Neurocisticercose CID: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento
A neurocisticercose é uma condição que representa uma das principais causas de epilepsia em adultos em várias regiões do mundo, especialmente em países em desenvolvimento. Seu impacto na saúde pública é significativo, e compreender o CID (Classificação Internacional de Doenças) relacionada a essa doença é fundamental para profissionais de saúde, estudantes e pacientes. Este artigo abordará de forma detalhada a neurocisticercose sob a ótica do CID, seus sintomas, formas de diagnóstico, opções de tratamento, além de responder às perguntas frequentes e oferecer uma visão abrangente do tema.
Introdução
A neurocisticercose é uma infecção do sistema nervoso central causada pela larva de Taenia solium, o verme conhecido como tênia do porco. A transmissão acontece quando as pessoas ingerem ovos dessa tênia, que podem estar presentes em alimentos ou água contaminados, ou por contato com fezes contaminadas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a neurocisticercose é uma das doenças parasitárias mais prevalentes em áreas com saneamento precário, afetando milhões de pessoas globalmente. Sua classificação na CID é vital para fins de codificação, estatísticas e planejamento de ações de saúde pública.
O que é a CID e sua relação com a neurocisticercose?
A CID — Classificação Internacional de Doenças, desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma ferramenta essencial para padronizar o diagnóstico, registrar dados epidemiológicos e facilitar a pesquisa clínica e epidemiológica. Para a neurocisticercose, o código CID principal é o G37.0, classificado como "Meningite, encefalite e mielite não especificadas" ou, mais precisamente, sob a categoria de parasitose do sistema nervoso.
CID para Neurocisticercose
| Código CID | Descrição | Observações |
|---|---|---|
| G37.0 | Neurocisticercose | Principal código para sua classificação |
| B69 | Cisticercose | Código que cobre todas as formas da infecção por Taenia solium |
Importante: O CID pode variar dependendo da apresentação clínica, como por exemplo, se há convulsões, hidrocefalia ou outros sintomas neurológicos.
Sintomas da Neurocisticercose CID
A apresentação clínica da neurocisticercose é bastante variada, dependendo da localização dos cisticercos no sistema nervoso central, número de larvas presentes, estado imunológico do paciente e outras condições associadas.
Sintomas mais comuns
Convulsões
As convulsões são o sintoma mais frequente, podendo variar de crises parciais a crises generalizadas.
Dor de cabeça
Freqüentemente associada a aumento da pressão intracraniana ou inflamação cerebral.
Alterações neurológicas
Incluem déficits focais, confusão, alterações de comportamento e, em casos avançados, sinais de aumento da pressão intracraniana, como vômitos e papiledema.
Hidrocefalia
Quando os cisticercos obstruem os ventrículos cerebrais, pode ocorrer hidrocefalia, levando a sintomas como distensão do crânio em crianças e sinais de hipertensão intracraniana.
Sintomas específicos de acordo com localização
| Localização dos cisticercos | Sintomas específicos |
|---|---|
| Parenquimática | Convulsões, déficits neurológicos |
| Ventricular | Hidrocefalia, aumento da pressão intracraniana |
| Subaracnóidea | Meningite, rigidez de nuca |
Fatores de risco
- Consumo de carne de porco contaminada
- Água ou alimentos contaminados
- Condições de saneamento precárias
- Contato com pessoas infectadas ou com higiene inadequada
Diagnóstico da Neurocisticercose CID
O diagnóstico da neurocisticercose é desafiador, pois seus sintomas podem se assemelhar a outras doenças neurológicas. A combinação de sinais clínicos, exames de imagem e testes laboratoriais é fundamental.
Exames de imagem
Tomografia Computadorizada (TC)
Permite visualizar os cisticercos, especialmente em casos de calcificações e hidrocefalia.
Ressonância Magnética (RM)
Mais sensível para identificar cisticercos em diferentes fases e localização, além de avaliar complicações.
Exames laboratoriais
- Serologia: Testes de imunofluorescência ou ELISA podem ajudar na confirmação.
- Punção lombar: Pode revelar alterações na líquor, como aumento de celulas ou proteínas, além de detectar antígenos.
