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Macrocitose e Hipocromia: Entenda as Alterações Hemáticas Completamente

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As alterações nos exames hematológicos podem indicar diversas condições de saúde, algumas mais graves que outras. Entre essas alterações, destacam-se a macrocitose e a hipocromia, duas anomalias que afetam os glóbulos vermelhos (hemácias) e podem indicar distúrbios sanguíneos, deficiências nutricionais ou doenças crônicas. Compreender esses conceitos é fundamental para profissionais de saúde e pacientes, pois podem ser red flags de condições que necessitam de investigação e tratamento específicos.

Neste artigo, abordaremos de forma detalhada o que são a macrocitose e a hipocromia, suas causas, sintomas, diagnósticos, tratamentos e dicas práticas para manutenção de uma saúde hematológica equilibrada.

macrocitose-e-hipocromia

O que é Macrocitose?

Definição

Macrocitose refere-se ao aumento do volume das hemácias, ou seja, quando os glóbulos vermelhos apresentam um tamanho maior do que o normal. Essa condição é avaliada através do índice de volume corpuscular médio (VCM), que mede o tamanho das células sanguíneas.

Valores de referência para VCM:| Parâmetro | Valor de Referência || | || VCM | 80-100 fL (femtolitros) |

Quando o VCM está acima de 100 fL, indica-se macrocitose.

Causas de Macrocitose

As principais causas estão relacionadas à deficiência de vitamina B12, deficiência de folato, alcoolismo, doenças hepáticas, mieloproliferativos, e uso de certos medicamentos (ex.: zidovudina).
As causas podem ser divididas em:- Nutricionais (deficiência de vitamina B12 ou folato)- Hematológicas (distúrbios de medula óssea)- Drogas e toxinas (álcool, medicamentos)- Doenças hepáticas e endócrinas (hipotireoidismo)

O que é Hipocromia?

Definição

Hipocromia refere-se à diminuição da concentração de hemoglobina nas hemácias, resultando em células com coloração mais pálida ao exame de sangue. Essa alteração é avaliada pelo índice de coloração ou por sangria de eliptocitose, além do fato de as células apresentarem menor concentração de hemoglobina.

Valor de referência:

  • Índice de coloração (IR): valores menores indicam hipocromia, normalmente abaixo de 0,85 na escala de Leishman.

Causas de Hipocromia

As causas mais comuns incluem:- Anemias ferroprivas (deficiência de ferro)- Talassemias- Anemias anemia de doença crônica- Diminuição na produção de hemoglobina- Perda sanguínea crônica

Como a Macrocitose e Hipocromia se Manifestam?

Sintomas comuns

  • Fadiga e fraqueza
  • Palidez cutânea e mucosas
  • Falta de ar
  • Tontura
  • palpitações
  • Alterações neuropsicomotoras (especialmente na deficiência de B12)

Observação importante: Em muitos casos, esses achados são assintomáticos e descobertos apenas por exames laboratoriais de rotina.

Diagnóstico Laboratorial

Parâmetros principais

ParâmetroValor AlteradoSignificado
VCM (Volume Corpuscular Médio)AltoMacrocitose
MCHC (Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média)BaixoHipocromia
RDW (Distribuição do Tamanho das Hemácias)AumentadoVariabilidade no tamanho

Exames complementares

  • Dosagem de vitamina B12 e folato
  • Dosagem de ferro sérico, ferritina e capacidade total de upload (TIBC)
  • Eletroforese de hemoglobina
  • Biópsia de medula óssea (em casos específicos)

Importância do diagnóstico adequado

Identificar as causas específicas da macrocitose e hipocromia é essencial para estabelecer um tratamento efetivo e evitar complicações mais sérias, como insuficiência medular ou neuropatias irreversíveis.

Tratamentos e Mudanças de Hábitos

Tratamento da macrocitose

O tratamento depende da causa subjacente. Para deficiências vitamínicas, a reposição de vitamina B12 ou folato é indicada, geralmente via oral ou intramuscular.

Tratamento da hipocromia

No caso de anemia ferropriva, a reposição de ferro (suplementação oral ou parenteral) é o padrão. Além disso, investigar e tratar a causa da perda sanguínea ou má absorção é fundamental.

Dicas gerais para manutenção da saúde hematológica:

  • Alimentação balanceada, incluindo alimentos ricos em ferro, vitamina B12 e folato.
  • Evitar consumo excessivo de álcool.
  • Consultas regulares para exames de rotina.
  • Seguir a orientação médica para tratamentos específicos.

Tabela Resumo das Causas

Tipo de AlteraçãoPrincipais CausasCaracterísticas
MacrocitoseDeficiência de B12, folato, alcoolismoHemácias maiores, anemia megaloblástica
HipocromiaDeficiência de ferro, talassemiaHemácias menores, coloração pálida

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. A macrocitose é sempre sinal de uma condição grave?

Nem sempre. Pode ser transitória ou relacionada a deficiências nutricionais simples, mas deve ser investigada para descartar condições mais sérias.

2. Como sei se tenho hipocromia?

Normalmente, essa alteração é identificada através de exames de sangue, como o hemograma. Sintomas podem incluir fadiga e palidez, mas o diagnóstico preciso depende de exames laboratoriais.

3. Posso prevenir a ocorrência de macrocitose e hipocromia?

Sim, mantendo uma alimentação equilibrada, realizando exames de rotina e tratando precocemente quaisquer deficiências ou doenças subjacentes.

4. Quais profissionais devo procurar?

Hemoterapeuta, hematologista ou seu clínico geral podem ajudar na investigação e tratamento das alterações.

Conclusão

A compreensão da macrocitose e da hipocromia é essencial para detectar precocemente disfunções sanguíneas que podem afetar a saúde geral. Apesar de serem frequentemente relacionadas a condições tratáveis, essas alterações podem também indicar problemas mais complexos que exigem intervenção especializada.

Realizar exames regulares, manter uma alimentação adequada e buscar atendimento médico ao identificar sintomas são passos essenciais para preservar a saúde hematológica.

Referências

  1. Zitt, E., et al. Hematologia e Hemoterapia. Editora Santos, 2019.
  2. World Health Organization. Guidelines for the diagnosis and management of anemia. Geneva: WHO, 2016.
  3. Sociedade Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular. Diretrizes para anemia. Disponível em: SBHHCT.
  4. Gurney, M., et al. Anemia: Diagnosis and Management. Medical Journal, 2021.

Lembre-se: Diagnóstico preciso e tratamento adequado devem sempre ser orientados por um profissional de saúde qualificado.