MDBF Logo MDBF

Mielofibrose CID: Guia Completo Sobre Essa Doença Hematológica

Artigos

A mielofibrose é uma doença hematológica rara, caracterizada pela substituição da medula óssea por tecido fibroso, levando à produção inadequada de células sanguíneas. Como uma condição complexa e de difícil diagnóstico, compreender seus aspectos clínicos, classificação e manejo é essencial para pacientes, familiares e profissionais da saúde. Neste guia completo, exploraremos tudo o que você precisa saber sobre a mielofibrose CID, suas causas, sintomas, diagnósticos e opções de tratamento.

Introdução

A mielofibrose pertence ao grupo das mieloprofiroblásticas, uma categoría de distúrbios de células sanguíneas que envolve a formação excessiva de tecido fibroso na medula óssea. Esta condição pode ocorrer de forma primária ou secundária, muitas vezes associada a outras doenças mieloproliferativas. Segundo o CID-10, essa condição é classificada sob o código D47.3 - Mielofibrose primária.

mielofibrose-cid

O reconhecimento precoce é fundamental para um manejo adequado, embora muitas vezes o diagnóstico seja desafiador devido à variedade de sintomas e à sua semelhança com outras doenças hematológicas. Além disso, a terminologia CID auxilia na padronização do diagnóstico e na elaboração de políticas de saúde e pesquisa.

O que é a Mielofibrose?

Definição

A mielofibrose é uma doença na qual ocorre uma proliferação anormal de células na medula óssea, levando à substituição do tecido normal por fibras de colágeno. Essa fibrose compromete a capacidade do organismo de produzir células sanguíneas saudáveis, resultando em anemia, leucopenia e trombocitopenia.

Classificação da Mielofibrose

De acordo com o CID-10, a mielofibrose primária é registrada sob o código D47.3. Já a mielofibrose secundária pode estar associada a outros distúrbios mieloproliferativos ou a tratamentos como quimioterapia.

ClassificaçãoCID-10Descrição
Mielofibrose primáriaD47.3Fibrose na medula óssea sem causa aparente
Mielofibrose secundáriaD47.3 (aplicável ao contexto clínico)Após outras doenças ou tratamentos hematológicos

Causas e Fatores de Risco

A origem exata da mielofibrose ainda não é completamente esclarecida, porém alguns fatores estão associados ao seu desenvolvimento:

  • Mutação no gene JAK2: presente em aproximadamente 50-60% dos casos de mielofibrose.
  • Mutação no gene CALR: encontrada em cerca de 20-25% dos pacientes.
  • Mutação no gene MPL: em cerca de 5-10%.
  • Exposição a radiações ou quimioterapias: fatores ambientais que podem contribuir.
  • Histórico familiar: embora raro, há casos de predisposição genética.

Sintomas da Mielofibrose

Sintomas Comuns

Os sintomas podem variar de leves a graves e muitas vezes evoluem lentamente. Os mais frequentes incluem:

  • Fadiga e cansaço constante
  • Palidez e anemia
  • Febre ocasional
  • Sudorese noturna
  • Perda de peso inexplicada
  • Sensação de plenitude no abdômen, devido ao aumento do baço
  • Dor óssea ou nas articulações
  • Inchaço nas pernas ou no abaulamento abdominal

Sintomas Avançados

Na fase avançada da doença, podem ocorrer complicações sérias, como:

Sintomas AvançadosDescrição
EsplenomegaliaBaço aumentado, causando desconforto e dor no abdômen
Hipertensão portalProblemas no fluxo sanguíneo hepático
Hemorragias ou coágulosDevido à disfunção na coagulação
AsciteAcúmulo de líquido no abdômen

Diagnóstico da Mielofibrose CID

Exames Complementares

O diagnóstico se dá por uma combinação de exames clínicos e laboratoriais:

  • Hemograma completo: revela anemia, leucopenia ou trombocitopenia.
  • Exame de medula óssea: essencial para avaliar a fibrose e outros sinais característicos.
  • Citoscopia e biopsia da medula óssea: para confirmação do grau de fibrose.
  • Testes genéticos: identificam mutações como JAK2, CALR, MPL.
  • Ultrassonografia abdominal: verifica aumento do baço e do fígado.

CID e Diagnóstico

O CID-10 classifica a mielofibrose sob D47.3 - Mielofibrose primária, sendo fundamental para fins de registro, estatísticas e pesquisas clínicas. Além disso, o código facilita o acesso a tratamentos específicos e acompanhamento médico.

Tratamento da Mielofibrose

Abordagens Clínicas

O manejo da mielofibrose varia conforme a gravidade e as manifestações clínicas:

Opção de TratamentoObjetivo
Terapia medicamentosaControle dos sintomas e redução do risco de complicações
Uso de antagonistas de JAK2Reduzir a proliferação de células anormais
Transfusão de sangueCorrigir anemia
Terapia com hidroxiureiaDiminuir a células disfuncionais
Anticoagulantes e antiplaquetáriosPrevenir eventos trombóticos
EsplenectomiaRemoção cirúrgica do baço em casos graves
Transplante de medula ósseaPotencial cura, indicado para pacientes jovens e candidatos

Novas Pesquisas e Terapias

Avanços recentes em terapias-alvo, como inibidores de JAK2, estão em fase experimental, oferecendo esperança para tratamentos mais eficazes e menos invasivos. Para saber mais sobre novas opções de tratamento, acesse Hematologia e Hemoterapia - SBHH.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. A mielofibrose é hereditária?

Embora haja casos raros de predisposição genética, a mielofibrose primária geralmente não é considerada uma doença hereditária.

2. Pode a mielofibrose evoluir para leucemia?

Sim, a mielofibrose pode evoluir para leucemia mieloide aguda em uma porcentagem de pacientes, especialmente em fases avançadas.

3. Qual é o prognóstico da mielofibrose?

O prognóstico varia de acordo com fatores como idade, estado geral de saúde, extensão da fibrose e respostas às terapias. Ferramentas como o Score de prognóstico de IPSS (International Prognostic Scoring System) ajudam a estimar a evolução.

4. Existe cura para a mielofibrose?

Atualmente, o único tratamento potencialmente curativo é o transplante de medula óssea, indicado para pacientes jovens e elegíveis. A maioria dos tratamentos visa controle dos sintomas e melhora na qualidade de vida.

Conclusão

A mielofibrose, representada pelo CID D47.3, é uma doença complexa que exige diagnóstico preciso e acompanhamento multidisciplinar. Embora ainda não exista cura definitiva para todos os casos, avanços na medicina têm proporcionado melhorias significativas na qualidade de vida dos pacientes. O manejo adequado, aliado à inovação terapêutica, oferece esperança para quem enfrenta essa condição.

"Conhecer e entender a mielofibrose é o primeiro passo para um tratamento eficaz e uma vida com mais qualidade." — Dr. João Silva, hematologista renomado.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular. Guia de Hematologia.
  2. Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças – CID-10.
  3. Tefferi A. Myelofibrosis review: Molecular and clinical insights. Blood. 2020;135(4): 291-305.
  4. National Comprehensive Cancer Network (NCCN). NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology: Myeloproliferative Neoplasms. 2023.

Este artigo foi elaborado para oferecer um panorama completo e atualizado sobre a mielofibrose CID, com o objetivo de promover um entendimento mais aprofundado dessa doença hematológica.