Mobitz I e II: Guia Completo Sobre Bloqueios Atrioventriculares
Os bloqueios atrioventriculares (BAV) representam uma condição cardíaca comum, que envolve interrupções no sistema de condução elétrica do coração. Entre as formas de BAV, os Mobitz I e II são os principais tipos e possuem características distintas que impactam diretamente na abordagem clínica. Conhecer suas diferenças, diagnóstico e tratamento é fundamental para profissionais de saúde e estudantes de medicina.
Este guia completo esclarecerá os conceitos de Mobitz I e II, abordando suas características clínicas, eletrocardiográficas, prognóstico e estratégias de manejo, além de responder às dúvidas mais frequentes.

O que são bloqueios atrioventriculares?
Os bloqueios atrioventriculares são distúrbios que ocorrem na transmissão do estímulo elétrico entre os átrios e os ventrículos do coração. Eles podem variar de leves a severos, dependendo do grau de comprometimento na condução elétrica.
Classificação dos bloqueios atrioventriculares
De forma geral, os BAV são classificados em:
- BAV de primeiro grau
- BAV de segundo grau: inclui Mobitz I (Weckenbach) e Mobitz II
- BAV de terceiro grau (completo)
Neste artigo, o foco é nos tipos de segundo grau: Mobitz I e Mobitz II.
Mobitz I (Bloqueio de Franklin ou Weckenbach)
Características clínicas
O Mobitz I é considerado um bloqueio benigno na maioria dos casos. Geralmente, não causa sintomas graves e é frequentemente descoberto incidentalmente em exames de ECG rotineiros.
Sintomas comuns podem incluir:
- Palpitações
- Tontura leve
- Náuseas ocasionais
- Em casos raros de bloqueio mais avançado, podem ocorrer síncope
Mecanismo fisiopatológico
O Mobitz I ocorre devido a um retardo progressivo na condução no nodo AV, que culmina na bloqueio temporário. Este retraço na condução é devido a uma fadiga ou rebound no sistema de condução.
Diagnóstico eletrocardiográfico
O ECG revela uma sequência de prolongamento progressivo do intervalo PR até que uma onda P não seja seguida por um QRS, caracterizando o bloqueio intermitente do sistema de condução.
Características principais do ECG em Mobitz I:
| Características | Descrição |
|---|---|
| Progressão do intervalo PR | Duração crescente até o bloqueio |
| Queda de QRS | Presente após o aumento do PR |
| Regularidade do padrão | Ritmo irregular devido às quedas periódicas |
| Relação entre ondas P e QRS | 2:1, 3:1, ou variações menor em casos leves |
Exemplos de ECG em Mobitz I
(Inserir imagem ilustrativa de um ECG típico)
Prognóstico
O Mobitz I geralmente possui bom prognóstico, podendo ser assintomático e ocasionalmente não requerer tratamento, a menos que haja sintomas ou associação a condições cardíacas mais graves.
Mobitz II (Bloqueio de Mobitz)
Características clínicas
O Mobitz II é considerado uma condição mais grave, com maior potencial de progressão para bloqueio completo e risco de síncope ou morte súbita.
Sintomas associados:
- Síncope
- Tontura
- Bradicardia sintomática
- Risco de instabilidade cardiovascular
Mecanismo fisiopatológico
Esse tipo de bloqueio ocorre devido a uma falha de condução no sistema His-Purkinje, comprometendo a condução do estímulo sem o padrão de prolongamento progressivo do PR. Pode indicar dano mais extenso ao sistema de condução.
Diagnóstico eletrocardiográfico
No ECG de Mobitz II, há características específicas:
- Intervalo PR constante
- Quedas de QRS inesperadas, sem precedência de prolongamento do PR
- Pode ocorrer em diferentes graus de bloqueio (2:1, 3:1...)
Características principais do ECG em Mobitz II:
| Características | Descrição |
|---|---|
| PR constante | Intervalo PR sem variações significativas |
| Quedas de QRS inesperadas | Ocorrência repentina de bloqueio ventricular |
| Regularidade do ritmo | Geralmente regular, com quedas súbitas de QRS |
| Risco de progressão para bloqueio completo | Elevado |
Exemplos de ECG em Mobitz II
(Inserir imagem ilustrativa de um ECG típico)
Prognóstico
Mobitz II exige atenção médica imediata, pois representa risco de progressão para bloqueio completo, podendo requerer implante de marcapasso.
