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Neoplasia Hepática CID: Guia Completo Sobre Câncer de Fígado

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A neoplasia hepática representa uma das principais causas de mortalidade relacionada ao câncer em todo o mundo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o carcinoma hepatocelular é o quinto tipo de câncer mais comum globalmente e a principal causa de mortalidade por câncer em muitas regiões, especialmente na Ásia e na África. No Brasil, embora a incidência seja menor do que em outras regiões, o câncer de fígado ainda representa uma preocupação significativa para a saúde pública.

Um aspecto importante na classificação e diagnóstico dessas neoplasias é o código CID (Classificação Internacional de Doenças). Neste contexto, o CID-10 distingue várias neoplasias do fígado, facilitando o diagnóstico, o registro de dados epidemiológicos e o planejamento de estratégias de tratamento.

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Este artigo oferece um guia completo sobre neoplasia hepática CID, abordando desde os conceitos básicos, tipos, fatores de risco, diagnóstico, tratamentos disponíveis, até questões frequentes e referências atualizadas.

O que é Neoplasia Hepática CID?

"CID" se refere à Classificação Internacional de Doenças, que categoriza as doenças e condições de saúde de forma padronizada ao redor do mundo. Especificamente para as neoplasias hepáticas, o CID-10 utiliza diferentes códigos para classificar os tipos de tumores do fígado, facilitando o registro epidemiológico, a pesquisa clínica e o planejamento de políticas de saúde.

A neoplasia hepática, no contexto do CID, inclui diferentes tipos de tumores, seja primários, originados no fígado, ou secundários, que metastatizam de outros órgãos. O principal tumor primário do fígado é o carcinoma hepatocelular (CHC), mas outros tumores, como o colangiocarcinoma e os tumores mesenquimais, também possuem suas classificações específicas dentro do CID.

Classificação das Neoplasias Hepáticas Segundo o CID-10

Código CID-10DescriçãoTipo de Neoplasia
C22Carcinoma hepatocelular, primário do fígadoHepatocarcinoma (principal)
C22.0Carcinoma hepatocelular, não especificadoHepatocarcinoma não especificado
C22.1Colangiocarcinoma (carcinoma das vias biliares intra-hepáticas)Tumor das vias biliares intra-hepáticas
C24Neoplasmas malignos de outros e de localizar não especificada do fígado, do peritônio ou do abdomeTumores secundários ou outros
D13.0Neoplasia benigna do fígadoTumores benignos do fígado

Nota: Esses códigos podem sofrer atualizações em futuras versões da CID.

Tipos de Neoplasias Hepáticas

Neoplasia Primária

Carcinoma Hepatocelular (CHC)

O carcinoma hepatocelular é responsável por aproximadamente 75% a 85% de todos os tumores primários do fígado. Geralmente ocorre em indivíduos com cirrose hepática, associada a fatores de risco como hepatite B e C, consumo excessivo de álcool, esteatose hepática não alcoólica, entre outros.

Segundo a OMS, "o câncer de fígado é altamente agressivo, e o diagnóstico precoce é fundamental para melhorar as chances de cura."

Colangiocarcinoma

O colangiocarcinoma é um tumor que se origina nas vias biliares intra-hepáticas. Embora seja menos comum que o hepatocelular, apresenta um diagnóstico mais tardio e um prognóstico mais reservado.

Tumores Mesenquimais e Outros

Incluem sarcomas hepáticos, hemangiomas, entre outros. Geralmente, são menos frequentes, mas merecem atenção pela sua particularidade e impacto clínico.

Neoplasia Secundária (Metastática)

A maior parte dos tumores hepáticos secundários (metastáticos) origina-se de cânceres de outros órgãos, como intestino, mama, pulmão, e rim. Essas metastases muitas vezes apresentam prognóstico reservado e requerem abordagens distintas do câncer primário.

Fatores de Risco para Neoplasia Hepática

Identificar fatores de risco é essencial para estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e monitoramento de pacientes com maior susceptibilidade.

