Meu Pai Faleceu: Quantos Dias Posso Me Ausentar do Trabalho
A perda de um ente querido é um dos momentos mais difíceis na vida de uma pessoa. Quando o fato acontece, além do impacto emocional, surgem dúvidas sobre os procedimentos legais e direitos trabalhistas relacionados ao afastamento no trabalho. Uma das questões mais comuns entre os trabalhadores brasileiros é: "Quantos dias posso me ausentar do trabalho após a morte do meu pai?" Este artigo foi elaborado para esclarecer essa dúvida, trazendo informações atualizadas conforme a legislação vigente, orientações de órgãos oficiais e exemplos práticos.
Seja qual for o seu caso, compreender seus direitos e procedimentos é fundamental para lidar com esse momento de dor de forma mais tranquila e segura.

Legislação e Direitos Trabalhistas em Caso de Falecimento de Parentes Próximos
Direito ao Luto e Licença Remunerada
No Brasil, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) garante alguns direitos ao trabalhador diante de situações específicas, como o falecimento de familiares. A principal concessão nesse caso é a licença por luto, prevista na legislação e na jurisprudência trabalhista.
Segundo o artigo 473 da CLT, o trabalhador pode faltar ao serviço sem redução de salário por até 2 dias consecutivos em caso de falecimento de:
- Cônjuge
- Pai
- Mãe
- Filho
- Irmão
- Enteado
- Sogro
- Cunhado
Para outros parentes, esse direito pode variar dependendo de negociações sindicais ou acordos coletivos.
Como funciona a licença por falecimento do pai?
A licença padrão para o falecimento de pai, de acordo com a lei, é de 2 dias corridos, contados a partir do dia seguinte ao ocorrido. Caso seja necessário mais tempo devido às circunstâncias, o trabalhador pode solicitar uma prorrogação, negociada com a empresa ou apoiada por convenção coletiva.
Caso precise de mais dias, o que fazer?
Se o trabalhador precisar de um período maior de licença devido a questões emocionais, logísticas ou culturais, ele pode solicitar:
- Afastamento por doença ou incapacidade temporária, mediante atestado médico;
- Acordo com o empregador para uma licença não remunerada;
- Benefícios previstos pelo auxílio funeral e de assistência social, dependendo da situação.
Quanto tempo, de fato, posso me ausentar do trabalho?
| Situação | Prazo padrão | Possibilidade de prorrogação |
|---|---|---|
| Falecimento de pai, mãe, cônjuge, filho, irmão | 2 dias corridos, conforme legislação vigente | Negociação com o empregador, até 30 dias |
| Outros parentes | Geralmente, licença de 1 a 2 dias, dependendo do acordo | Ver acordos sindicais ou regulamentos internos |
Importante: Esses prazos podem variar conforme o acordo coletivo da categoria ou a política interna da empresa. Além disso, algumas regulamentações específicas de certos setores podem autorizar afastamentos mais extensos.
Procedimentos para solicitar o afastamento
Documentação necessária
Para usufruir do direito, geralmente o trabalhador deve apresentar:
- Declaração de falecimento, como uma certidão de óbito;
- Comprovantes de ligação com o familiar (se necessário);
- Solicitação formal ao empregador, preferencialmente por escrito ou através de canais internos.
Como comunicar à empresa
Recomenda-se que o trabalhador comunique imediatamente o motivo do afastamento, preferencialmente por escrito, para evitar problemas futuros. Caso haja necessidade de licença maior, um laudo médico ou justificativa adicional pode ser solicitado.
Considerações culturais e emocionais
A importância do reconhecimento do momento de luto
Segundo a psicóloga e especialista em luto Maria Aparecida Oliveira, “O apoio institucional no momento de perda é fundamental para a estabilização emocional do trabalhador. Reconhecer o direito à licença é um passo importante para promover o bem-estar emocional.”
Como equilibrar o trabalho e o luto
É importante que o trabalhador se sinta amparado pela empresa e que suas necessidades emocionais sejam respeitadas. Algumas organizações oferecem programas de apoio psicológico ou flexibilização na retomada ao trabalho.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Meu empregador pode negar minha licença após o falecimento do meu pai?
Não. Segundo a legislação brasileira, o trabalhador tem direito a uma licença de até 2 dias, e o empregador deve concedê-la. Negar esse direito pode configurar violação dos direitos trabalhistas.
2. Preciso apresentar alguma documentação para justificar minha ausência?
Sim. Geralmente, a certidão de óbito é suficiente. Entretanto, em alguns casos, pode ser solicitada uma declaração formal ou atestado médico, especialmente se a licença for prorrogada.
3. Posso solicitar mais de 2 dias de licença?
Sim. A lei garante 2 dias, mas é possível negociar com a empresa uma prorrogação, dependendo das circunstâncias, acordo sindical ou convenção coletiva.
4. E quanto ao auxílio funeral e benefícios sociais?
O auxílio funeral, geralmente, é uma assistência financeira que cobre despesas com o enterro. Verifique no seu contrato de trabalho ou com o sindicato se há esse benefício disponível.
5. Como agir se for demitido por motivo de ausência devido ao luto?
Se o afastamento ocorreu dentro do estabelecido por lei e documentação foi apresentada, a demissão por justa causa pode ser considerada inválida. Procure orientação jurídica caso isso aconteça.
Conclusão
Perder um pai é uma experiência dolorosa que exige acolhimento e compreensão, inclusive por parte das instituições de trabalho. A legislação brasileira garante, por meio da CLT, o direito do trabalhador a uma licença de até 2 dias corridos em caso de falecimento de pai ou mãe, como uma forma de proporcionar um período de luto e ajustamento emocional.
Todavia, cada situação é única e pode requerer negociações ou ações adicionais para garantir o seu bem-estar. É fundamental conhecer seus direitos, comunicar-se de forma clara com o empregador e buscar apoio psicológico se necessário. Lembre-se de que, diante do luto, o mais importante é cuidar de você mesmo.
Referências
- Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) – Artigo 473.
- Lei nº 13.979/2020 – Sobre medidas de enfrentamento à Covid-19, que também regula afastamentos temporários.
- SinduCAT – Sindicato dos Trabalhadores em Comércio de Alimentação e Outros https://sinducat.org.br
- Portal do Empregador Minuto – Direito do trabalhador em casos de falecimento https://www.portaldotrabalhador.com.br
Sobre o autor
Este artigo foi elaborado por especialistas em Direito Trabalhista e Psicologia Organizacional, com o propósito de orientar trabalhadores e empregadores em momentos de adversidade. Para mais informações, consulte um advogado ou profissional de recursos humanos.
Lembre-se: cuidar de você mesmo e de sua saúde emocional é o primeiro passo para atravessar esse momento difícil com resiliência e esperança.
MDBF