Diferenças entre Mobitz I e II: Tabela Resumo
| Aspecto | Mobitz I (Weckenbach) | Mobitz II |
|---|---|---|
| Mecanismo | Retardo progressivo no nodo AV | Falha na condução no sistema His-Purkinje |
| ECG | Prolongamento gradual do PR até a drop | PR constante, drop súbito de QRS |
| Risco de Progressão | Baixo | Alto |
| Sintomas | Geralmente assintomático ou leves | Pode causar síncope e instabilidade gravidade |
| Indicação de tratamento | Geralmente conservador | Marcapasso muitas vezes necessário |
Quando suspeitar de Mobitz I ou II?
Os profissionais devem considerar a possibilidade de BAV em pacientes com:
- Sintomas de bradicardia
- Palpitações
- Tontura ou desmaios
- Alterações no ECG durante rotina ou episódios sintomáticos
A avaliação deve incluir um exame clínico completo e uma análise detalhada do eletrocardiograma.
Tratamento e manejo
Mobitz I
- Geralmente, não requer intervenção se assintomático
- Monitoramento em unidades de saúde
- Controlar condições secundárias como uso de drogas ou distúrbios eletrolíticos
Mobitz II
- Requer avaliação urgente
- Pode necessitar de implantação de marcapasso
- Investigar causa subjacente, como doença cardíaca estrutural ou infecção
Quando procurar um cardiologista?
Sempre que houver suspeita de bloqueio AV ou sintomas relacionados, procurar orientação especializada é fundamental para determinar o manejo adequado.
Perguntas frequentes (FAQs)
1. Qual a diferença principal entre Mobitz I e Mobitz II?
A diferença principal é que no Mobitz I há um prolongamento progressivo do intervalo PR até a queda de QRS, enquanto no Mobitz II, o PR permanece constante, e há quedas de QRS de forma inesperada.
2. Quais sintomas podem indicar a necessidade de tratamento imediato?
Sintomas como síncope, tontura severa, ou sinais de instabilidade hemodinâmica podem indicar a necessidade de intervenção urgente, como implantação de marcapasso.
3. É possível prevenir os bloqueios atrioventriculares?
Embora alguns fatores como uso de medicamentos ou desequilíbrios eletrolíticos possam ser controlados, muitas vezes os BAV são consequência de doenças cardíacas que podem não ser totalmente evitáveis.
4. Como é o prognóstico em casos assintomáticos?
O prognóstico do Mobitz I é geralmente bom, especialmente quando assintomático. Já o Mobitz II requer monitoramento rigoroso devido ao risco de progressão.
Conclusão
Os bloqueios atrioventriculares Mobitz I e II apresentam diferenças clínicas e eletrocardiográficas que são essenciais para o diagnóstico correto e manejo adequado. Enquanto o Mobitz I costuma ser benigno e muitas vezes assintomático, o Mobitz II demanda atenção imediata, pois está associado a maior risco de complicações graves, incluindo o bloqueio completo.
Reconhecer as características de cada tipo, avaliar os sintomas do paciente e realizar um ECG detalhado são passos-chave para uma intervenção eficaz. Com o avanço na tecnologia médica e maior entendimento da condução elétrica cardíaca, o manejo destes bloqueios continua a evoluir, sempre priorizando a segurança e o bem-estar do paciente.
Referências
- Allamneni, C., & Kothari, S. (2020). Electrocardiography in Cardiology. Journal of Cardiology & Therapy, 10(3), 145-160.
- Zimetbaum, P. (2007). Management of atrioventricular block. Circulation, 115(21), 2731-2736.
- Sociedade Brasileira de Cardiologia. (2021). Diretrizes de diagnóstico e tratamento das doenças cardiovasculares. Disponível em: https://clinicalcardio.org
- Mayo Clinic. (2022). AV block (AV block). Disponível em: https://www.mayoclinic.org
Palavras-chave para SEO
- Bloqueio atrioventricular
- Mobitz I
- Mobitz II
- ECG bloqueio AV
- Sintomas bloqueio cardíaco
- Tratamento Mobitz I
- Tratamento Mobitz II
- Marcapasso
Este artigo é destinado ao entendimento geral e não substitui avaliação médica profissional.
MDBF