Luxação Acromioclavicular: Guia Completo Sobre CID
A luxação acromioclavicular é uma lesão comum, especialmente em esportes de impacto ou acidentes que envolvem ombro. Muitas pessoas procuram informações detalhadas para entender o que é essa condição, seus sintomas, tratamentos e como ela é classificada na CID (Classificação Internacional de Doenças). Este artigo fornece um guia completo sobre a luxação acromioclavicular, abordando todos esses aspectos para que você possa compreender melhor essa lesão, suas implicações e os cuidados necessários.
Introdução
A articulação acromioclavicular (AC) conecta a escápula ao acrômio da clavícula. Essa articulação é fundamental para a mobilidade do ombro, permitindo movimentos como elevação e rotação. A luxação dessa articulação ocorre quando há um deslocamento dos seus ossos, geralmente causado por trauma direto, como uma queda ou impacto forte.

De acordo com dados epidemiológicos, a luxação acromioclavicular representa cerca de 9% a 12% de todas as lesões de ombro. Sua classificação, tratamento e prognóstico são temas essenciais tanto para profissionais de saúde quanto para pacientes.
O que é a luxação acromioclavicular?
Definição
Luxação acromioclavicular é a perda da congruência entre a clavícula e a escápula na articulação acromioclavicular, levando ao deslocamento dos ossos de sua posição normal. Pode variar de uma simples distensão ligamentar até uma separação completa da articulação.
Causas comuns
- Queda com o braço estendido ou apoiado
- Impacto direto no ombro
- Acidentes esportivos, especialmente em esportes de contato ou de risco, como rugby, futebol, skate
- Traumas industriais ou acidentes automobilísticos
Classificação da luxação acromioclavicular na CID
CID-10
Na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), a luxação acromioclavicular está categorizada na seguinte seção:
| Código CID-10 | Descrição |
|---|---|
| S43.2 | Luxação do ombro e do sítio acromioclavicular |
A CID não especifica subdivisões detalhadas para diferentes graus de luxação, mas é importante destacar que a documentação médica pode detalhar o grau de gravidade com base na classificação de Rockwood (explicada adiante).
Classificação da luxação acromioclavicular
A classificação de Rockwood é amplamente utilizada pela comunidade médica para determinar a gravidade da lesão e orientar seu tratamento:
Níveis de luxação segundo Rockwood
| Grau | Características | Descrição |
|---|---|---|
| I | Entorse ou estiramento dos ligamentos acromioclaviculares | Leve, sem deslocamento aparente |
| II | Deslocamento parcial com ruptura do ligamento acromioclavicular e intacto o coracoclavicular | Ligeiramente deslocado, dor moderada |
| III | Deslocamento completo com ruptura de ligamentos acromioclaviculares e do coracoclavicular | Movimento livre, dor aguda |
| IV | Luxação com deslocamento posterior da clavícula | Deslocamento para trás; mais grave |
| V | Luxação com elevação significativa da clavícula com ruptura de componentes ligamentares | Gravidade aumentada, com deformidade visível |
| VI | Luxação com o extremidade distal da clavícula deslocada abaixo do coracoid ou da cavidade glenoide | Rara, grave, geralmente associada a trauma de alta energia |
Sintomas e sinais
Os sintomas mais comuns incluem:
- Dor aguda no ombro, especialmente ao mover o braço
- Inchaço evidente na região da articulação
- Deformidade visível ou sensação de "bolha" ou irregularidade na área
- Incapacidade de mover o ombro normalmente
- Sensação de instabilidade ou escorregamento no ombro
Em casos mais graves, pode ocorrer hematoma (acúmulo de sangue) ou assimetria evidente entre os ombros.
Diagnóstico da luxação acromioclavicular
Exame clínico
O médico avalia a história do trauma, os sintomas, além de realizar inspeção, palpação, teste de mobilidade e avaliação da estabilidade do ombro.
