Modelo de Dahlgren e Whitehead: Entenda a Carga Versus Determinantes Sociais
Nos últimos anos, a compreensão dos fatores que influenciam a saúde da população tem se ampliado, destacando a importância dos determinantes sociais da saúde. Entre as diversas abordagens teóricas, o Modelo de Dahlgren e Whitehead se destaca como uma ferramenta fundamental para compreender a complexidade desses fatores. Este artigo visa explorar em detalhes o Modelo de Dahlgren e Whitehead, sua aplicação, e como a carga de doenças reflete os determinantes sociais.
Ao compreender o que está por trás dos padrões de saúde e doença, profissionais de saúde, gestores e sociedade podem atuar de forma mais eficaz na promoção de uma vida mais saudável para todos.

O que é o Modelo de Dahlgren e Whitehead?
Criado na década de 1990 pelos pesquisadores Göran Dahlgren e Margaret Whitehead, o Modelo de Dahlgren e Whitehead busca ilustrar os fatores que influenciam a saúde de indivíduos e populações. O modelo é precedido por uma abordagem ecológica, que reconhece a interação entre fatores pessoais, sociais e ambientais na determinação da saúde.
Objetivo do Modelo
O principal objetivo do modelo é visualmente representar como múltiplos níveis de fatores influenciam a saúde, promovendo uma compreensão mais integrada dessas influências, e apoiando a elaboração de políticas públicas mais eficazes.
Visão geral
O método visual do modelo apresenta camadas concêntricas que envolvem o indivíduo, ilustrando os fatores que contribuem para o seu estado de saúde. Essas camadas incluem fatores pessoais, sociais e ambientais, além de políticas públicas e estruturas sociais mais amplas.
Estrutura do Modelo de Dahlgren e Whitehead
O modelo é estruturado em camadas, facilitando a compreensão das diferentes influências que atuam na saúde. A seguir, detalhamos cada uma dessas camadas.
Camada 1: A Saúde do Indivíduo
No centro do modelo está a saúde do indivíduo, influenciada por fatores biológicos e comportamentais.
Camada 2: Cura, Tratamento e Comportamentos de Saúde
Inclui fatores relacionados ao acesso a serviços de saúde, tratamentos e comportamento individual, como alimentação, atividade física, tabagismo e consumo de álcool.
Camada 3: Redes de Apoio Social
Refere-se à influência de redes familiares, de amigos e comunitárias, que fornecem suporte emocional, social e informacional.
Camada 4: Condições de Vida e Trabalho
Abrange aspectos como moradia, condições socioeconômicas, emprego e educação.
Camada 5: Fatores Sociais, Culturais e Econômicos mais Amplos
Inclui políticas públicas, desigualdades econômicas, cultura, valores sociais, e a estrutura social geral.
Tabela: Camadas do Modelo de Dahlgren e Whitehead
| Camada | Fatores Influentes | Exemplos |
|---|---|---|
| 1. Saúde do indivíduo | Biologia, genética, comportamento | Genética, hábitos alimentares, atividade física |
| 2. Serviços de saúde e comportamentos | Acesso aos serviços, tratamentos, estilos de vida | Consultas médicas, vacinação, tabagismo, sedentarismo |
| 3. Redes de apoio social | Família, amigos, comunidades | Apoio familiar, grupos de apoio |
| 4. Condições de vida e trabalho | Estilo de vida, moradia, emprego | Renda, qualidade da moradia, condições laborais |
| 5. Fatores sociais, culturais e econômicos | Políticas públicas, desigualdades, cultura | Sistema de saúde pública, legislação trabalhista |
Carga de Doenças e Determinantes Sociais
Entendendo a carga de doenças
A carga de doenças é uma medida que avalia o impacto de doenças e fatores de risco na saúde de uma população, geralmente expressa pelo Anos de Vida ajustados por incapacidade (AVIs) ou pelo Índice de prevalência de doenças. Para compreender a relação, é fundamental entender como os determinantes sociais influenciam esses números.
Como os determinantes sociais impactam na carga de doenças
Dados epidemiológicos apontam que grande parte da carga de doenças está relacionada a fatores sociais, como pobreza, educação precária, desemprego e condições de moradia inadequadas. Por exemplo, doenças como hipertensão, diabetes e doenças respiratórias possuem forte ligação com estilos de vida influenciados por fatores sociais.
