos específicos que facilitam o diagnóstico, a investigação epidemiológica e o tratamento adequado dessa condição. Entender o CID relacionado à neurossífilis — que geralmente é o CID B02.0 — é fundamental para profissionais de saúde e para a conscientização da população.

Segundo o Ministério da Saúde, a sífilis, incluindo suas formas neurológicas, representa um grande desafio de saúde pública no Brasil e no mundo, demandando atenção contínua para controle e prevenção.
O que é a Neurossífilis?
A neurossífilis é uma forma de comprometimento do sistema nervoso central ou periférico devido à infecção pelo Treponema pallidum. Pode ocorrer em qualquer estágio da sífilis, mas é mais comum na fase terciária, que ocorre alguns anos após a infecção inicial.
Tipos de Neurossífilis
A neurossífilis se manifesta de diversas formas, classificada principalmente em:
- Neurosífilis precoce (primeiros anos de infecção), podendo envolver meningite ou meningovascular.
- Neurosífilis tardia (anos após a infecção), incluindo tabulação, paralisia geral progressiva, e outros comprometimentos neurológicos.
CID da Neurossífilis e Classificação
A Classificação Internacional de Doenças (CID-10) que corresponde à neurossífilis é:
| Código CID | Descrição |
|---|---|
| B02.0 | Neurossífilis (neurossífilis) |
| G04.2 | Meningoencefalite de causa infecciosa religiosa ou viral (caso de meningite neurossífilis) |
É importante destacar que o código CID B02.0 engloba diferentes manifestações neurológicas relacionadas à sífilis, permitindo uma classificação padronizada para fins epidemiológicos e de registro clínico.
Causas e Fatores de Risco
A causa primária da neurossífilis é a infecção por Treponema pallidum, adquirida através do contato sexual íntimo com uma pessoa infectada. Ainda que seja uma doença evitável, fatores de risco incluem:
- Relações sexuais desprotegidas
- Histórico de outras doençasSexualmente Transmissíveis (DST)
- Uso de drogas injetáveis
- Falta de acesso a métodos preventivos e diagnósticos precoces
Sintomas e Manifestações Clínicas
A neurologia da neurossífilis é bastante diversa, refletindo a variedade de áreas do sistema nervoso afetadas. Algumas manifestações incluem:
Sintomas comuns de neurossífilis
- Cefaleia intensa
- Paralisia de nervos cranianos
- Alterações na memória
- Confusão mental
- Perda de coordenação motora
- Dermatose e lesões na pele ou mucosas
- Sinais de meningite (febre, rigidez de nuca)
Manifestações específicas de acordo com o tipo
| Tipo de neurossífilis | Manifestação principal | Tratamento indicado |
|---|---|---|
| Meningite de neurossífilis | Dor de cabeça, rigidez de nuca, febre | Penicilina G, por via parenteral |
| Meningoencefalite | Convulsões, alterações neurológicas, alterações de humor | Penicilina, corticóides (em alguns casos) |
| Tabes dorsal (tabulação) | Dores lancinantes, ataxia, pé tabético | Antibioticoterapia extensa |
| Paralisia geral progressiva | Demência, perda de funções cognitivas | Tratamento sintomático, antibióticos |
Diagnóstico da Neurossífilis CID
O diagnóstico da neurossífilis demanda uma combinação de exames clínicos, laboratoriais e de imagem.
Exames laboratoriais
- Sorologia treponêmica: teste VDRL, FTA-ABS, TPPA
- Liquor cerebrospinal: análise do LCR para VDRL, celularidade, proteínas e glicose
Exames de imagem
- Tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) do cérebro para avaliar lesões cerebrais ou medulares.
Critérios diagnósticos
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a combinação de sinais clínicos compatíveis, alterações no exame do LCR e sorologias positivas confirmam o diagnóstico de neurossífilis.
Tratamento da Neurossífilis CID
O tratamento da neurossífilis deve ser iniciado o mais breve possível, preferencialmente com antibióticos de alta penetração no sistema nervoso central.
Antibiototerapia recomendada
| Tipo de tratamento | Dose e duração | Observações |
|---|---|---|
| Penicilina G cristalina ou benzatina | 18–24 milhões de unidades/dia, por via IV, por 10–14 dias | Considerada o padrão-ouro na maioria dos casos |
| Penicilina cristalina (alternativa) | 3–4 milhões de unidades, a cada 4h, por 10–14 dias | Para pacientes com penicilina não disponível ou alergia |
Citação:
"A rapidez na administração do tratamento antibiótico é decisiva para evitar sequelas neurológicas permanentes."
Cuidados adicionais
- Monitoramento regular da resposta ao tratamento
- Repetição de exames de líquor, para confirmar melhora
- Acompanhamento neurológico de pacientes tratados
Prevenção da Neurossífilis
Medidas de prevenção incluem:
- Uso de preservativos em relações sexuais
- Testagem periódica para DSTs
- Educação sexual e campanhas de conscientização
- Tratamento de parceiros sexuais infectados
- Realização de testes durante a gravidez para evitar sífilis congênita
Tabela de Código CID da Neurossífilis
| Código CID | Descrição | Estágio ou manifestação |
|---|---|---|
| B02.0 | Neurossífilis | Geral (neurossífilis) |
| G04.2 | Meningoencefalite de causa infecciosa | Caso de meningite neurossífilis |
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Como a neurossífilis é transmitida?
A neurossífilis é uma complicação da infecção pela Treponema pallidum, transmitida principalmente por contatos sexuais desprotegidos com pessoas infectadas. O contato direto com lesões ou sangue contaminado também pode transmitir a doença.
2. Quais exames são essenciais para o diagnóstico?
Para um diagnóstico preciso, é fundamental realizar sorologias específicas (VDRL, FTA-ABS) e análise do líquor cerebrospinal para detectar infecção no sistema nervoso central.
3. A neurossífilis pode ser curada?
Sim, quando diagnosticada precocemente e tratada com o antibiótico adequado, a neurossífilis apresenta alta taxa de cura. Contudo, sequelas neurológicas podem persistir se o tratamento for tardio.
4. Como prevenir a neurossífilis?
A principal estratégia de prevenção envolve o uso de preservativos, realização de exames periódicos, tratamento de parceiros infectados e educação sobre DSTs.
Conclusão
A neurossífilis CID é uma condição neurológica grave que resulta da progressão da sífilis, podendo levar a complicações irreversíveis. O reconhecimento precoce, o diagnóstico preciso e o tratamento adequado são essenciais para evitar sequelas permanentes. Com avanços na medicina e maior conscientização, é possível controlar a disseminação da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes afetados.
Lembre-se: a prevenção é o melhor remédio. Fazer uso de métodos de proteção e realizar exames periódicos são passos fundamentais para evitar a transmissão e complicações da sífilis.
Referências
Ministério da Saúde. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para sífilis. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.
Organização Mundial da Saúde. Guidelines for the management of syphilis and congenital syphilis. WHO, 2021.
Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Syphilis Treatment. Disponível em: https://www.cdc.gov/std/treatment/default.htm
World Health Organization. Sexually transmitted infections (STIs). Disponível em: https://www.who.int/health-topics/sexually-transmitted-infections
Este artigo visa fornecer um entendimento completo e atualizado sobre a neurossífilis CID, promovendo maior conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce e o tratamento eficiente.
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