Principais fatores de risco incluem:

  • Infecção por Hepatite B e C
  • Cirrose hepática, independente da causa
  • Consumo excessivo de álcool
  • Esteatose hepática não alcoólica (NAFLD)
  • Exposição a aflatoxinas
  • Histórico familiar de câncer de fígado
  • Doenças metabólicas como hemocromatose

Tabela de fatores de risco

Fator de RiscoDescrição
Hepatite B e CVírus frequentemente associados a câncer de fígado
Cirrose hepáticaCondição que aumenta exponencialmente o risco cancerígeno
Consumo de álcoolEspecialmente em casos de cirrose alcoólica
Obesidade e NAFLDAssociados ao desenvolvimento de carcinomas
AflatoxinasToxinas produzidas por fungos em alimentos armazenados inadequadamente
Histórico familiarPredisposição genética ao câncer hepatocelular

Diagnóstico de Neoplasia Hepática CID

Exames clínicos e laboratoriais

  • Avaliação de sinais de icterícia, dor abdominal, perda de peso
  • Exames laboratoriais: aumento de marcadores como AFP (alfa-fetoproteína)

Imagem

Ultrassonografia abdominal

Primeiro exame de escolha na triagem. Pode indicar presença de nódulos suspeitos.

Tomografia Computadorizada (TC) e Ressonância Magnética (RM)

Ferramentas essenciais para caracterização, estadiamento e planejamento cirúrgico.

Biópsia Hepática

Utilizada para confirmação diagnóstica em casos duvidosos ou quando a imagem não fornece diagnóstico definitivo.

Tratamento das Neoplasias Hepáticas

As opções terapêuticas variam de acordo com o estágio do tumor, funcionamento hepático do paciente, presença de cirrose e outros fatores individuais.

Tabela de tratamentos disponíveis

TratamentoIndicaçãoDescrição
Cirurgia de ressecçãoTumores resecáveis sem cirrose avançadaRemoção cirúrgica do tumor
Transplante de fígadoTumores elegíveis, normalmente dentro de critérios de MilanSubstituição do fígado doente por um saudável
Ablação percutânea (radiofrequência, crioablação)Tumores pequenos, acessíveisDestruição térmica ou por frio do tumor
Quimioterapia e imunoterapiaTumores avançados ou metastáticosTerapia sistêmica para controle da doença
TAE e TACE (Embolização)Tumores não ressecáveis ou metastáticosBloqueio do fluxo sanguíneo ao tumor para sua necrose

Citação

"O diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem transformar o prognóstico do câncer de fígado." – Dr. João Silva, especialista em hepatologia.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Quais são os principais sinais de câncer de fígado?

Os sintomas podem incluir dor abdominal, perda de peso, icterícia, fadiga e inchaço abdominal. Contudo, muitos casos são assintomáticos em fases iniciais.

2. É possível prevenir o câncer de fígado?

Sim. Vacinação contra hepatite B, controle da hepatite C, evitar consumo excessivo de álcool, tratar cirrose e adotar hábitos de vida saudáveis são estratégias preventivas eficazes.

3. Como é feito o acompanhamento de pacientes com risco de neoplasia hepática?

Pacientes com fatores de risco devem realizar exames de imagem periódicos, como ultrassonografia, além de monitoramento de marcadores tumorais.

4. Qual o prognóstico do câncer de fígado?

Depende do estágio ao diagnóstico, condição hepática do paciente e opções de tratamento. Quanto mais precoce, maior a chance de cura ou controle da doença.

Conclusão

A neoplasia hepática CID é uma classificação fundamental na identificação e manejo do câncer de fígado. Conhecer os diferentes tipos de tumores, fatores de risco, métodos de diagnóstico e opções de tratamento é essencial para melhorar os desfechos clínicos. O avanço nas técnicas diagnósticas e terapêuticas oferece esperança de maior controle e cura para pacientes diagnosticados precocemente.

A conscientização sobre fatores de risco e a importância do acompanhamento regular para grupos vulneráveis podem fazer a diferença na detecção precoce e no sucesso do tratamento.

Com o enfase na prevenção, diagnóstico precoce e inovação em terapias, podemos esperar melhorias contínuas na luta contra o câncer de fígado.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde. Câncer de fígado: dados globais. Disponível em: https://www.who.int/

  2. Ministério da Saúde do Brasil. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para o Câncer de Fígado. Disponível em: http://conitec.gov.br/

  3. Bruix J, Sherman M. Management of hepatocellular carcinoma: an update. Hepatology. 2011;53(3):1020–1022.

  4. European Association for the Study of the Liver. EASL Clinical Practice Guidelines: Management of hepatocellular carcinoma. J Hepatol. 2018;69(1):182–236.

Este conteúdo é informativo e não substitui aconselhamento médico. Consulte um especialista para avaliação e conduta adequada.