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Metformina Faz Mal para os Rins: Entenda os Riscos e Cuidados

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A metformina é um dos medicamentos mais prescritos no mundo para o tratamento do diabetes tipo 2. Sua eficácia no controle glicêmico e seu perfil de segurança fazem dela uma escolha comum entre médicos e pacientes. No entanto, apesar de todos os benefícios, há dúvidas e preocupações acerca de seus possíveis efeitos adversos, especialmente relacionados aos rins. Afinal, metformina faz mal para os rins? Este artigo busca esclarecer essa questão, explicando os riscos, cuidados necessários e recomendações para quem faz uso desse medicamento.

O que é a Metformina e como ela funciona?

A metformina é um medicamento oral utilizado principalmente na gestão do diabetes tipo 2. Ela atua de várias maneiras, incluindo:

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  • Redução da produção de glicose pelo fígado;
  • Aumento da sensibilidade à insulina nas células;
  • Disminuição da absorção de glicose no intestino.

Seu uso resulta na melhora do controle glicêmico, ajudando a prevenir complicações associadas ao diabetes.

Riscos de usar Metformina para os Rins: Mitos e Verdades

Existe risco de dano renal causado pela metformina?

Durante anos, o receio de que a metformina pudesse causar ou agravar problemas renais foi motivo de muita preocupação. No passado, acreditava-se que a medicação apresentava risco de acidose lática, uma complicação rara, porém grave, que poderia estar relacionada à disfunção renal. Contudo, estudos recentes mostram que, quando usada corretamente, a metformina é segura para rins saudáveis.

A relação entre metformina e acidose lática

A acidose lática associada ao uso de metformina é uma condição em que o sangue se torna demasiado ácido. Ela é extremamente rara, especialmente em pacientes com função renal adequada. Segundo a American Diabetes Association (ADA), "a metformina não deve ser usada em pacientes com disfunção renal significativa" para evitar riscos de acidose lática.

Quais os riscos reais para os rins?

Em indivíduos com função renal normal, a metformina não causa dano aos rins. Entretanto, em pessoas com comprometimento renal, seu uso deve ser monitorado cuidadosamente, pois os rins são responsáveis por eliminar o medicamento do organismo. Se não forem eliminados adequadamente, há risco de acumulação e possíveis complicações.

Cuidados e recomendações para uso de Metformina

Avaliação da função renal antes do início do tratamento

Antes de iniciar o uso de metformina, o médico deve solicitar exames que avaliem a função renal, como:

  • Creatinina sérica;
  • Taxa de Filtração Glomerular (TFG).

Tabela 1: Valores de referência para função renal

ParâmetroValor de ReferênciaObservação
Creatinina séricaHomens: até 1,2 mg/dLMulheres: até 1,1 mg/dL
TFGAcima de 60 mL/minIdeal para uso de metformina segura

Monitoramento periódico

Após o início do tratamento, recomendar revisões periódicas para avaliar a função renal, especialmente em pacientes com fatores de risco, como hipertensão, idoso, ou história de doença renal.

Limitações no uso

A metformina deve ser evitada ou suspensa em casos de:

  • Creatinina sérica acima de 1,4 mg/dL (mulheres) ou 1,5 mg/dL (homens);
  • TFG abaixo de 30 mL/min.

Para pacientes com moderado comprometimento renal (TFG entre 30-60 mL/min), o uso deve ser avaliado com cautela, ajustando doses ou interrompendo quando necessário.

Riscos de uso inadequado ou desinformado

O uso indiscriminado ou sem acompanhamento médico pode aumentar os riscos de efeitos adversos, incluindo problemas renais. Além disso, a automedicação e a não realização de exames periódicos podem levar a complicações evitáveis.

Considerações importantes

  • A metformina NÃO deve ser usada sem orientação médica;
  • Pacientes com história de problemas renais devem informar seus médicos antes do uso;
  • O controle glicêmico adequado e o acompanhamento renal são essenciais para evitar complicações.

Perguntas Frequentes

Metformina faz mal para os rins de forma permanente?

Não, em indivíduos com função renal adequada, seu uso controlado não causa dano permanente aos rins. Porém, em casos de disfunção renal, ela pode agravar a condição se não monitorada corretamente.

Quais sintomas indicam problemas renais relacionados ao uso de metformina?

Dificuldade para urinar, inchaço, fadiga excessiva, dor na região lombar ou mudanças nas cores da urina podem indicar alteração na função renal. Caso ocorram, procure um médico imediatamente.

A suspensão da metformina é suficiente para reverter possíveis problemas renais?

Em casos de comprometimento renal causado pela medicação, a suspensão geralmente melhora a condição, mas deve ser acompanhada por avaliação médica especializada.

Como posso saber se estou apto a usar metformina?

Faça uma avaliação completa com seu médico, incluindo exames laboratoriais de avaliação renal, antes de iniciar qualquer medicação.

Conclusão

A ideia de que metformina faz mal para os rins não condiz com a realidade, especialmente quando a medicação é usada de forma responsável e sob supervisão médica. Para pacientes com função renal normal, o risco de dano é mínimo, e os benefícios do controle glicêmico superam qualquer preocupação. No entanto, é fundamental realizar acompanhamento periódico, manter uma dieta equilibrada e seguir as orientações do profissional de saúde.

Se você tem dúvidas sobre o uso da metformina ou sofre de problemas renais, consulte seu médico para uma avaliação detalhada e orientações específicas. Assim, é possível usufruir de todos os benefícios deste importante medicamento de maneira segura e eficaz.

Referências

  1. American Diabetes Association. Standards of Medical Care in Diabetes—2023. Diabetes Care. 2023;46(Suppl 1):S1-S154. https://www.diabetes.org/

  2. National Kidney Foundation. (2022). Clinical Practice Guidelines for Diabetic Patients. https://www.kidney.org/

  3. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Diabetes Mellitus. 2022.

Lembrete importante: Este artigo tem fins informativos e não substitui a orientação médica. Sempre consulte um profissional de saúde qualificado antes de iniciar, alterar ou interromper qualquer medicação.