A carga versus os determinantes sociais
De acordo com Whitehead (2008), “as desigualdades em saúde são, antes de tudo, resultado de desigualdades na distribuição de recursos sociais, econômicos e ambientais”¹. Assim, a carga elevada de doenças em populações vulneráveis reflete uma combinação de fatores sociais desfavoráveis.
Como aplicar o Modelo na prática
Elaboração de políticas públicas
A compreensão das camadas do modelo permite aos gestores públicos desenvolver ações mais integradas, voltadas tanto para a promoção da saúde quanto para a redução das desigualdades.
Intervenções comunitárias
Para os profissionais de saúde, aplicar o modelo significa desenvolver estratégias que envolvam suporte social, acesso a serviços de qualidade e promoção de ambientes saudáveis.
Exemplos de ações práticas incluem:
- Programas de educação em saúde focados em comunidades vulneráveis.
- Melhoria na infraestrutura de moradia e saneamento.
- Fortalecimento de redes de apoio social.
Por que o Modelo de Dahlgren e Whitehead é relevante para a saúde pública?
Este modelo contextualiza a complexidade da saúde, destacando que ela não é somente resultado de fatores individuais, mas de múltiplas camadas influenciando a vida de cada pessoa. Sua aplicação promove ações mais efetivas, que visam não apenas tratar doenças, mas também prevenir suas causas na raiz social e ambiental.
Citação relevante
Segundo Whitehead (2008), “a ênfase na equidade deve estar no centro do esforço em saúde pública, reconhecendo que diminuir as desigualdades sociais é fundamental para melhorar a saúde de toda a população”².
Perguntas Frequentes
1. O que diferencia o Modelo de Dahlgren e Whitehead de outros modelos de saúde?
Ele oferece uma representação visual clara das múltiplas camadas que influenciam a saúde, facilitando a compreensão e o desenvolvimento de ações integradas voltadas para a promoção da equidade em saúde.
2. Como os profissionais de saúde podem usar esse modelo?
Podem planejar ações que considerem não apenas o atendimento individual, mas também intervenções em fatores sociais, ambientais e políticos que impactam a saúde.
3. O modelo é aplicável em todas as populações?
Sim, o Modelo de Dahlgren e Whitehead é flexível e pode ser adaptado para diferentes contextos culturais, socioeconômicos e ambientais.
4. Qual a relação entre carga de doenças e desigualdades sociais?
A carga de doenças tende a ser maior em populações vulneráveis, devido às desigualdades sociais que limitam o acesso a recursos de saúde, educação e condições de vida dignas.
Conclusão
O Modelo de Dahlgren e Whitehead é uma ferramenta indispensável para entender a complexidade dos fatores que influenciam a saúde. Ao reconhecer que a carga de doenças está fortemente relacionada aos determinantes sociais, profissionais e gestores podem atuar de forma mais efetiva na promoção de ambientes mais justos e saudáveis. A implementação de políticas públicas integradas e ações comunitárias baseadas nesse modelo pode reduzir as desigualdades e promover uma melhora significativa na qualidade de vida da população.
Como afirma Whitehead, “melhorar a saúde de populações vulneráveis exige mudanças na estrutura social e econômica que sustentam as desigualdades”². Assim, a compreensão e aplicação do Modelo de Dahlgren e Whitehead são passos essenciais no caminho para uma sociedade mais saudável e equitativa.
Referências
- Whitehead, M. (2008). The concepts and principles of equity in health. Health Promotion International, 23(3), 217-229.
- Dahlgren, G., & Whitehead, M. (1991). Policies and Strategies to Promote Social Equity in Health. Stockholm: Institute for Future Studies.
- World Health Organization. (2010). Structures and processes for the management of health inequalities. Geneva: WHO.
- Ministério da Saúde. (2018). Política Nacional de Promoção da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde.
- Oliveira, T., et al. (2020). Determinantes sociais da saúde: uma análise da carga de doenças na população brasileira. Revista Brasileira de Epidemiologia, 23, e200011.
Para aprofundar sua compreensão, acesse os recursos:
MDBF