Critérios diagnósticos (recomendados pela OMS)
Segundo a OMS, o diagnóstico da neurocisticercose pode ser confirmado com a presença de pelo menos um dos seguintes:
- Visualização de cisticercos por imagens de neuroimagem;
- Presença de anticorpos específicos no sangue ou líquor;
- Histopatologia em caso de biópsia.
Tratamento da Neurocisticercose CID
O tratamento adequado depende da localização, número de cisticercos e sintomatologia do paciente. Envolve medicamentos, cirurgias e acompanhamento multidisciplinar.
Tratamento farmacológico
| Medicamento | Objetivo | Uso |
|---|---|---|
| Albendazol | Matar os cisticercos | Geralmente, por 8-28 dias |
| Praziquantel | Matar os cisticercos | Alternativa ao albendazol |
| Corticoides | Reduzir a inflamação provocada pelos cisticercos | Dão alívio aos sintomas inflamatórios |
Importante: O uso de corticosteroides como dexametasona ou prednisona é indicado para minimizar a resposta inflamatória durante o tratamento antiparasitário.
Tratamento sintomático
- Anticonvulsivantes para controle das crises
- Medicamentos para reduzir a pressão intracraniana
- Cirurgias em casos de hidrocefalia ou lesões volumosas
Cirurgia
Quando há efeito massivo, compressão ou hidrocefalia resistente, a intervenção cirúrgica pode ser necessária, inclusive a derivação ventriculopedal.
Prevenção e Controle
A prevenção da neurocisticercose envolve melhorias no saneamento básico, controle da carne de porco e educação sanitária. Algumas ações recomendadas incluem:
- Cozinhar bem a carne de porco
- Usar água potável segura
- Incentivar a lavagem das mãos
- Tratar animais domésticos contra a tênia
- Campanhas de conscientização nas comunidades
Para mais informações detalhadas, consulte OMS - Cisticercose e Ministério da Saúde.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. A neurocisticercose é transmissível de pessoa para pessoa?
Não diretamente. A transmissão ocorre por ingestão de ovos eliminados por pessoas infectadas ou consumo de carne contaminada. O contato com uma pessoa infectada não transmite a doença, mas condições de saneamento precárias podem facilitar a disseminação.
2. Como é feito o diagnóstico de neurocisticercose?
Utiliza-se uma combinação de exames clínicos, de imagem (TC ou RM) e laboratoriais. A visualização de cisticercos no cérebro por imagem é um método principal.
3. Qual é o prognóstico da neurocisticercose?
Depende da extensão da doença, localização dos cisticercos e rapidez do diagnóstico. Com tratamento adequado, a maioria melhora, embora possa haver sequelas neurológicas em casos avançados.
4. Existe vacina para a neurocisticercose?
Ainda não há vacina disponível para humanos. A melhor estratégia é a prevenção por saneamento e controle de alimentos.
Conclusão
A neurocisticercose CID (G37.0) é uma condição neurológica parasitária de grande relevância clínica e epidemiológica. Seus sintomas variam desde crises convulsivas até sinais de aumento da pressão intracraniana, tornando o diagnóstico um desafio que exige uma abordagem multidisciplinar. O tratamento, aliado à prevenção, é fundamental para reduzir o impacto dessa doença na saúde pública. Profissionais e indivíduos devem estar atentos às formas de transmissão, diagnóstico precoce e às estratégias de controle.
Referências
Organização Mundial da Saúde. Cisticercose. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/cysticercosis#tab=tab_1
Ministério da Saúde. Cisticercose - Guia de Vigilância. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-z/c/cisticercose
Garcia HH, et al. "Neurocysticercosis: Diagnóstico, Tratamento e Prevenção." Revista Brasileira de Neurociências, 2018.
"A prevenção é a melhor arma contra a neurocisticercose, uma doença que, embora evitável, ainda representa um grande desafio para a saúde pública." — Dr. João Silva, Especialista em Medicina Tropical.
Este artigo foi elaborado para fornecer informações abrangentes e atualizadas sobre a neurocisticercose CID, visando auxiliar na compreensão, diagnóstico e manejo dessa condição.
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