Exames de imagem
Para confirmação e classificação, os principais exames incluem:
- Radiografias em diferentes projeções (a.p., perfil e oblíquas)
- MRI, em casos complexos, para avaliar tecido mole
- TC, em casos de suspeita de luxações graves ou complicadas
A seguir, uma tabela comparando os principais exames:
| Exame | Propósito | Vantagens |
|---|---|---|
| Radiografia | Confirmar deslocamento e classificar a lesão | Custo acessível, rápido |
| MRI | Avaliar tecidos moles e lesões associadas | Detalhamento de ligamentos e cartilagem |
| Tomografia (TC) | Visualizar detalhes ósseos complexos | Precisão na avaliação de fraturas |
Tratamento da luxação acromioclavicular
O tratamento varia conforme o grau de luxação, idade, nível de atividade e preferência do paciente. Pode ser conservador ou cirúrgico.
Tratamento conservador
Indicado para Luxação de grau I e II, ou para alguns grau III dependendo do caso.
- Repouso e imobilização com tala ou uma braçadeira por 2 a 4 semanas
- Controle da dor com analgésicos e anti-inflamatórios
- Fisioterapia para manter a mobilidade e fortalecer os músculos
Tratamento cirúrgico
Recomendado em luxações de grau IV, V e VI, ou em casos de instabilidade persistente.
- Técnicas cirúrgicas incluem síntese com fios, parafusos, uso de enxertos ou procedimentos arthroscópicos
- Processo de reabilitação que pode durar de 3 a 6 meses
Importante: A decisão pela cirurgia deve ser avaliada por um especialista em ortopedia, considerando o grau de lesão, atividades do paciente e potencial de recuperação.
Tabela comparativa do tratamento
| Grau de Lesão | Tratamento Recomendado | Tempo de recuperação |
|---|---|---|
| I - II | Conservador | 2 a 6 semanas |
| III | Pode ser conservador ou cirúrgico dependendo do paciente | 3 a 6 meses |
| IV - VI | Cirúrgico | 4 a 6 meses |
Como prevenir a luxação acromioclavicular?
- Uso de equipamentos de proteção durante esportes de impacto
- Técnicas adequadas ao praticar atividades físicas
- Fortalecimento muscular do ombro e região escapular
- Manter uma boa postura e atenção ao realizar movimentos bruscos
Perguntas frequentes (FAQs)
1. Qual a diferença entre luxação e distensão do ombro?
A distensão refere-se a um estiramento ou lesão parcial dos ligamentos, sem deslocamento dos ossos. Já a luxação envolve o deslocamento completo das articulações, como na luxação acromioclavicular.
2. Quanto tempo leva para uma luxação acromioclavicular cicatrizar?
Depende do grau da lesão e do tratamento adotado. Em geral, a recuperação pode levar de 4 a 6 semanas para casos conservadores, enquanto cirurgias podem requerer até 6 meses de reabilitação.
3. É possível retornar às atividades esportivas após uma luxação acromioclavicular?
Sim, mas o tempo depende da gravidade da lesão e do tratamento. O acompanhamento com fisioterapia é fundamental para garantir a recuperação adequada.
4. Quando procurar um médico?
Sempre que houver dor intensa, deformidade visível ou incapacidade de mover o braço, procure um profissional de saúde para avaliação adequada.
Conclusão
A luxação acromioclavicular é uma lesão que pode variar de leve a grave, impactando a qualidade de vida e a funcionalidade do ombro. Sua classificação na CID-10 como S43.2 facilita a padronização do diagnóstico e o planejamento de tratamento. É fundamental buscar assistência médica ao primeiro sinal de sintomas para uma avaliação precisa e uma conduta adequada.
A prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz são essenciais para evitar complicações e garantir o retorno às atividades diárias e esportivas com segurança. Cada caso deve ser avaliado individualmente, e o acompanhamento com profissionais especializados é a melhor estratégia para uma recuperação bem-sucedida.
Referências
- Miller, D. et al. (2018). Shoulder injuries in athletes. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy.
- Rockwood, C. A., et al. (2014). Rockwood and Green's Fractures in Adults. 8th Edition.
- OMS – Organização Mundial da Saúde. CID-10. Disponível em: https://icd.who.int/browse10/2016/en
- Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Guia de Lesões de Ombro.
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