Lúpus e Transmissível: Verdades e Mitos Sobre a Doença
O lúpus é uma doença que tem causado muitas dúvidas e incertezas entre quem convive com ela ou conhece alguém afetado. Uma das principais questões levantadas é se o lúpus é uma doença transmissível ou não. Muitas pessoas acreditam que o contato com pacientes pode facilitar a transmissão, enquanto outras pensam que é uma condição genéticamente herdada. Neste artigo, vamos esclarecer essas dúvidas, desmistificar mitos e apresentar informações baseadas em evidências científicas sobre o lúpus, sua transmissão e seu impacto na vida dos pacientes.
O que é o lúpus?
O lúpus eritematoso sistemico (LES) é uma doença autoimune crônica, na qual o sistema imunológico ataca por engano os tecidos saudáveis do corpo. Isso pode afetar a pele, articulações, rins, coração, pulmões, cérebro e outros órgãos.

Principais sintomas do lúpus
- Fadiga excessiva
- Dor e inchaço nas articulações
- Erupções cutâneas, especialmente na face (lesão em forma de asa)
- Febre sem causa aparente
- Perda de cabelo
- Sensibilidade ao sol
- Problemas renais e cardíacos (em casos mais graves)
A incidência do lúpus é maior em mulheres, especialmente na faixa de idade de 15 a 45 anos, e apresenta uma maior prevalência em populações com ascendência africana, asiática e hispânica.
Mito versus realidade: O lúpus é transmissível?
Esclarecendo a dúvida
Uma das questões mais comuns é se o lúpus é contagioso. A resposta rápida é NÃO: o lúpus não é uma doença transmissível. Ou seja, você não pode pegar lúpus de uma pessoa infectada, através de contato, abraço, beijos ou qualquer outro tipo de interação social.
Por que essa confusão existe?
A confusão surge devido à semelhança de alguns sintomas do lúpus com doenças infecciosas, além do modo de apresentação de certas manifestações cutâneas. No entanto, o mecanismo que leva ao desenvolvimento do lúpus é diferente de qualquer doença infecciosa.
Como o lúpus se desenvolve?
O lúpus é uma doença autoimune, o que significa que o sistema imunológico, que deveria proteger o corpo contra agentes externos, passa a atacar os próprios tecidos. Essa resposta imunológica aberrante é influenciada por fatores genéticos, ambientais, hormonais e possivelmente por alguns medicamentos.
Fatores de risco e causas do lúpus
Embora as causas exatas do lúpus ainda não sejam totalmente compreendidas, alguns fatores são associados ao seu desenvolvimento.
Fatores genéticos
Estudos mostram que o lúpus pode ter componentes hereditários. Pessoas com parentes próximos que tenham a doença apresentam maior risco de desenvolvê-la.
Fatores ambientais
Exposição prolongada à luz solar, infecções, uso de certos medicamentos e mudanças hormonais podem desencadear ou agravar a doença.
Outros fatores
- Sexo: maior prevalência em mulheres;
- Raça: maior incidência em populações afrodescendentes, asiáticas e hispânicas;
- Estresse emocional e fatores psicológicos também podem influenciar o agravamento dos sintomas.
Como o lúpus é diagnostivado?
O diagnóstico do lúpus é clínico e laboratorial, baseado em critérios estabelecidos por especialistas. Não há um exame único que confirme a doença, o diagnóstico é feito através de uma combinação de achados clínicos e exames de sangue.
Exames auxiliares comuns
| Exame | Função |
|---|---|
| Hemograma completo | Detecta anemia, infecções ou alterações sanguíneas |
| Sorologia (ANA, anti-DNA, antiproteínas) | Detecta anticorpos específicos do lúpus |
| Exames de função renal | Avaliam o impacto da doença nos rins |
| Exames de imagem | Detectam alterações em órgãos como coração, pulmões e articulações |
Segundo o consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia, "O diagnóstico precoce e preciso do lúpus é fundamental para o manejo adequado da doença e para evitar complicações graves."
Tratamento do lúpus
Embora ainda não exista uma cura definitiva para o lúpus, há tratamentos eficazes que controlam os sintomas, prevenem complicações e melhoram a qualidade de vida do paciente.
Tratamentos disponíveis
- Anti-inflamatórios e corticosteroides para reduzir a inflamação;
- Antimaláricos, como a hidroxicloroquina;
- Imunossupressores em casos mais graves;
- Cuidados com a pele e proteção solar rigorosa;
- Mudanças no estilo de vida, incluindo dieta equilibrada, exercícios regulares e gerenciamento do estresse.
Cuidados e convivência com o lúpus
Pacientes com lúpus devem seguir as orientações médicas rigorosamente e realizar acompanhamento regular. Além disso, é importante conscientizar familiares e amigos sobre a natureza não transmissível da doença, para evitar preconceitos e mal-entendidos.
Perguntas frequentes
1. O lúpus pode ser transmitido pelo contato físico?
Não. Como mencionado anteriormente, o lúpus não é uma doença transmissível. O contato físico, como abraços ou aperto de mão, não transmite a doença.
2. Pessoas com lúpus podem ser próximas de quem está doente?
Sim, é seguro manter laços afetivos e convivência social, pois o lúpus não passa de pessoa para pessoa.
3. Quais os riscos de complicações do lúpus?
As complicações podem envolver problemas renais, cardíacos, pulmonares, neurológicos e problemas na pele. Com tratamento adequado e acompanhamento regular, esses riscos podem ser minimizados.
4. O que fazer em casos de crises ou agravamento dos sintomas?
Procure seu médico imediatamente, siga as orientações médicas, e mantenha uma rotina de cuidados que inclua repouso, proteção solar e uso de medicação prescrita.
Conclusão
Desmistificar o lúpus e compreender sua verdadeira natureza são passos essenciais para promover uma convivência saudável e livre de preconceitos. Esclarecido que o lúpus não é uma doença transmissível, podemos apoiar os pacientes com mais empatia e compreensão. Investimentos em pesquisas continuam sendo fundamentais para aprimorar os tratamentos e, eventualmente, buscar uma cura definitiva para a doença.
Se você deseja aprofundar seus conhecimentos, recomendo consultar fontes confiáveis como o site da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Reumatologia.
Referências
- Sociedade Brasileira de Reumatologia. Lúpus Eritematoso Sistêmico. Disponível em: https://www.reumatologia.org.br
- Organização Mundial da Saúde. Doenças autoimunes. Disponível em: https://www.who.int/
- Silva, J. et al. (2020). Lúpus eritematoso sistêmico: diagnóstico, características e tratamento. Revista Brasileira de Reumatologia.
“Entender a doença é o primeiro passo para enfrentá-la com coragem e esperança.”
MDBF